Johnny pergunta: Navarro, estou começando a entender mais sobre finanças graças ao seu blog. Ainda sou um iniciante e queria mais detalhes sobre os fundos de renda fixa. Minha família fala muito deste tipo de investimento e quero saber um pouquinho mais, até para entrar na conversa. Me ajuda?

Oi Johnny, vamos lá. Um fundo de renda fixa basicamente toma seu dinheiro e o investe em títulos prefixados do governo. Alguns fundos investem também em títulos privados prefixados. Neste caso, existe um máximo a ser colocado em títulos privados e este índice deve estar claramente descrito no contrato de adesão ao fundo. Vamos deixar o “economiquês”, e esta pequena complicação de lado, e falar um pouco sobre as características básicas de um fundo de renda fixa. Usando o restante de suas perguntas, temos:

Quando aplicar? Comparativamente aos fundos DI (trataremos deste assunto oportunamente), a renda fixa tende a render mais em cenários onde os juros tendem a cair, como agora. Mas é preciso tomar cuidado, pois juros muito baixos não são bons para a renda fixa em geral. Como seu banco compra títulos públicos prefixados usando a taxa de juros vigente, quanto mais baixo o juro, mais baixo será o rendimento.

O que esperar? Antes, preste muita atenção na taxa de administração anual do fundo. Se ela for muito alta, seu ganho poderá ser muito pequeno, uma vez que parte do ganho será “comida” pela taxa de adm. do fundo. É preciso usar um benchmark (CDI* neste caso) para avaliar a rentabilidade do fundo. Considero que um fundo de renda fixa precisa render pelo menos 95% do CDI vigente para ser considerado um fundo interessante. Mas não o mais interessante ou indicado. O melhor seria bater o CDI, e existem fundos assim por ai.

Qual o risco? O risco maior é o do Governo “quebrar”, uma vez que os fundos compram títulos públicos. Isso aconteceria, por exemplo, através de uma moratória (calote) como foi o caso da Argentina. Por aqui, hoje em dia, isso parece algo difícil de acontecer.

Em suma, um fundo de renda fixa pode apresentar boa rentabilidade (até superior ao DI) com relativo baixo risco. Mas é preciso ficar de olho na taxa de juros e na taxa de administração. Espero ter ajudado, apareça sempre. Um abraço.

* CDI ou Certificado de Depósito Interfinanceiro é um título que um banco emite para captar recurso de um outro banco. Esta taxa anda sempre muito próxima à taxa SELIC e é comumente usada como benchmark para avaliação de rentabilidade de fundos e investimentos em geral. Para ler mais sobre benchmark, recorra aos posts anteriores.

Conrado Navarro
Aviso: Os textos assinados e publicados no Dinheirama.com não representam necessariamente a opinião editorial do Blog. Asseguramos a qualquer pessoa, empresa ou associação que se sentir atacada o direito de utilizar o mesmo espaço para sua defesa. Também ressaltamos que toda e qualquer informação ou análise contida neste blog não se constitui em solicitação ou oferta de seu autores para compra ou venda de quaisquer títulos ou ativos financeiros, para realização de operações nos mercados de valores mobiliários, ou para a aplicação em quaisquer outros instrumentos e produtos financeiros. Através das informações, dos materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog, os autores não estão prestando recomendações quanto à sua rentabilidade, liquidez, adequação ou risco. As informações, os materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog têm propósito exclusivamente informativo, não consistindo em recomendações financeiras, legais, fiscais, contábeis ou de qualquer outra natureza.

Comentários