dinheirama-post-mesada-acabou-filho-quer-maisFlávia pergunta: “Bernadette, eu estou um pouco perdida em relação à mesada do meu filho. É muito comum ele gastar todo o dinheiro recebido e vir me pedir mais e eu acabo cedendo… Com isso ele acaba recebendo um valor mais alto que minha outra filha! Como posso conduzir essa situação? O que fazer para não ceder nesse sentido?” 

Recebo muitas perguntas nesse sentido, sua dúvida é a de muitos pais. A mesada é instrumento eficaz de Educação Financeira, mas para isso não basta entregar uma quantia de dinheiro aos filhos.

Precisamos orientar e acompanhar como ele faz o uso desse recurso. Pense em como você orienta seu filho nesse sentido. É importante conversar com ele sobre onde pretende gastar, sobre a importância de guardar uma parte para realizar algum sonho, sobre a diferença entre querer, precisar e ter que comprar agora.

Entendo perfeitamente que como pais a emoção fala mais alto, mas meu conselho é para que você conduza essa situação de outra maneira. Quando for dar a mesada, combine com ele e deixe claro que você não irá dar mais dinheiro caso ele estoure o orçamento.

Essa conduta será muito importante para a formação dele como consumidor consciente, entende?  Com a mesada, a criança começa a entender os limites, como trabalhar a tolerância à frustração e aprenderá a gerir esse pequeno recurso. Pouco a pouco aprimorará sua inteligência financeira e no futuro saberá lidar com valores maiores.

O fato é que você precisa aguentar firme e não ceder. Lembre-se que você está no comando da formação desse filho e nossos pequenos precisam de limites! Ele poderá ficar bravo, triste, bater porta, mas quando estiver mais maduro será capaz de compreender sua atitude e será grato por isso. Tudo conduzido com carinho, acompanhamento e clareza nas explicações.

Insisto na questão dos limites e do não pedagogicamente contextualizado. Explicações e paciência são sempre as condutas mais adequadas nesses momentos. Conheço muitos adultos com dificuldades em administrar seu salário e frequentemente pedem adiantamento, os famosos “vales”.

Outros extrapolam nas compras, usam mais de um cartão de crédito ou entram no cheque especial. Aprender a lidar com essas questões na infância contribuirá para que na vida adulta se use o dinheiro com mais equilíbrio e inteligência.

É importante você analisar a situação como um todo. Será que ele sabe lidar bem com o tempo? Talvez um mês inteiro para administrar a mesada seja ainda difícil, perde-se a noção e gasta tudo. Uma sugestão é o uso da semanada, assim ele aprenderá a trabalhar com valores menores em tempos menores.

Um ponto interessante é entender a diversidade humana. Cada um de seus filhos já apresenta um perfil e uma forma de lidar com o dinheiro. Uns precisam ser acompanhados mais de perto, outros uma explicação basta.

Pense que no momento em que você estiver colocando limites e educando financeiramente seu filho, estará também sendo justa com sua filha.

A situação trazida pela leitora Flávia é mais comum do que pensamos! Assim, a dúvida dela poderá ser a sua também e essa interação é importante para que todos nós aprendamos a trabalhar melhor essas questões.

Use o espaço abaixo para fazer sua pergunta ou sugerir temas para os próximos artigos. Abraço e até mais!

Foto “girl demanding money”, Shutterstock.

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