Elias comenta: “Navarro, ao longo da vida fui usando meu dinheiro sem cuidado e terminei sem construir um patrimônio. Hoje moro de aluguel e trabalho para pagar as contas (que tanto detesto). Tive contato recente com a educação financeira e tenho muito a aprender. Leio alguns livros sobre mudança de mentalidade, força do pensamento e tal, mas não compreendo como isso pode mudar minha vida financeira. O que você tem a dizer?

A verdade é que nunca é tarde para aprender sobre educação financeira. Sempre será possível melhorar a situação, ainda que uma pessoa com mais idade não consiga usufruir tão bem do fator “tempo” nos seus investimentos.

Você deve saber que a mente, que carrega os nossos pensamentos, é o centro de comando de tudo o que fazemos. Mesmo assim, muitas pessoas são negligentes neste sentido, nutrindo o cérebro com informações e hábitos destrutivos. Aos poucos (e sem se dar conta), padrões de pensamento são criados, e estes afetam toda a vida, inclusive o modo de lidar com o dinheiro.

Seus padrões mentais definem suas ações

Você já parou para analisar a enorme quantidade de pessoas que reclamam da vida? O sujeito usa a reclamação até para puxar papo no elevador. Estou fora! Se é assim, prefiro falar apenas sobre se vai chover ou fazer sol.

Os nossos padrões de comportamento não surgem do nada. As coisas começam quando ainda somos bem pequenos e temos nossa educação confiada aos pais. Aqueles que têm este cuidado educam seus filhos para pensar, questionar e utilizar a mente para o bem, desde cedo.

Infelizmente, a grande maioria não se atenta a estes detalhes e, aos poucos, aquele pequeno cérebro, limpo como uma folha em branco, começa a ser “manchado” com os padrões comportamentais errados dos pais, que vão sendo transmitidos no dia a dia. Veja estas frases:

  • “Não arrisque nunca o seu dinheiro. Papai era pobre quando criança e ser pobre é a pior coisa do mundo”;
  • “Ter muito dinheiro para quê? Dinheiro só traz confusão e brigas. Melhor mesmo é ter pouco e viver em paz”;
  • “O dia 5 está chegando, e com ele aquelas contas todas para pagar. Odeio este dia! Oh inferno ter que trabalhar pra pagar as contas”.

E ainda dá para piorar (sempre dá). “Cuidado com os ricos. Eles são arrogantes, corruptos, metidos e não se misturam com os pobres. Gostam é de aproveitar das pessoas para ganhar ainda mais dinheiro. Empresários ricos são exploradores”. Que tal essa?

Você já entendeu onde quero chegar e certamente se lembra de várias outras frases que ouviu ou que fazem parte da sua rotina. Pode parecer bobagem, mas mentiras repetidas várias vezes terminam por se tornar verdades (para quem conta e para quem escuta).

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Sua mente, sua responsabilidade

Independente de como tenha recebido a sua educação e visão sobre a vida, depois de adulto todos temos condições de questionar os padrões estabelecidos e, a boa notícia, modificá-los.

Dessa forma, a negatividade e a angústia, tão presentes na vida de muitas pessoas (em especial quando o assunto é dinheiro), têm muita relação com estes padrões de pensamento. Não estou dizendo que se você pensar de forma positiva vai ficar mais rico. A relação não é tão simples assim, mas um pessimista rico é algo difícil de encontrar (eu não conheço nenhum).

Para você ficar rico (em todos os aspectos), você tem que agir! Tem que estudar (esses temas são importantes: relacionamentos interpessoais, finanças, marketing e vendas), trabalhar, negociar, enfim, fazer coisas que melhorem seu conhecimento, sua visão de vida e te levem a obter mais experiência.

Para você alcançar o que deseja, você precisa antes acreditar, planejar, se organizar, e todas estas atividades e hábitos dependem dos seus pensamentos, das suas crenças e de sua mentalidade (o famoso mindset). Dinheiro, sucesso, liberdade ou outra coisa legal que você sonha conquistar é (e sempre será) consequência.

Por tudo isso é que insisto na importância de ter e manter uma mentalidade aberta, flexível, pronta para experimentar coisas novas. Todo o seu desempenho durante a vida depende disso!

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Eu adoro pagar as contas!

Preciso ainda levantar uma reflexão sobre as contas que pagamos todos os meses. Não fique chocado, mas eu adoro pagar as minhas contas!

Se você é uma pessoa bem resolvida com as suas finanças, você entenderá que, ao pagar uma conta, há um processo relevante envolvido: você conquistou seu dinheiro e teve o prazer de poder pagar por um produto ou serviço que gerou facilidades na sua vida, ou que simplesmente fazia sentido para você na sua escala de valores.

Faça um exercício: experimente fechar o registro de água de sua casa por três dias e se obrigue a “dar um jeito” todas as vezes que precisar da água. Você já tomou banho de caneca? Lavou pratos em uma bacia? Como ficam o peso e outros inconvenientes para transportar a água de outro lugar até sua casa? E se a água estiver suja, como limpar ou filtrar?

Você vai perceber rapidinho como é maravilhoso poder abrir uma torneira e ter água limpa e tratada, prontinha para você usar (na cozinha, no banheiro, quintal e etc.). E, sim, há quem tenha que viver da forma como descrevi no parágrafo anterior, portanto aprenda também a agradecer por ter água e pagar sua conta.

Eu tenho prazer em poder trabalhar e depois pagar com meu dinheiro por este serviço. Já os impostos que pago sobre estes serviços, estes eu não gosto, mas pelo simples fato dos recursos serem muito mal administrados pelo governo.

O mesmo princípio vale para a energia elétrica, internet, telefone, cartão de crédito e etc.. Ao reconhecer o papel destes serviços em sua vida e usá-los com responsabilidade, dentro de sua realidade financeira, eles facilitarão sua vida e farão parte de seu estilo de vida.

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Conclusão

Há um pensamento associado a Mahatma Ghandi que diz que seus pensamentos geram palavras, que geram atitudes, que geram hábitos, que geram valores, que, por fim, se tornam o seu destino. Então, cuide bem da sua mente, afinal ela é o ponto de partida e o fim ao mesmo tempo! Até a próxima!

Foto “open minded”, Shutterstock.

Conrado Navarro
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