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Morgan Stanley vê “queda potencial” nos lucros das big techs

Além disso, o banco alerta que os ativos tradicionais de 'porto seguro' podem não ser tão seguros quanto antes

por Gustavo Kahil
3 min leitura
Mercados Urso Big Techs
(Imagem: ChatGPT/ Dinheirama)

O índice S&P 500 (SPXUSD) encerrou o primeiro semestre de 2024 com uma sequência de novos máximos históricos, com uma alta de 15% ao final de junho, marcando o 12º melhor início de ano desde 1950. Historicamente, grandes primeiros semestres para o mercado de ações muitas vezes resultam em ganhos adicionais, especialmente em anos de eleições presidenciais nos EUA, avalia o Morgan Stanley.

No entanto, no segundo semestre do ano, o Comitê de Investimento Global do banco acredita que investidores excessivamente otimistas podem estar ignorando alguns riscos importantes. “As avaliações das ações estão elevadas segundo os padrões históricos, com preços a 21 vezes os lucros futuros esperados”, aponta Lisa Shalett, chefe de investimentos e de gestão de riquezas do banco de investimentos, em um relatório publicado nesta quarta-feira (3).

O índice S&P 500 é dominado pelas 10 maiores empresas, que representam cerca de 35% de sua capitalização de mercado.

Embora se espere que essas empresas, conhecidas como “Magnificent 7”, registrem ganhos de lucro significativos no segundo trimestre de 2024, estrategistas do Morgan Stanley acreditam que o crescimento dos lucros pode desacelerar substancialmente nos próximos seis trimestres. “Essa desaceleração representa um risco significativo para investidores com exposição considerável a essas ações”, alerta Shalett.

“Os investidores otimistas podem estar ignorando os principais riscos, incluindo as elevadas valorizações das ações e uma redução potencial dos lucros das grandes empresas de tecnologia”, ressalta ela.

As condições atuais do mercado também são preocupantes. O prêmio para investir no índice em relação aos títulos do governo dos EUA é baixo, apenas 39 pontos-base, e os dividendos são baixos em relação aos preços das ações, cerca de 1,3%. “A complacência dos investidores é elevada, com volatilidade de apenas 7,7% contra a média de 25 anos de mais de 16%”, observa Shalett.

E o porto seguro?

Nesse cenário, o Morgan Stanley sugere que os investidores considerem estratégias defensivas em suas carteiras, focando em investimentos menos sensíveis à volatilidade. No entanto, o desafio reside em identificar quais ativos podem realmente ser considerados defensivos no contexto atual. “Os ativos tradicionais de ‘porto seguro’ podem não ser tão seguros quanto antes”, destaca Shalett.

Por exemplo, os títulos do Tesouro dos EUA enfrentam dificuldades contínuas, mesmo com possíveis cortes nas taxas de juros do Federal Reserve. “Esses ganhos estão ocorrendo principalmente entre os títulos de curto prazo, enquanto as dívidas e déficits federais em crescimento provavelmente continuarão pressionando os títulos de longo prazo”, explica Shalett.

Além disso, a força do dólar em relação a outras moedas já parece extrema, limitando o potencial de ganhos adicionais. “O iene japonês está em seus níveis mais baixos em relação ao dólar desde 1986, e o euro pode ser vulnerável a crises políticas na França”, adverte Shalett.

Os setores tradicionalmente defensivos, como bens de consumo básicos, também enfrentam desafios. A deflação pode pesar nas margens de lucro, e a adoção de medicamentos para perda de peso pode levar a um declínio estrutural na demanda por alimentos e bebidas. “Essas mudanças estruturais representam desafios significativos para empresas de bens de consumo”, afirma Shalett.

Empresas imobiliárias e de serviços públicos, embora historicamente defensivas, também enfrentam incertezas. As previsões de lucros para esses setores pressupõem melhorias significativas nas margens, algo que não é garantido. “Os investidores precisarão diferenciar as perspectivas para empresas individuais dentro desses setores”, sugere Shalett.

Stock picking

Diante dessa dinâmica, a Morgan Stanley recomenda a seleção ativa de ações, focada na capacidade das empresas de cumprir objetivos de lucros realistas.

“Os investidores devem buscar crescimento a um preço razoável em setores como cuidados de saúde, indústrias, aeroespacial e defesa, geração de energia selecionada, infraestrutura de rede, finanças e REITs residenciais”, aconselha Shalett.

Além disso, oportunidades de investimento no Japão, ouro, fundos de hedge e crédito com grau de investimento são considerados opções defensivas viáveis. “Essas alternativas podem oferecer um equilíbrio de crescimento e proteção contra a volatilidade do mercado”, conclui Shalett

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