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Lula também vai “abrasileirar” os dividendos da Petrobras?

"Preferimos continuar nos posicionando em pares do setor que não dialoguem com o risco político presente em Petrobras”, explica analista

por Gustavo Kahil
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O presidente da Petrobras (PETR3; PETR4) disse ontem sem nenhuma discrição, em uma entrevista coletiva com a imprensa, que o objetivo da estatal é “abrasileirar” os preços dos combustíveis, conforme pediu o presidente Lula.

“Abrasileirar os preços é considerar parâmetros do Brasil na formação dos preços. Da nossa parte, esses parâmetros brasileiros são a própria Petrobras, que produz aqui, entrega aqui e tem vantagens aqui”, afirmou ele.

A Petrobras é uma produtora eficiente de petróleo e até consegue trabalhar abaixo dos preços internacionais e ter algum lucro, porém, como lembra a casa de análise Levante Investimentos, há várias ressalvas neste contexto.

“Embora o Brasil seja autossuficiente na extração de petróleo, o país não é autossuficiente em refino do ‘ouro negro’ – com isso, precisamos exportar 30% de nossa extração de petróleo bruto e importar os mesmos 30% de petróleo refinado”, lembra Rafael Bevilacqua, da Levante.

Preços com 30% de PPI

Na prática, sem igualar os preços vendidos ao chamado PPI (Preço de Paridade Internacional), as distribuidoras que fazem este trabalho no setor privado – de importar produto refinado de fora do país – precisam parar com essa atividade, uma vez que vão ter prejuízos ao vender no mercado interno.

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O presidente da Petrobras, Jean Paul Prates fala durante café da manhã com jornalistas no Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes), na Ilha do Fundão, zona norte da capital fluminense (Imagem: Tomaz Silva/Agência Brasil)

“Sendo assim, a petroleira estatal precisa entrar no mercado e importar os 30% adicionais de petróleo refinado já em forma de combustível para evitar um desabastecimento – dessa forma, tendo parte de seus custos atrelados ao chamado PPI (Preço de Paridade Internacional)”, pontua.

Desta forma, a Petrobras tem 30% do seu produto vendido no mercado interno com custos de PPI, hoje por volta de US$ 80 o barril, mais o custo de frete. Os outros 70% vêm do custeio de extração e produção da própria empresa, que hoje está por volta dos US$ 40 o barril, se considerarmos as despesas totais da empresa.

Vai dividir quanto?

Bevilacqua ressalta, portanto, que “abrasileirar” seria como colocar uma margem para que a empresa entregue um pequeno lucro aos acionistas. É aí que entra a questão dos dividendos.

O diretor Financeiro e de Relacionamento com Investidores, Sérgio Caetano Leite, disse que as novas regras da política de dividendos da companhia estão sendo preparadas por um grupo de trabalho que deve concluir tudo até o fim deste mês. Já se sabe que a intenção da Petrobras é reduzir a distribuição de dividendos e, com a diferença, poder ampliar os investimentos.

“No passado, já acreditávamos com mais força que a empresa passaria dos atuais 60% de seu FCO-investimentos para uma fórmula mais simples, que respeitasse apenas o mínimo de 25% do lucro líquido preconizado por lei no país. No entanto, com as falas de seu CEO quanto a impossibilidade de aumento do investimento para o próximo ano, acreditamos ser mais provável que a empresa faça uma leve redução de 60% para 40% de seu fluxo de caixa operacional descontados os investimentos”, avalia Ilan Arbetman, da Ativa Investimentos.

Nos cálculos da Ágora Investimentos, os dividendos propostos podem ser de aproximadamente US$ 4,3 bilhões no segundo trimestre, “se nenhuma mudança importante for exigida pelo conselho”, avaliam Vicente Falanga e Ricardo França, da Ágora Investimentos.

No entanto, com a expectativa de que os lucros da Petrobras sejam penalizados pela política de “abrasileirar” os preços dos combustíveis, é de se esperar que os dividendos também sejam “abrasileirados”. “Apesar de acreditarmos que a companhia seguirá distribuindo um bom dividendo, preferimos continuar nos posicionando em pares do setor que não dialoguem com o risco político presente em Petrobras”, conclui Arbetman.

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