Essa época do ano é sempre cheia de reflexões, boas ações, sentimentos positivos e… compras! Uma montanha de gastos que, via de regra, transformam os meses na sequência do Natal em uma ressaca financeira sem fim.

Nessas minhas andanças tentando levar a educação financeira até as pessoas me deparei com muitas situações curiosas de gente que leva muito a sério essa coisa de “dar presente”, seja de casamento, aniversário ou Natal.

Estou falando de famílias que têm uma fatia importante de seu orçamento – muitas vezes mais de 10% – comprometido com os mimos dados a outrem. E é nesse momento que acredito que uma reflexão se faz necessária: será que nossas relações estão extremamente mercantilizadas?

O que quero dizer é que parece que nos sentimos mais ou menos amados de acordo com a etiqueta de preço do presente que ganhamos (ou damos). O que aconteceu com o simples prazer de estar junto de quem amamos? Quando a lembrança perdeu seu lugar para um objeto material que, para ser bom o suficiente, tem que ser caro?

Para mim, o momento de reflexão chegou quando o ato de presentear deixou de ser uma despesa pontual e passou a ser uma despesa recorrente e de grande impacto no orçamento das famílias.

Tudo fica muito perigoso quando o bem-estar é comprometido e dá lugar a esta relação consumista que se estabeleceu entre as pessoas; quando sentimos vergonha se o presente que compramos custa menos que “x Reais”. Diante de tudo isso, o que estamos ensinando para nossos filhos e àqueles que nos veem como exemplo?

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Estamos vivendo um momento de ápice no consumo humano e os reflexos são devastadores: o planeta está no limite do que pode entregar de recursos, os limites econômicos são constantemente testados com crises sucessivas e os abismos sociais estão cada vez maiores.

No centro de tudo isso, uma cultura econômica baseada no consumo, onde as relações estão cada vez mais frias e as pessoas totalmente alheias àquilo que realmente importa: aproveitar o pouco tempo que temos com aqueles que amamos não custa dinheiro e é a coisa mais gratificante que podemos fazer.

Em tempo: não sou contra dar presente, porém sou contra os excessos que estamos vivendo no dia a dia e, principalmente, contra a histeria coletiva de que somos tão bons quanto as coisas que compramos.

Neste Natal, convido vocês a pensar nas pessoas que ama e achar algo que realmente simbolize essa amizade, procurando nos lugares menos prováveis.

Pode ser uma foto antiga, um CD com músicas que lembrem uma ocasião especial, um vídeo editado por você, atitudes que demonstrem o carinho de dedicar seu tempo àquele presente e, depois, estar presente para curtir junto com estas pessoas queridas.

Neste Natal, tente esquecer marcas, grifes e valores acima dos três dígitos. Em vez disso, faça de tudo para unir as pessoas que importam para você e, mais ainda, aproveitar cada minuto desse tempo juntos.

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Para finalizar, deixo a pergunta: o que é mais importante, dar presente ou estar presente? Nada é capaz de compensar a ausência de quem amamos, jamais se esqueça disso. Um feliz Natal e que progridamos muito como pessoas em 2016. Grande abraço!

Foto “Family celebrating”, Shutterstock.

Renato De Vuono
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