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Lula “ama” a Petrobras, mas não ajuda

Orçamento federal limitado na ANP "provavelmente está levando a um atraso no fluxo de trabalho" da estatal, dizem analistas

por Gustavo Kahil
3 min leitura
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante a solenidade de posse de Magda Chambriard no cargo de Presidente da Petrobras, no CENPES
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante a solenidade de posse de Magda Chambriard no cargo de Presidente da Petrobras, no CENPES (Imagem: Ricardo Stuckert / PR)

Durante a posse nesta semana da nova presidente da Petrobras (PETR3; PETR4), Magda Chambriard, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma defesa entusiasmada da estatal e lembrou do que chamou de “época de ouro” entre 2003 e 2006, quando investimentos permitiram a descoberta das reservas de petróleo na camada do pré-sal.

Agora, contudo, o sucateamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em seu governo tem atrapalhado o avanço de novas fronteiras de exploração: a Margem Equatorial e a Bacia de Pelotas.

Na semana passada, a ANP suspendeu sua reunião como forma de apoiar um movimento em curso por 11 agências federais contra cortes orçamentários e desvalorização dos servidores e uma “grave limitação (…) que impedem, por exemplo, o desenvolvimento de sistemas capazes de automatizar atividades ou a contratação de apoio adicional por prestadores de serviço”.

Uma recente reunião entre os estrategistas do Santander, Ricardo Peretti e Alice Corrêa, e o diretor-geral da ANP, Rodolfo Saboia, revelou preocupações significativas sobre o impacto da falta de recursos na agência. A escassez orçamentária pode atrasar projetos importantes e a implementação de novas fronteiras de exploração para a Petrobras, uma situação que pode afetar o ritmo de crescimento e inovação no setor de óleo e gás do Brasil.

Agenda da ANP

No encontro realizado em 17 de junho por videoconferência, foram discutidas as prioridades da ANP para o setor, incluindo novas fronteiras de exploração, revisão da metodologia do preço de referência do petróleo e medidas de combate à adulteração de combustíveis.

Embora a agenda da ANP seja vista de forma positiva, os analistas do Santander observaram que “o orçamento federal limitado provavelmente está levando a um atraso no fluxo de trabalho”, o que pode impactar negativamente a capacidade da agência de implementar suas iniciativas.

As novas fronteiras de exploração, como a Margem Equatorial e a Bacia de Pelotas, são consideradas cruciais para a Petrobras e outras petrolíferas. Segundo a ANP, essas áreas oferecem boas oportunidades para novos projetos devido ao baixo custo e ao perfil de produção de baixa pegada de carbono.

“A ANP acredita que essas regiões são fundamentais para uma transição energética suave com preços de energia baixos”, afirmam Peretti e Corrêa.

A Margem Equatorial tem grande potencial para descobertas de petróleo em alto-mar, mas também enormes desafios socioambientais.

O Ibama rejeitou no ano passado um pedido da Petrobras para perfurar na Bacia de Foz do Rio Amazonas, região vista como de maior potencial da Margem Equatorial.

Preços de referência

A ANP também está focada na revisão da metodologia para o preço de referência do petróleo, que deve ser aprovada nos próximos meses. A nova metodologia é importante porque os preços de referência impactam diretamente as premissas utilizadas para calcular os retornos dos projetos de petróleo e gás, influenciando as decisões de investimento.

“Concluir essas discussões é essencial para garantir um ambiente de investimento estável e atraente”, destacam os analistas.

No âmbito do combate à adulteração de combustíveis, a ANP tem intensificado suas ações, especialmente contra a mistura irregular de metanol. A agência implementou operações para apreender importações de metanol sem finalidade clara, demonstrando seu compromisso com a qualidade dos combustíveis no Brasil.

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