Pensar nas pessoas, suas atitudes, no mundo é pensar em contradição, contrariedade, duplos ou múltiplos sentidos para as mesmas coisas, sempre dependendo da ocasião ou dos interesses envolvidos.

Quantas vezes você ouviu diferentes versões para a mesma “verdade”? Já notou que a história muda quando muda o narrador? Que a verdade não é absoluta e depende de interpretação? Que, infelizmente, contra fatos há argumentos e que nem sempre os números não mentem?

Pois é, nossa natureza é assim. Dissimular faz parte da sobrevivência humana e alteramos a verdade conforme nossa conveniência. Todos só enxergam o que querem ver e cegam para aquilo que não lhes interessa. Os defeitos alheios são tão claros quanto nossas qualidades.

E como resolver esse impasse? Uma terceira pessoa? Deixar seu dinheiro nas mãos dos outros? Nesse momento você cria outro problema: essa terceira pessoa também tem seus interesses e sua versão da verdade. O resultado dessa confusão é o mundo em que vivemos.

Um exemplo prático: criaram a tal lei da tolerância zero com aqueles que consomem bebidas alcoólicas e dirigem. Qual o único método de provar que um motorista está bêbado em flagrante? O teste do bafômetro.

Porém há um princípio jurídico amplamente aceito de que nenhum cidadão pode ser “obrigado a produzir provas contra si mesmo”. E aí o que acontece? A nova lei que poderia salvar milhares de vidas não é tão eficiente, pois “sempre há um porém”.

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O motorista que se recusa fazer o teste não é preso (caso tenha ingerido álcool); sua CNH é apreendida junto com seu veículo. Muito pouco, já que sabemos que no país do “jeitinho” ele irá reaver sem maiores problemas tanto um quanto outro rapidamente.

Com certeza a lei não interessava a alguém poderoso e se criou uma brecha. O pior de tudo isso é que ninguém sente vergonha em se contradizer em benefício próprio; o vento leva palavras e arquivos sempre podem ser queimados.

Sou muito simpático aos Estados Unidos e aos americanos, nunca escondi isso de ninguém. Porém, como todo império, americanos são os campeões do contrassenso. Assim como o Brasil, os EUA são uma terra construída por imigrantes, para imigrantes. Os únicos americanos originais são os índios.

Porém, os americanos combatem a imigração como os romanos combatiam os “bárbaros”. O mais engraçado de tudo é que uma grande parcela dos oficiais de imigração são latinos imigrantes; dominicanos, guatemaltecos, mexicanos, costa-riquenhos, haitianos; são os perseguidos no papel de carrascos de seus semelhantes.

Com tudo isso fica fácil entender porque deixar nossas finanças e nossa sorte nas mãos de terceiros é algo perigoso, para dizer pouco. Dependemos de muitas coisas que vão além de nosso esforço; dependemos do bom senso alheio, algo que definitivamente o ser humano não tem.

Já ouviu a expressão “o gado só engorda sob os olhos do dono”? Então não tire os olhos de seu rebanho! Um abraço e até a próxima!

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Foto “Challenge”, Shutterstock.

Renato De Vuono
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