Livro - A arte do começoLivro: A arte do começo
Autor: Guy Kawasaki
Editora: BestSeller
Páginas: 240
Preço: R$ 29,90

O guia definitivo para iniciar seu projeto
Guy Kawasaki é um empreendedor serial bastante conhecido no Vale do Silício. Fundador e CEO da Garage Technology Ventures, uma empresa de capital de risco para investimentos em alta tecnologia, ele decidiu colocar no papel algumas regras de ouro para futuros empreendedores. “A arte do começo” é um guia prático sucinto capaz de explicar, com propriedade, como deve ser a criação de um bom plano de negócios, a aquisição de capital e o recrutamento de pessoal de uma nova empresa, sem esbarrar em detalhes burocráticos chatos e demorados.

Choque de realidade
Sempre comentei, e vemos estas mesmas palavras nos artigos de outros especialistas, que abrir seu próprio negócio é uma das melhores alternativas para aumentar sua receita e suas chances de riqueza. No entanto, abrir qualquer negócio ou inaugurar sua empresa sem um mínimo de planejamento e conhecimento de administração/mercado não o levará muito longe.

O livro foi escrito por um empresário norte-americano e retrata muito do que acontece no agitado universo das startups de tecnologia de lá. Ainda assim, suas lições práticas e sua linguagem clara são capazes de diagnosticar diversos fatores de sucesso de novos negócios e detalham a visão de um profissional responsável por analisar planos de negócios e decidir o destino do dinheiro de um fundo de capital de risco.

A abordagem de negócio nos brinda com dicas que vão desde a criação de um bom plano de negócios até a criação de uma marca forte, passando por dicas para a aquisição de capital, recrutamento e apresentação de idéias. A obra, apesar de não ser escrita por um brasileiro, traz inúmeros conceitos e opiniões importantes para quem quer começar:

“O mais difícil no começo é começar. Ninguém jamais atingiu o sucesso simplesmente planejando. Seja ambicioso, encontre sócios, polarize as pessoas, tenha um design diferente e use protótipos para pesquisar o mercado. Lembre-se, não complique. Quanto mais precisamente puder descrever seus clientes, melhor. Se não puder descrever seu modelo de negócios em dez palavras ou menos, é sinal de que ele não existe”

Diferenciais fundamentais
A obra destaca algumas atitudes essenciais para o sucesso nos negócios. Claro que muitas destas características estão intimamente ligadas à expertise, vocação e ao esforço do empreendedor. Portanto, devem ser analisadas de forma inteligente e sempre relacionadas ao contexto da empresa que se pretende criar. Longe de serem garantia de sucesso, são aspectos tidos relevantes quando o objetivo é abrir um negócio que realmente fará diferença. Vejamos:

1. Posicionamento. O que vocês fazem? Futuros empreendedores devem conseguir responder à essa pergunta de maneira clara assim como, diariamente, grandes empresas procuram fazer. Aspectos fundamentais como o nicho de atuação, nome da empresa e a eficiência na transmissão das mensagens (contato com o cliente) são abordados pelo autor.

“Como empresa nova, a sua está tentando acender uma fogueira com fósforos, não com lança-chamas (poucas tem esse luxo). Um nome notável para a sua empresa, produto ou serviço é como pornografia: difícil de definir, mas você a conhece quando a vê. Gaste o tempo e o esforço necessários para encontrar um bom nome e posicione seu produto ou serviço da forma mais pessoal que puder”

2. Apresentação de idéias. O livro faz enormes esforços no sentido de pensarmos mais no aperfeiçoamento na apresentação de propostas, projetos e produtos. O autor dá dicas sobre criação de apresentações no computador, tempo ideal de debate das idéias e preparação do conteúdo.

“Apresentar idéias não é só útil para levantar dinheiro – é uma ferramenta essencial para atingir concordância em qualquer assunto. O objetivo de uma apresentação para propor sua idéia é estimular o interesse, não fechar o negócio”

3. Elaboração do plano de negócios. Talvez este seja um dos pontos mais abordados em cursos de especialização e formação de empreendedores, aqui e no mundo. No entanto, a visão de Guy é menos ortodoxa e nos faz refletir sobre sua real eficiência. Sua opinião balança de forma positiva o leitor, confira:

“Um bom plano de negócios é uma versão detalhada de uma apresentação – ao contrário de ser a base para uma. Terminou de redigir seu plano? Faça um exercício simples: imprima seu plano atual, jogue fora a página 3 e as que vêm depois. Será que as primeiras duas páginas fazem você ter vontade de ler o documento inteiro?”

4. Recrutamento. O livro aposta na exposição de algumas diferenças entre os talentos que trabalham em grandes empresas e aqueles que desejam ingressar em empresas recém criadas. O espírito de aventura, a vontade de trabalhar de forma diferenciada e a liberdade confrontam a responsabilidade, tida como fator fundamental para o sucesso, mas geram comprometimento. Trata-se de um dos melhores capítulos do livro.

5. Aporte de capital. Entender como funcionam as empresas de capital de risco é fundamental e Guy nos leva diante dessa alternativa. “Sempre conte tudo o que você sabe e procure demonstrar sua capacidade para avaliar a concorrência”, defende o autor.

Na sequência, o livro apresenta dois capítulos interessantes sobre criação de marca, diferenciação e valor. Planejar bem a abertura da empresa, garantir capital para sua sobreviência e ter as pessoas certas devem ser ações seguidas de uma forte preocupação com o aspecto pessoal do negócio, seus reais benefícios para o cidadão e sua capacidade de se fortalecer diante da concorrência. Guy relata experiências e cases de startups que só decolaram depois de entender estes verdadeiros poderes e necessidades.

Avaliação final
Com humildade e parcimônia, Guy Kawasaki procura detalhar as fases essenciais, sob o ponto de vista de uma empresa de capital de risco, para se começar bem um produto, serviço ou empresa. Sem pretensões corporativas declaradas e mantendo um tom sempre irreverente e impessoal, o livro é um guia capaz de abrir novas janelas e semear novas idéias em nosso grande sonho de ser dono do próprio nariz. É possível, é interessante e pode ser divertido, logo percebi. Notas:

  • Linguagem e narrativa: 9
  • Exemplos práticos: 8
  • Temas abordados: 8,5
  • Preço: 8
  • Média: 8,4

Leitura rápida, “A arte do começo” é uma compilação fantástica de idéias e insights para uma gestão mais humana e focada no desenvolvimento de negócios realmente revolucionários. O desafio criativo existente na criação de uma empresa é levado a sério pelo autor e seus resultados são discutidos de forma inteligente e proveitosa. Recomendo.

Conrado Navarro
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