Chegamos a mais uma de nossas colunas semanais sobre mundo digital, tecnologia e empreendedorismo.

Nosso destaque é a confirmação da data de lançamento da “Netflix da Apple” em março.

Apple anunciará seu serviço de streaming em março

O serviço de streaming de vídeo da Apple, que deve competir com Netflix e Amazon, deve ser anunciado no próximo dia 25 de março. Segundo a Bloomberg, a companhia já convidou para o evento de lançamento as atrizes Jennifer Aniston, Reese Witherspoon, Jennifer Garner e o diretor JJ Abrams. O serviço chegaria aos usuários na metade do ano.

O serviço teria conteúdo original produzido pela Apple e seria integrado ao app da Apple TV, já disponível no iPhone, iPad e Apple TV. Além da assinatura, cujo valor ainda não foi revelado, parte da programação poderia ser acessada gratuitamente. Hoje em dia, a Apple já oferece programas originais como “Carpool Karaoke” e “Planet of the Apps.”

O novo serviço também permitia a compra de assinatura para outros serviços de streaming, como o Starz, da Lions Gate; o Showtime, da CBS, e a Viacom. Ainda não está claro qual será a disponibilidade por país de todos esses serviços – no Brasil, a maioria deles não está disponível.

O lançamento ocorreria no mesmo dia do anúncio do serviço de assinatura de notícias, que vem causando polêmica junto aos produtores de conteúdo pela agressiva taxa de 50% recolhida pela Apple. A Bloomberg especula que a Apple pode juntar os serviços de vídeo e notícias num pacote maior, como a Amazon faz com o Prime.

Uber recebe US$ 50 bi em corridas em 2018, mas ainda tem prejuízo bilionário

O Uber registrou US$ 50 bilhões (R$ 185 bilhões) em corridas em seus serviços de transporte de passageiros e entrega de comida em 2018, um indicativo do tamanho e alcance global da empresa enquanto se prepara para atrair investidores para uma das maiores ofertas públicas iniciais de ações da história.

Mas os números divulgados pela companhia na sexta-feira (15) mostraram que a receita subiu apenas 2% no quarto trimestre, um sinal de que a empresa continua a subsidiar corridas em mercados disputados e que levanta dúvidas sobre as possibilidades de crescimento.

A receita anual do Uber em 2018 foi de US$ 11,3 bilhões (R$ 41,8 bilhões), alta de 43% sobre o ano anterior. O prejuízo antes de impostos, depreciação e outras despesas foi de US$ 1,8 bilhão (R$ 6,66 bilhões) ante US$ 2,2 bilhões (R$ 8,14 bilhões) de resultado negativo em 2017.

A companhia ressaltou o número de corridas de 2018, que representou uma alta de 45% sobre 2017.

Em dezembro, o Uber fez um pedido confidencial de oferta pública inicial, que pode ocorrer já no segundo trimestre deste ano. A empresa está correndo com a rival Lyft para promover o primeiro IPO de uma empresa de transporte urbano por aplicativo.

“Ano passado foi nosso mais forte até agora e o quarto trimestre marcou outro recorde”, disse o vice-presidente financeiro do Uber, Nelson Chai.

A companhia afirmou que as corridas brutas no quarto trimestre somaram um recorde de 14,2 bilhões (R$ 52,5 bilhões) de dólares, alta de 11% sobre o trimestre anterior. A receita no quarto trimestre alcançou US$ 3 bilhões (R$ 11,1 bilhões), altas de 2% sobre o terceiro trimestre e de 24% na comparação anual.

“O Uber precisa mostrar que pode controlar custos e fazer dinheiro, basicamente precisa fornecer um forte argumento de que seu modelo de negócios não é falho e que pode conseguir lucratividade sustentável apesar das questões com motoristas, clientes e políticos”, disse David Brophy, professor de finanças da Escola de Negócios Ross, da Universidade de Michigan.

A intensa competição com rivais ao redor do globo tem mantido as contas do Uber no vermelho. A empresa compete na Índia contra a Ola, na América Latina contra a chinesa Didi Chuxing e no Oridente Médio contra a Careem, que têm pressionado o grupo norte-americano a reduzir preços de corridas, aumentar pagamentos a motoristas e investir pesado em marketing e recrutamento.

O Uber Eats também tem brigado em uma indústria lotada de concorrentes, o que tem forçado a empresa a dar descontos para competir com empresas como a startup DoorDash, que está no processo de levantar US$ 500 milhões (R$ 1,8 bilhão) junto a investidores e é avaliada em US$ 6 bilhões (R$ 22,2 bilhões), e a Postmates, que fez neste mês um pedido para IPO.

O Uber não tem planos para desacelerar investimento no Uber Eats ou em outras áreas custosas como direção autônoma para mostrar que consegue ter lucro. O prejuízo da companhia antes de juros, impostos e depreciação disparou no quarto trimestre para US$ 940 milhões (R$ 3,4 bilhões), altas de 43% sobre o trimestre anterior e de 21% na comparação com 2017.

Spotify investe em podcast para ir além da música e virar líder em áudio

O Spotify, maior companhia de streaming de música do mundo, quer se tornar, também, o líder global de streaming de áudio.

A companhia sueca está adquirindo duas empresas de podcasts, em um movimento para acelerar seu investimento em conteúdo não musical e também ganhar o público do rádio.

A empresa, que é a segunda maior plataforma para podcasts, anunciou que comprará a Anchor para expandir sua presença em outros segmentos do mercado de áudio. Também vai adquirir a Gimlet Media, criadora de um app para podcasts.

Os planos de aquisição surgem no momento em que o Spotify obteve seu primeiro lucro operacional, conquistado no quarto trimestre do ano passado.

Daniel Ek, presidente-executivo da marca, disse que o resultado valida a estratégia da empresa. “Podemos considerar essa questão como resolvida e declarar que o modelo funciona”, afirmou em entrevista.

“Dissemos que éramos capazes de sair do vermelho e o fizemos, e com isso podemos voltar ao investimento”, acrescentou o executivo.

Os termos das transações não foram revelados, mas pessoas informadas sobre o assunto disseram que a Anchor foi avaliada em mais de US$ 150 milhões (cerca de R$ 560 milhões), e a Gimlet, acima dos US$ 200 milhões (R$ 740 milhões).

As informações do Spotify aos investidores indicam que a empresa planeja gastos pesados.

Ela quer realizar mais aquisições no ramo dos podcasts e planeja investir até US$ 500 milhões (mais de R$ 1,8 bilhão) em múltiplas transações neste ano.

A Gimlet, cofundada em 2014 por Alex Blumberg, ex-produtor do programa de rádio This American Life, e por Matthew Lieber, que foi consultor no Boston Consulting Group, produz podcasts populares nos Estados Unidos, como Reply All, StartUp e The Nod (The Wall Street Journal tem uma parceria de conteúdo com a Gimlet).

A Anchor, fundada em 2015, criou um app cujo objetivo é simplificar a produção e a distribuição de podcasts e ajuda os criadores a ganhar dinheiro com eles. A empresa diz hospedar 40% dos novos podcasts do planeta.

O Spotify planeja fazer no ramo dos podcasts o que fez no da música, oferecendo curadoria, personalização e serviços de recomendação, além de desenvolver ferramentas para podcasters e recolher dados para eles.

Ek disse que é provável que em dez anos o Spotify continue a ser identificado como uma companhia de música, mas traçou paralelos com o rádio, ao falar das ambições da empresa no mercado de áudio.

“As pessoas ouvem música, predominantemente”, disse. “Mas os podcasts intensificam a experiência.”

Ainda que podcasts possam ser mais lucrativos que a música para o Spotify, Ek disse que a expansão para essa mídia envolve primordialmente estender o apelo do serviço e ganhar dinheiro com a participação de mercado que pode ser conquistada nas duas horas ao dia que as pessoas dedicam a ouvir rádio no mundo.

Ek estima que o vídeo comande um mercado de US$ 1 trilhão, ante US$ 100 bilhões para os mercados de música e rádio combinados.

“A questão que sempre me pergunto é: ‘Será que os olhos valem mesmo dez vezes mais que os ouvidos?’. E não acho que isso seja verdade”, disse. “Se acrescentarmos novas oportunidades de monetização, o setor vai crescer, e essa é a oportunidade.”

O Spotify já distinguiu que os podcasts atraem audiências engajadas. As pessoas que ouvem podcasts passam duas vezes mais tempo usando o serviço e tendem a também ouvir mais música. Isso torna menos provável que cancelem suas assinaturas.

Investir nos podcasts, disse Ek, atrairá número maior desses usuários que antes poderiam não considerar assinar o Spotify.

A empresa por enquanto só vende publicidade em seus podcasts originais e exclusivos, mas disse que existe oportunidade para que comece a colocar publicidade em todos os podcasts.

O Spotify conta com 207 milhões de usuários mensais ativos, pouco acima de sua projeção de 206 milhões para o período. Segundo a empresa, 96 milhões deles são pagantes, o que acompanha suas projeções.

Redação Dinheirama
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