Nesse momento de constrangimento dos mercados de renda variável em todo o mundo, urge que os investidores tenham cabeça fria. Mas reconhecemos que se torna quase impossível para quem estava alavancado em posições compradas, principalmente em Petrobras que liderou perdas.

Resumimos que é preciso ter critério até para as quedas do mercado. É fato que a situação local e internacional piorou bastante nos últimos tempos, começando pela imposição de sobretaxas nas importações americanas para diferentes países, e especialmente para a China que mantém superávit histórico contra os EUA. Mas Donald Trump foi mais além e incorporou problema com a União Europeia, México e Canadá, via renegociações dos acordos do NAFTA.

Problemas ainda com sanções impostas ao Irã com a detonação do acordo nuclear e rusgas com aliados históricos da Europa por conta disso. Sanções contra a Venezuela e Rússia. Ou seja, muitas frentes de batalha no plano geopolítico, sem falar no “adiamento” (ou suspensão do encontro de cúpula com o ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-Um), cuja liderança militar do país desembarca nos EUA para tentar resgatar a reunião.

Mais problemas no cenário internacional

Ainda no âmbito internacional, sem contar com todos os problemas relacionados ao Brexit, novas discussões assomaram. Dessa feita por moção contra o primeiro ministro da Espanha Rajoy e a não formação de gabinete de governo na Itália. O presidente italiano Mattarella, ficou temeroso de um primeiro ministro eurocético, e como resultante disso o país pode ter que passar por outra eleição já no próximo mês de setembro, de resultado novamente imprevisível. Lembramos que a Itália é a terceira maior economia da região, atravessou graves problemas e tem um sistema financeiro complicado e frágil. A percepção é que o país está mudando rápido do caos para a crise.

Temer, a fragilidade do governo

No segmento doméstico, o recente episódio com os caminhoneiros deixou exposta a fragilidade do governo do presidente Temer e a inação em negociar antecipadamente. Resultado, tiveram que acatar praticamente todas as demandas do setor, para evitar o caos do desabastecimento que já dominava praticamente todo o país. O próprio presidente só tomou as rédeas do processo no quinto dia do movimento.

Ainda que a greve dos transportadores esteja arrefecendo paulatinamente, a situação deixou flancos descobertos que podem ser usados politicamente por outros segmentos organizados fragilizando ainda mais esse resto de mandato antes das eleições. Embaralha ainda mais as eleições e deixa mais fácil discurso apartado do governo de Temer e o surgimento do temido “Salvador da Pátria” com ideias mirabolantes e populistas.

De outra feita, fragiliza os indicadores de conjuntura. É cedo para falar em efeitos sobre a taxa de inflação (temos boa folga em relação a meta), ou mesmo em maior desaceleração do PIB, além da que já vinha ocorrendo. Mas é fato que a convergência do crescimento em 2018 está indo para cerca de 2,0%, com possibilidade de ficar abaixo desse patamar. Se não tínhamos muitos problemas fiscais para 2018 (além do déficit de R$ 139 bilhões), agora parece certo que teremos problemas para fechar as contas do exercício em curso. Destacamos que 2019 é que era o ano mais problemático para fechar o déficit dentro do previsto e para não ferir a regra de ouro.

As perdas no mercado de ações

Enquanto escrevi esse texto,  notamos que no mercado acionário, o segmento Bovespa da B3 acumulou rapidamente perda de cerca de 11.000 pontos do índice em pouco dias, deixou os investidores temerosos e a Petrobras chegou a perder R$ 126 bilhões de seu valor de mercado, com queda de mais de R$ 10, em poucos dias.

Reforçamos que, até o momento, a situação não mudou muito, nem mesmo para Petrobras. Portanto é preciso deixar de lado a emoção e manter a cabeça fria. Para aqueles que acreditam que não haverá caos, é hora de compras progressivas de empresas com boa governança corporativa.

Bons negócios.

Alvaro Bandeira
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