O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, em entrevista para a Rádio Estadão, afirmou nesta sexta-feira (1), que “não há pacote de bondades” concedido pelo governo do presidente em exercício, Michel Temer. Meirelles afirmou que todas as iniciativas aprovadas nos últimos dias, responsáveis por elevar as despesas do governo, faziam parte do planejamento e estavam previstas na meta de resultado primário, que é de um déficit de R$ 170,5 bilhões.

Desde que assumiu em 12 de maio, Temer concedeu medidas que já somam cerca de R$ 125,4 bilhões em gastos e renúncias fiscais – com impactos já neste ano e até 2018. Isso inclui o reajuste do Bolsa Família e a liberação de recursos para a educação básica de Estados e municípios.

O ministro reafirmou que a meta é realista e lembrou que os reajustes de servidores, por exemplo, foram acertados ainda no governo da presidente afastada, Dilma Rousseff. Essas propostas também têm potencial para impactar as contas públicas.

“Esses acordos já estavam previstos (na meta) e se enquadram no teto (de gastos). Esses aumentos estarão sujeitos ao teto, ou seja, comporão essa regra”, destacou Meirelles.

Ministros defendem elevação dos gastos

De acordo com o jornal Folha de São Paulo, incomodado com críticas de que está desrespeitando o ajuste fiscal, o presidente interino, Michel Temer, determinou a três ministros que rebatessem afirmações de que o governo está gastando mais e abrindo mão de receitas.

Os ministros Henrique Meirelles (Fazenda), Eliseu Padilha (Casa Civil) e Dyogo Oliveira (Planejamento) se juntaram nesta quinta (30) para dizer que o Orçamento e a meta fiscal de 2016 já comportam, por exemplo, os reajustes do Bolsa Família e do funcionalismo público e a renegociação da dívida dos Estados.

“Os aumentos concedidos são, de um lado, já previstos no Orçamento e na meta para 2016 e, de outro, consistentes com a previsão de teto nos anos seguintes”, disse Meirelles. O mesmo discurso, foi feito durante entrevista à Radio Estadão, conforme mencionado na notícia acima.

“Não há nenhuma contradição. Contradição zero”, afirmou Padilha.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), também minimizou o impacto fiscal da aprovação do reajuste para o Judiciário e do programa Bolsa Família. Renan afirmou que, apesar da crise econômica, há espaço para esses aumentos.

Real dispara e Banco Central deverá intervir no câmbio

Banco Central voltará a intervir no câmbio nesta sexta (1), depois de mais de 40 dias. De 18 de maio, quando as operações do BC foram interrompidas, até esta quinta (30), a moeda brasileira foi a que mais se valorizou no mundo, consideradas as 16 principais divisas: 9,82%.

O rand sul-africano, que ficou em segundo lugar, subiu bem menos: 6,83%.

O BC anunciou que fará um leilão de “swap” cambial reverso de US$ 500 milhões. Esse instrumento equivale à compra de moeda no mercado futuro, ou seja, contribui para elevar a demanda por dólar e segurar a sua queda.

O dólar mais barato reduz a inflação, mas, por outro lado, prejudica exportações e afeta as contas externas.

Como o mercado de câmbio é muito volátil, consultores recomendam que quem vai precisa de dólar compre aos poucos ao longo de um período de tempo.

Mercado financeiro

Após a tensão no início da semana com a possível saída do Reino Unido da zona do Euro, os mercados se acalmaram ao redor do mundo. No Brasil, a valorização do Real é um dos assuntos que deverão tomar conta do noticiário econômico.

O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores de São Paulo, as 11h40 opera em alta de 0,95% com 52.018 pontos, enquanto o dólar sobe 0,54%, negociado a R$ 3,23.

Foto: Lula Marques / AGPT / Fotos Públicas 

Redação Dinheirama
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