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Mudança de comportamento financeiro: missão impossível?

por Bernadette Vilhena
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Mudança de comportamento financeiro: missão impossível?O cartão de crédito estourou? Os cheques sem fundo são uma rotina? O salário está comprometido com empréstimos consignados? O cheque especial sempre é usado como adicional de salário? As prestações do carro novo estão atrasadas? Os carnês de prestação duram mais que o produto adquirido? Infelizmente, é muito comum esses “desastres” financeiros acontecerem.

O caminho para a solução desses problemas passa pela mudança de comportamento financeiro: aprender a gerir melhor seu dinheiro e determinar/respeitar prioridades. Primeiro, o mais importante é colocar as contas no papel, enxugar gastos, eliminar o fútil e traçar metas.

Em situações graves, onde a saúde financeira da família está comprometida, novas formas de agir são exigidas: diminuir o ritmo das compras e das diversões, anotar todas as despesas, programar as compras, manter o diálogo financeiro familiar e talvez “aposentar” temporariamente o cartão de crédito.

Fácil? Não mesmo. Todos sabem sobre a dificuldade da mudança de hábitos e da adoção de novos comportamentos. Quando falamos sobre dinheiro, parece que a mudança fica ainda mais difícil de ser assimilada.

Para entender o processo de mudança
O processo de mudança de comportamento é complexo e requer um grande esforço para que novos hábitos sejam assimilados e tornem-se naturais. Para entender melhor como nós trabalhamos inconscientemente esse momento, a psicóloga Fela Moscovici fala em seus livros e artigos sobre o processo psicossocial das mudanças onde todos nós passamos por determinadas etapas frente a uma situação desafiadora.

Quando somos solicitados a mudar de comportamento, seja por uma boa causa, por uma necessidade do trabalho ou por demandas financeiras contingenciais, acabamos vivenciando etapas. Não temos consciência do processo, mas eles estarão presentes assim que precisarmos sair da nossa zona de conforto. São elas:

  • Desequilíbrio: a mudança chega e com ela uma crise interna onde idéias e dúvidas tomam conta do pensamento. É o momento de instabilidade, onde começo a perceber a necessidade de trilhar novos caminhos;
  • Descongelamento: fase onde se inicia a “desconstrução” de conceitos e hábitos consolidados para dar lugar a novos modos de funcionar. A ansiedade e a motivação aumentam;
  • Incorporação: momento de decisão, pois percebo que a mudança é inevitável. A opção é a aprendizagem e a ação. Os novos comportamentos passam a fazer parte de minha rotina, mas ainda não automatizados;
  • Congelamento: a nova estrutura é interiorizada e com ela a estabilização dos novos comportamentos.

É normal que toda mudança provoque resistência. Algo que é preciso ter atenção é quando não conseguimos percorrer todas as fases psicossociais apresentadas. Muitas pessoas, diante da mudança, acabam estacionadas na primeira fase, onde seus comportamentos radicais os impedem de seguir adiante. Muitas vezes, o medo e a incerteza paralisam.

Outro fato que ocorre é a negação da situação e a esperança de que, magicamente, tudo vai acabar “se ajeitando”. Muita atenção nessas ciladas, principalmente em relação às questões financeiras! Não existe mágica. O que irá trazer a sua tranqüilidade de volta são a coragem para encarar a realidade, a educação financeira e a atitude para assimilar novas formas de comportamento.

Um conselho: antes que a sua relação com o dinheiro chegue a níveis críticos de endividamento, analise sua vida e quais aspectos podem ser melhorados. Garanto que a mudança de comportamento em momentos mais tranqüilos é bem mais fácil de ser assimilada! Experimente.

Boa sorte e até a próxima.

Foto de sxc.hu.

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