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Nem só de IPCA + 6% a.a. e CDI vive uma boa carteira

As carteiras de institucionais que atravessaram décadas com bons resultados tem renda fixa, mas sem jamais deixar a renda variável

por Ricardo Figueiredo
3 min leitura

Na subida da montanha-russa da sua carteira, todos são só sorriso, é na descida que descobrimos que não deveria estar ali. Com essa frase eu resumo a assumpção de risco acima do que é tolerável por parte dos investidores e investidoras em ativos de risco.

O Ibovespa (IBOV), principal índice acionário do mercado local, encerrou 2023 aos 134.185 pontos, experimentou tal patamar apenas no primeiro dia do ano e nunca mais (até 11/06/24). Passou a maioria do primeiro semestre “brigando para se sustentar ao redor dos 128 mil pontos, mas a batalha parece ter sido perdida nas semanas mais recentes e agora flerta com patamar abaixo de 120 mil pontos. Do melhor momento até agora, quando negocia no limiar dos 120 mil pontos, acumula pouco mais de 10% de queda.

Observe na tabela a seguir qual era a expectativa de algumas das principais corretoras e casas de análise para o Ibovespa no encerramento de 2024 (destacamos em azul).

Fonte: Estadão

A coluna “Projeção inicial” reflete a expectativa de fechamento do Ibovespa em 2024 divulgada no final de 2023. Note como exceto Ativa, demais casas precificavam o Ibovespa encerrando ano com altas em 2 dígitos, entre 11% (XP) e 26% (Empiricus).

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O primeiro semestre deu um choque de realidade na planilha de valuation dos mais otimistas de sorte que agora, após revisão, o melhor resultado esperado entre os mesmos para o Ibovespa geraria um ganho de 11% em 2024, praticamente o mesmo patamar esperado para o CDI no fechamento de 2024, se não tivermos mais cortes na Taxa Selic, e ainda que esta atinja o patamar previsto no último boletim Focus, o prêmio de risco que o Ibovespa entregaria ao atingir 149 mil pontos não justificaria a assumpção do risco adicional.

E o Ifix, o principal índice dos fundos imobiliários? Este encerrou 2023 aos 3.311 pontos, encerrou o trimestre com 2,91% de alta, mas ao observarmos o patamar de precificação em 11 de junho, ainda se sustenta em terreno positivo, com alta de 0,72%. Mas, da máxima do ano, quando atingiu 3.426 pontos, recua 2,6%.

O Tesouro IPCA+ vencimento 2035 encerrou 2023 negociado a taxa de 5,34% a.a. além da inflação. Em 11/06 o mesmo título era negociado a taxa de IPCA+ 6,35% a.a. impondo ao investidor que carregou o ativo por todo período uma desvalorização de quase 3%. Pois é, IPCA + 5,3% a.a. já parecia ser uma ótima taxa para um título público com vencimento em 2035, mal sabíamos que “o melhor” estaria por vir.

“Mas será que nada está se salvando em 2024, Ricardo?”

Vamos lá, a cotação do dólar estadunidense, bem, encerrou 2023 em R$ 4,85, já em 11/06 chegou a ser cotado em 5,38, ou seja, alta de 11%. O ouro, até o fechamento de 11/06, se valorizava mais de 14% no acumulado do ano.

Até 11/06, o S&P500, um dos principais índices acionários dos EUA avançava 12,7% em 2024 e Nasdaq, que concentra empresas ligadas a tecnologia, exibia ganhos de 15,5%. O bom humor não se limitou ao mercado acionário dos EUA, o Stoxx 600 que concentra as principais empresas europeias avança no ano 8%. No mundo dos criptoativos, Bitcoin avança 60,4% no acumulado 2024.

Quando olhamos para além dos ativos de risco no Brasil, observamos que há sim “salvadores da pátria”, ou melhor, “salvadores de carteira de investimentos”.

Mas há salvadores apenas para aqueles que investem de forma diversificada. Para a turma que, na subida da montanha-russa se empolga e embarca em teses de 100% em determinado ativo ou determinada classe, teses estas que não passam em qualquer modelo rudimentar de diversificação de carteira, essa turma, no momento da descida da montanha-russa, mostra que tomou a decisão errada.

Para você que tem uma carteira diversificada em classes (ações, FIIs, títulos públicos, etc.) e em geografias (renda fixa e renda variável, tanto no Brasil, quanto no exterior), parabéns. Seguramente o seu retorno em 2024 está aquém de seus sonhos/expectativas, mas em situação muito melhor de quem andou concentrando acreditando que seria ano de festa.

O problema da concentração equivocada da carteira em classes ou ativos de risco é que no geral, o investidor comum definitivamente não está preparado para a descida da montanha-russa. Se empolgou no mercado de alta e não teve resiliência genuína para o nível de risco (dificilmente teria) que se materializa no mercado de baixa e em muitos casos, gera as boletas de compra (na alta) e venda (na baixa) e materializam o investidor ou investidora que ativa o que chamo de “algoritmo da pobreza”.

Independente de culpados para o momento. Sejam fatores externos, sim tivemos de origem econômica e geopolítica, ou fatores internos, estes em se tratando de Brasil jamais se ausentam, a diversificação além de ser um exercício de humildade para quem admite que não sabe qual é a bola da vez e se quer sabe classificar com lapso temporal deve ser utilizado para ser considerado a tal “vez”, ela é praticamente um seguro que ao menos minimiza os infortúnios do mercado.

“Ricardo, o que você está fazendo neste momento?”

Seguindo meu plano de alocação. Bons ativos não são imunes ao sobe e desce do mercado, mas quando o momento de calmaria voltar e sim, ele voltará, veremos que eles atravessaram a turbulência em melhores condições, ainda que a precificação não necessariamente demonstre isso (eu particularmente adoro este tipo de assimetria, boas oportunidades surgem quase que implorando para serem aproveitadas).

Vejo muitos investidores e investidoras questionando se deveria focar mais em renda fixa, deixar FIIs e ações para depois, e espero que você que acompanha minhas publicações não caia nessa.

E a sua carteira?

Obviamente há oportunidades excelentes na renda fixa, para isso você tem uma generosa fatia de sua alocação destinada a este tipo de ativo. Mas nem só de IPCA + 6% a.a. e CDI vive um bom portfólio de investimentos.

Veja carteiras de investidores institucionais que atravessaram décadas com bons resultados. Você verá a presença de ativos de renda fixa, mas sem jamais deixar de lado a renda variável. Você verá a exposição internacional, cambial, enfim, uma genuína diversificação.

O Ibovespa era um excelente negócio aos 134 mil pontos porque supostamente iria até 170 mil pontos em 12 meses, mas agora, 6 meses depois, rodando ao redor de 120 mil pontos não é mais? Sua carteira de investimentos tem uma estratégia, você a conhece e está preparado/a ou é apenas uma coletânea de dicas de “gurus” nas redes sociais? Quem é você neste jogo?

Responda esta pergunta, mantenha sua diversificação tecnicamente sustentada e vamos juntos. Águas tranquilas jamais formaram grandes marinheiros.

Agradeço a costumeira paciência.

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