Mulheres, finanças pessoais e as liquidações de janeiroO Natal e os votos de “Feliz Ano Novo” se foram, mas as vendas no final do ano aumentaram. Segundo o Serasa, o aumento foi 2,8% em relação a 2007, porém ainda há estoque. Estive no shopping esta semana e me surpreendi com a quantidade de lojas que já iniciaram as tradicionais promoções de verão, que em geral costumavam acontecer nas proximidades do Carnaval. Entendo que são dois os motivos: aproveitar as trocas de presentes do Natal e assim convencer o cliente a comprar mais produtos; e para direcionar o foco do brasileiro para as compras – evitando que ele mire a folia.

Confesso que eu adoro uma promoção e raramente compro roupas e sapatos na época de coleção, época em que os preços estão nas alturas. Mas como lidar com essa oferta abundante de produtos deste ano? Como se convencer de que você não precisa mais de um pretinho básico ou de um novo notebook[bb]? Resistir não é tão difícil assim e é essencial para a nossa independência financeira.

Não adianta postergar essa meta assim como uma conhecida que decidiu traçar metas mais realistas ao começar o programa “Verão 2015” de emagrecimento. Atingir a tão sonhada independência financeira[bb] não é brincadeira e não estamos em condições de esbanjar muito. Vê-se claramente que o mercado de trabalho está retraindo e que as empresas passaram a investir menos – e dá-lhe demissões e férias coletivas. Nossos salários, claro, continuam os mesmos.

Então vamos lá, mãos à obra. Que tal seguir algumas regrinhas básicas para não ceder às tentações?

  • Saiba exatamente o valor da sua renda líquida. Só assim você saberá realmente quanto pode gastar e o quanto deve poupar;
  • Acompanhe com rigidez o valor parcial da sua fatura de cartão de crédito. Guarde os cupons e some o valor a ser pago no vencimento, não ultrapassando os limites. Aliás, para quem ainda não fez o planejamento e não estipulou um valor máximo mensal a ser gasto no cartão, chegou a hora;
  • Não acredite nos vendedores que dizem que você está linda em uma mini saia verde-limão;
  • Ficou em dúvida? Vá dar uma volta e pense se realmente precisa daquilo que viu ou experimentou. Não tema pelo esgotamento do produto na loja, pois, como diria a minha avó, “o que é seu está guardado”;
  • Conheça o seu armário. Você verá que não precisa de tantas coisas assim;
  • Para materiais eletrônicos, repense a necessidade de cada um deles. O mercado tecnológico avança em uma velocidade superior ao de nossas necessidades: quem usa o tocador de mp3 para correr uma hora por dia provavelmente não precisa de um aparelho com 80GB de memória.

Ações simples como estas ajudam você a se policiar. Lembre-se que a oneomania (compulsão por compras) começa com compras aparentemente em quantidade excessiva, mas logo se transforma em um ciclo de gastos altos e impagáveis. Há muitas controvérsias sobre o assunto, já que alguns a caracterizam como um distúrbio obsessivo-compulsivo, enquanto outros a tratam como um vício – que traz prazer momentâneo.

O que importa é que hoje em dia somos bombardeados com novidades e, se não mantivermos o bom-senso, podemos perder o rumo. Se mesmo assim você acabou adquirindo peças desnecessárias ou parecidas com as que já possui, não se acanhe. Corra atrás do prejuízo: ofereça as novidades para as amigas pelo mesmo preço que pagou ou anuncie-as nos sites de leilão on-line. Ainda dá tempo de se redimir.

Escute o podcast da Folha Online, onde Maria Inês Dolci, advogada, coordenadora institucional da Pro Teste e colunista da Folha dá dicas para melhorar a relação com liquidações. Destaco:

“Depois de decidir tudo, reserve uma hora, no máximo, para a compra. Caso contrário, virará um passeio, você verá algo interessante em que não havia pensado, e, zapt, lá se foi o planejamento das compras. Atenção às falsas liquidações. Aquelas que indicam reduções de 50% no preço, mas que reduziram produtos muito caros. Ou que colocam um valor baixo na vitrine, por exemplo, R$ 50,00, e, em tamanho quase ilegível, dez vezes”.

Portanto, tenha em mente que sem esforço nada funciona. Autoconhecimento e autocontrole, aliados à conscientização de necessidades, são os pontos-chave para conquistas, dinheiro[bb] no bolso e coerência financeira na hora de gastar.

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Mariana Prates é economista pela PUC-SP e pós-graduanda em Administração de Empresas pela FGV. Trabalha em precificação de Empréstimo em Folha e adora fazer planejamento financeiro para amigos e familiares.

Crédito da foto para stock.xchng.

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