Um dos motivos que mais atrai a atenção das pessoas em relação a investimentos no mercado financeiro é a possibilidade de viver única e exclusivamente desta atividade e, consequentemente, conquistar independência financeira e qualidade de vida.

Um desejo subjetivo, que logo ganha corpo através de definições como: não ter chefe nem empregado; trabalhar de casa e de pijama; possuir flexibilidade de horário; poder trabalhar de qualquer lugar do mundo desde que tenha uma boa internet; obter boa renda financeira; e eventualmente gozar deste status e ostentá-lo nas redes sociais (por que não, né?).

Desejos mais que plausíveis e naturais (inclusive a busca por aprovação social nas timelines mundo a fora). Contudo, como o brasileiro não está habituado a investir, é comum encontrar alternativas “disfarçadas” de bolsa de valores, e como não gosto de enrolação, vamos dar logo nome aos bois!

Diariamente eu recebo dúvidas sobre Forex, Opções Binárias e Trading Esportivo, e embora eu seja um apaixonado por especulações financeiras, farei aqui o papel de advogado do Diabo. Nem vou me dar o trabalho de explicar sobre o que se trata cada um destes ambientes de negociação, pois até o fim deste texto isto vai fazer sentido.

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São mercados que muitas vezes se apresentam sem risco, com grandes possibilidades de altos retornos e simples de se investir (dá para usar até cartão de crédito, veja só!). Parece bom demais para ser verdade, porém, antes mesmo de julgar a veracidade destas informações, eu acho importante apontar três fatos relevantes:

1. Se for fraude, você não tem a quem recorrer no Brasil

Estes mercados não são regulados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a entidade vinculada ao Ministério da Fazenda que é responsável pelo desenvolvimento, regulação e fiscalização do mercado de Valores Mobiliários por aqui.

E a legislação é bem clara: “…a intermediação de valores mobiliários no mercado brasileiro só poderá ser realizada por instituições financeiras autorizadas a operar pelo Banco Central do Brasil…” (clique neste link para acesso completo).

Ah, mas certamente você já ouviu dizer que lá fora é um mercado regulado, certo? Sim, lá fora existem empresas sérias e você tem a quem recorrer. Na gringa, sim; no Brasil, não. Aliás, “lá fora” a maconha e outros produtos ilícitos podem ser comprados em muitos estabelecimentos com a autorização dos órgãos locais. Mas aqui é o Brasil.

2. Estes mercados não possuem central de custódia e liquidação de ativos

E o Kiko? Apesar de burocrático, a grosso modo este órgão, muitas vezes integrado ao sistema financeiro do país, é responsável por registrar e liquidar financeiramente as operações realizadas no mercado.

No Brasil este papel é desempenhado pela CETIP, que através da centralização dos processos dificulta a intervenção de fraudes no sistema. E como estes mercados alternativos não possuem uma “Cetip”, é comum terem brechas para as mais diversas falcatruas (veja algumas aqui), ainda que existam empresas sérias neste nicho. No fim das contas, em termos tecnológicos, muitos destes canais não se diferenciam de um site de apostas.

3. Investir usando o cartão de crédito pode ser perigoso

Eu também adoro comprar com cartão de crédito, pois isso gera milhas com as quais viajo “de graça” todo ano, mas quando a questão é investimento o buraco é mais em baixo. O problema é que quando se faz um aporte usando o cartão de crédito, não é possível identificar o investidor e isso por si só geraria uma complicação perante a Receita Federal.

Imagine só: eu coloco R$ 500,00 através do meu cartão de crédito e dias depois recebo em minha conta 100 vezes este valor, fruto das minhas especulações bem-sucedidas num ambiente de confiabilidade duvidosa (se isso não tem nada a ver com lavagem de dinheiro, mudo meu nome para Bozo, ok?).

E depois as pessoas não entendem porque os sites de aposta online não podem ser regulados… E entendem menos ainda quando eles somem do nada, levando o dinheiro delas. No mais, como eu não pretendo negociar nestes mercados, a minha opinião a respeito disto fica por aqui.

Mas, então, por onde começar a investir se sentindo seguro e respaldado? Isto é assunto para outro texto, que prometo postar na semana que vem! Forte abraço e até lá!

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Foto “Trading online”, Shutterstock.

Caio Sasaki
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