“O desejo não deseja a satisfação; o desejo deseja o desejo”. Essa frase é de autoria de Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, em seu livro “Vida Para Consumo – A transformação das pessoas em mercadoria”.

Aproveito a inspiração do autor e digo, desde já, que consumir é bom, natural, saudável e nos motiva e faz crescer. É a bendita prosperidade, e que seja bem-vinda!

Também é essencial dizer que o consumismo é o nosso calcanhar de Aquiles, nos toma as rédeas emocionais e nos faz muito mal. Aparentemente, isto não deveria acontecer.

Afinal, em princípio estamos comprando algo para nós ou para alguém que amamos, e isto deveria ser sempre bom. Mas não é! Em muitos casos não é; é um sinal no qual devemos prestar muita atenção, principalmente em como nos sentimos após cada compra.

Na linha do que nos traz o Sr. Bauman, citado na epígrafe deste artigo-reflexão, desejamos algo e acreditamos que quando conseguirmos adquirir este algo nos sentiremos plenamente felizes e realizados. Completos…

Apesar dos muitos sacrifícios e dos esforços, muitas vezes, depois que conseguimos comprar o que tanto almejamos, imediatamente não nos sentimos satisfeitos.

Pelo contrário, nos sentimos com um enorme vazio interior e, em vez de buscarmos entender o que este vazio está querendo nos dizer e qual é a origem desta sensação incomoda, não temos esta atitude.

Frequentemente nós voltamos o olhar para o exterior: elegemos desculpas que o nosso ego reclama e até um novo “algo”, que passa a ser o novo objeto dos nossos eternos sonhos de consumo.

Ainda assim, podemos não nos considerar consumistas. Isto porque quando adotamos o comportamento consumista, compramos, compramos, compramos e nem sabemos o porquê do nosso estado de compras. Não temos um objetivo, uma meta, nem um sonho a ser realizado no instante daquele ato de compra.

Talvez seja neste momento que, no dizer do Sr. Zygmunt Bauman, simplesmente, sem perceber, sem dominarmos a situação, nos permitimos ser transformados em mercadoria.

Se formos avaliar a situação sistêmica, estamos, sim, no objetivo, na meta e nos sonhos de quem está vendendo aquela mercadoria que nos seduziu.

E é neste sentido que, literalmente, revelamos o nosso valor, como “mercadoria”, traduzido em números nas vendas de toda a cadeia produtiva e assim contribuímos para diversos índices e estatísticas, como a elevação ou queda de valores das inúmeras empresas, das quais somos clientes, e que estão nas bolsas de valores do Brasil e de outros países.

Com esta reflexão, quem sabe, seja a hora de buscar ajuda profissional, pois este circuito com certeza afeta, negativamente, outras áreas das nossas vidas: saúde física, psicológica, emocional, social e espiritual, que nos fazem adoecer, seja como profissionais, pais, cônjuges, amigos, entre outras áreas fundamentais de nosso sistema de vida.

Estas áreas estão plenamente representadas pela Roda da Vida, que foi tema de um artigo publicado aqui no Dinheirama em 2012 (clique para ler).

E vale dizer que o consumismo, assim como as compulsões por drogas, álcool, sexo, comida, jogos, internet e tantas outras, tem sido causador de muitas tragédias, destruindo famílias e pessoas em nossa sociedade.

Esta compulsão por compras é considerada uma doença pelos especialistas em saúde e seu nome é oniomania: onê, em grego, significa compra + mania, comprar muita coisa ainda que seja desnecessário.

Por isto, não devemos perder o nosso tempo de vida e agir para termos de volta nossa vida saudável e próspera.

Quem decidir mudar pode encontrar muitas formas de tratamento, sejam gratuitos ou pagos, que engloba ajuda de profissionais, clínicas especializadas e até grupos anônimos, no estilo dos tradicionais grupos de AA (Alcoólatras Anônimos).

Além disso, encontrará também farto material de consulta e conhecimento, seja em programas de rádio, televisão, revistas, livros e sites, que têm beneficiado muitas pessoas.

Cuide-se! Faça seus próprios planos e os execute. Tome a sua vida em suas próprias mãos. Você merece!

Foto “Sad man”, Shutterstock.

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