Diz o ditado popular que “não há mal que sempre dure, e nem bem que nunca acabe”. Nossos leitores lembram que no pior momento atravessado pelos mercados de risco doméstico, nós analisamos que bastaria uma breve melhora do ambiente local e externo para que os mercados voltassem a reagir.

Passamos uma fase completamente obscura na semana passada com fortes ruídos políticos. Houve até questionamentos se teríamos uma reforma da Previdência. Falou-se ainda que Bolsonaro poderia sofrer processo de impeachment. E o próprio presidente lembrou disso, quando mencionou a possibilidade de ferir a regra de ouro em função do buraco fiscal, com o ministro Paulo Guedes pleiteando aprovação de verba suplementar de R$ 248 bilhões na Comissão Mista do Orçamento (CMO).

Só para lembrar, a regra de ouro impede que o governo se endivide para cobrir gastos correntes e é efetivamente motivo para abertura de processo de impeachment.

Brigas entre os três poderes foram frequentes nas últimas semanas. O presidente ficou sem falar com Rodrigo Maia, presidente da Câmara, e maior propagandista da Reforma da Previdência. Outros problemas foram destaques, como o filho de Bolsonaro pressionado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro com quebra de sigilo e notas fiscais. Oposição crescendo e oposição também nas bases do governo e até no partido do presidente o PSL. Mais ou menos como diz aquele outro ditado que “casa onde falta o pão, todos gritam e ninguém tem razão”.

Aparentemente, esse ápice do desentendimento acabou sendo positivo e atualmente todos parecem se empenhar para acabar com as discussões, disputas e veleidades pessoais. O presidente do STF falou em constituição mais enxuta e menor judicialização, Rodrigo Maia e Alcolumbre se empenham na aprovação da reforma da Previdência e outras votações. Como a MP (medida provisória) 870 que extingue ministérios e coloca o COAF embaixo do ministério da Justiça.

O presidente Bolsonaro depois de escorregar criticando o Legislativo, se recuperou e passou a elogiar. Seus filhos sumiram um pouco de cena e o tido como “guru” Olavo de Carvalho declarou que não falará mais sobre o Governo Bolsonaro.

Temos que acreditar que a situação de uns dias para cá melhorou bastante, mas acreditamos que ninguém pode prever qual será a duração. Preferimos ficar como dizia o nosso poetinha Vinicius de Moraes com seu “que seja eterno, enquanto dure”.

Bolsonaro decidiu não participar das manifestações marcadas para o próximo domingo, dia 26 de maio. O que poderia agregar constrangimentos e paralisar a economia e reformas. Não é legal que governos patrocinem movimentos que sejam contra instituições, ainda que em alguma medida haja razão. O movimento pode enveredar por esse caminho perigoso de confrontar.

Melhora constatada no ambiente interno, restou o setor externo e seus problemas, aliás variados. Trump sempre fazendo das suas. Em campanha de reeleição (o que acirra ânimos), mostrou que as disputas com a China versam mais sobre hegemonia tecnológica, do que relações comercias.

Sempre lembramos que esse era o principal motivo, que ficou claro na semana passada (de 13 a 17 de maio) com as restrições impostas à gigante chinesa de tecnologia Huawei. Que foram seguidas de imposições para que o Google impedisse a empresa de utilizar a plataforma Android em seus celulares. Trump teve que voltar atrás e adiar implantação por noventa dias, pois até este prazo, é possível que chineses e americanos tenham chegado ao almejado acordo que o mundo todo espera.

Restam outras situações como o aumento da tensão entre EUA e Arábia Saudita contra o Irã e, principalmente o tema recorrente do Brexit. Com a primeira ministra, Theresa May, podendo rejeitar seu novo projeto de Brexit, a saída do Reino Unido sem acordo com a União Europeia e a convocação de eleições gerais.

Tudo causa grande estresse nos investidores em todo o mundo e tem sido o motivo da grande volatilidade dos mercados e instabilidade das moedas. Porém, na nossa visão, o cenário ainda tem potencial conflituoso, com desaceleração da economia global, elevado endividamento de governos e empresas e países desequilibrados. Não só emergentes, mas outros como a Itália, além de movimentos anti stablishment em diferentes países.

Mas é como analisamos, basta uma pequena melhora nos ambientes que os mercados logo recuperam boa parte das perdas. Só para exemplificar, a Bovespa chegou a perder cerca de 10.000 pontos de seu índice em poucos pregões, mas recuperou 5.000 pontos em apenas duas sessões.

Alvaro Bandeira
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