Chegamos a mais uma de nossas colunas semanais sobre mundo digital, tecnologia e empreendedorismo.

Nosso destaque é a informação de que o desafio dos 10 anos seja uma forma para treinamento dos sistemas de reconhecimento facial.

Desafio dos 10 anos pode ajudar a treinar sistemas de reconhecimento facial

Nos últimos dias, a internet foi tomada por uma nova moda: o desafio dos 10 anos – ou melhor, #10yearchallenge. Nele, usuários de rede sociais devem postar uma selfie ao lado de uma imagem feita em 2009. A brincadeira se espalhou entre brasileiros e celebridades do mundo todo – e parecia mais uma onda inofensiva até a especialista em tecnologia Kate O’Neill levantar uma bandeira amarela: o desafio pode ajudar o Facebook a treinar seu sistema de reconhecimento facial.

Com uma foto antiga e uma recente, os sistemas da rede social poderiam entender o padrão de envelhecimento de seus usuários. Além disso, ao usar a hashtag que dá nome ao desafio, as pessoas ajudam a empresa a estruturar dados – em vez de buscar essas imagens entre muitas outras publicadas todos os dias, como agulhas num palheiro. O Facebook negou que se beneficie de alguma forma com a brincadeira. “Os usuários podem ativar ou desativar o sistema de reconhecimento facial a qualquer momento”, alegou ainda a empresa. A companhia de Mark Zuckerberg acrescentou ainda que não tem nenhum envolvimento com o surgimento do desafio – em outras palavras, é um viral da internet.

A “isenção” do Facebook não diminui o fato de que o desafio, pode de fato, contribuir com a tecnologia da empresa. Um sistema de inteligência artificial de reconhecimento de imagem precisa ter muitas fotos para se tornar preciso. Quanto mais exemplos, melhor ele será – e hoje, os mais de 2,27 bilhões de usuários do Facebook, bem como o 1 bilhão que está no Instagram, fornecem diariamente fotos e vídeos para a empresa. “Com poucas fotos, o modelo fica ‘pobre’”, afirma Fernando Osório, professor e pesquisador de inteligência artificial da USP. “Mas uma coleção só não adianta: ela precisa ser identificada, etiquetada, para que o computador entenda a diferença entre cada imagem.”

O próprio Facebook já admitiu a importância das hashtags para interpretação de imagens por computador. Em maio de 2018, Mike Schroepfer, diretor de tecnologia da empresa, disse que sistemas de visão computacional “dependem quase completamente da curadoria manual”. “Se uma pessoa não identificou algo em sua imagem, os sistemas de visão computacional ainda não conseguem fazer isso sozinhos”, declarou ele, durante a F8, conferência de desenvolvedores da empresa realizada no ano passado. Segundo Schroepfer, ao olhar para imagens com hashtags, a inteligência artificial da empresa ofereceu resultados até 2% superiores do que quando não há etiquetas nas fotos.

Publicamente, a empresa justifica o uso de sistemas de reconhecimento facial em sua plataforma para ajudar a moderação de conteúdo – com eles, seria possível identificar fotos de pornografia, violência explícita, discurso de ódio ou que violem qualquer regra de uso do serviço. No entanto, também são dados que podem ser utilizados pela empresa e seus eventuais parceiros para o futuro, apontam especialistas. “Com duas fotos como as do desafio, o Facebook pode aprender a prever como uma pessoa será quando ficar mais velha, após tanto fazer comparações”, explica o professor da USP.

É um conhecimento que pode ser aplicado a uma série de situações, no futuro, como alterações em planos de saúde ou propagandas personalizadas baseadas em envelhecimento.

Na China, o reconhecimento facial – tecnologia que já está sendo observada pela bancada do PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro – fará parte do sistema de crédito social, que cruza dados de cidadãos para garantir sanções ou benefícios na sociedade, como acesso a crédito e permissão para viagens. Se uma das 200 milhões de câmeras do país flagrar um cidadão fumando em área proibida ou atravessando fora da faixa, por exemplo, a pontuação baixa.  “Não sou contra tecnologias como estas de reconhecimento facial, mas devemos saber o que fazem com os dados que nós fornecemos”, diz Osório.

Conforme o desafio dos 10 anos se espalhou, os posts passaram a não contemplar apenas imagens de pessoas, mas também de artistas, animais e até objetos. Times de futebol, por exemplo, fizeram imagens se gabando dos títulos que ganharam na última década. Já a cantora Anitta quis bancar a ativista – em vez de um retrato seu, publicou imagens de como a natureza foi impactada pela humanidade de 2009 para cá. Mas será que essas informações não atrapalham o sistema do Facebook?

“Hoje, a ferramenta do Facebook já é poderosa o suficiente para descartar essas distorções”, avalia Wagner Meira Júnior, professor do Departamento de Ciência da Computação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). “O reconhecimento facial mais básico tem marcos, como a distância entre os olhos ou o formato do nariz com relação à boca. São elementos que não mudam e são fáceis de serem descartados.”

Gigantes da tecnologia já discutem se o reconhecimento facial deve ser regulado. Brad Smith, diretor jurídico da Microsoft, escreveu em julho do ano passado: “A tecnologia de reconhecimento facial levanta questões que vão ao centro da proteção de direitos humanos, como privacidade e liberdade de expressão.”

A posição do Facebook, porém, não é das mais animadoras. De acordo com o Center for Public Integrity, em 2017, a companhia fez lobby intenso em cinco Estados dos EUA para derrubar regulamentação de reconhecimento facial. Apenas o Estado de Washington acabou aprovando leis de proteção aos cidadãos em relação ao reconhecimento facial. Em julho de 2018, grupos de proteção ao consumidor intensificaram suas ações para dizer que a rede social não é clara o suficiente no pedido de consentimento aos usuários para o uso de ferramentas de reconhecimento facial – rendeu até uma reportagem do New York Times.

A rede social já repetiu diversas vezes que não oferece sua ferramenta de reconhecimento para terceiros, e que ela é usada apenas para segurança e para melhorar a experiência no site. O discurso, porém, lembra aquilo que ela dizia em relação aos dados de usuários, de que não os vendia a ninguém. Em dezembro de 2018, porém, uma série de reportagens do New York Times mostrou que empresas parceiras da empresa, como Netflix e Spotify, tinham acesso gratuito a um grande conjunto de dados da base de usuários do Facebook.

No Google e na Amazon, funcionários se movimentaram para que as empresas restringissem o uso da tecnologia. No ano passado, após pressão de funcionários, o Google desistiu de participar do Projeto Maven, um projeto do governo dos EUA que previa utilizar tecnologia do Google de reconhecimento facial em imagens captadas por drones militares.

A companhia chegou a publicar uma cartilha na qual se compromete a não fornecer tecnologia de reconhecimento facial para fins militares ou de vigilância “não justificáveis”. Objetivos comerciais não foram citados. A empresa disse também que trabalha apenas com detecção de rostos, ou seja, não atribuiu identidade a eles.

O jovem que vendeu o rim para comprar um iPhone e hoje vive preso a uma cama

Preso a uma cama e dependente de uma máquina de hemodiálise, o jovem chinês Xiao Wang sofre até hoje —e sofrerá pelo resto da vida— as consequências de uma decisão que tomou há oito anos.

Na época com 17 anos, Wang queria muito um iPhone, mas sem dinheiro para comprá-lo, decidiu vender um de seus rins.

Morador da província de Hunan, no sul da China, ele contatou uma rede ilegal de tráfico de órgãos sem que sua família suspeitasse. Os traficantes ofereceram US$ 3.000 (R$ 11 mil) por um de seus rins. E Wang aceitou.

Disseram a ele que poderia viver tranquilamente com um rim só e fizeram a operação – cujas condições de higiene e cuidado estavam longe do ideal. Com o dinheiro, Wang comprou um iPhone e um iPad, mas pagou um preço alto.

Sua família só descobriu o caso por desconfiar da origem do dinheiro que ele usou pra copiar os objetos e notar que ele estava com problemas de saúde.

Seus pais denunciaram o caso à polícia, que prendeu nove pessoas e gerou um caso de repercussão internacional. Os médicos e traficantes foram condenados pela Justiça chinesa a penas entre 3 e 5 anos de prisão.

​Mas apesar da condenação e da indenização de US$ 200 mil recebida pela família, as consequências da retirada do rim nunca poderão ser revertidas.

Na clínica ilegal em que Wang fez a cirurgia, ele contraiu uma infecção que levou à falência progressiva de seu único rim restante.

Falha no Twitter expôs publicações protegidas de usuários de Android

O Twitter informou na quinta-feira (17) que um problema expôs publicações de alguns usuários que configuraram seus perfis para serem protegidos. Nessa configuração de conta, apenas os amigos do titular podem ler os tuítes publicados.

A falha afetou apenas pessoas que usam o sistema operacional Android, do Google. Ela desabilitava a configuração “Proteger seus Tweets” a depender de alterações feitas pelo dono da conta.

Redação Dinheirama
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