Os meus últimos artigos aqui no Dinheirama têm se tornado uma maneira direta de contar aos leitores um pouco de minha experiência diária no trato com amigos e familiares.

Gosto da ideia de compartilhar as experiências da vida real e, ao mesmo tempo, oferecer a outras pessoas a oportunidade de olhar para determinados pensamentos a partir de uma visão diferente do convencional; a partir do ponto de vista de alguém que trabalha com a educação financeira como um estilo de vida.

Desta vez, ao acompanhar minha esposa em um evento de trabalho, escutei um papo que me chamou a atenção: o papo era de duas jovens (creio eu que na faixa dos 20 anos, mais ou menos) que, como eu, aguardavam alguém e falavam abertamente do plano de viajar em alguns meses para fora do país.

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Em um determinado momento, uma delas disse que o grande desejo de sair do Brasil tinha a ver com conhecer uma cultura diferente, onde pudesse prosperar (enriquecer) sem o peso de se sentir culpada. A colega arrematou, concordando com a amiga, dizendo que também desejava viver em um lugar “onde não precisava morrer pobre”.

Logo depois disso acabei saindo do local e não consegui tirar da cabeça as frases ditas por duas jovens de maneira tão direta, fazendo uma análise (que não é simples) de forma tão enfática. Aliás, o poder de simplificação dos jovens é invejável, mas costuma falhar bastante.

A cultura do sucesso como algo negativo (ou ilícito)

Em alguns artigos quando abordei o tema e as características das pessoas ricas e bem-sucedidas, escrevi que questões culturais são importantes e certamente contribuem para que o sucesso, acompanhado do enriquecimento, seja visto por muita gente como um crime.

Há ainda um enorme grupo que enxerga o sucesso financeiro como sinônimo de alguém que cresceu passando por cima de tudo e todos. Para muitos, ficar rico é quase um pecado; se você acha isso, deveria mudar logo a sua opinião.

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Sem parar de pensar no assunto e louco para escrever sobre o tema, passei a buscar algumas referências de como nos deixamos caminhar por essa linha torta de sucesso e pecado.

As interpretações pessoais feitas em torno de algumas lições religiosas talvez tenham algum peso nesse problema, mas acredito que o maior problema são os exemplos expostos em jornais, revistas, TV e mídia em geral.

O que se vê de monte são pessoas que enriqueceram cometendo crimes, sobretudo através da corrupção institucionalizada e projetos envolvendo dinheiro público e contratos de interesses duvidosos.

Onde estão os exemplos de pessoas bem-sucedidas que fizeram fortuna de maneira inspiradora, pessoas que trabalharam duro e formaram uma vida inteira com propósitos que vão muito mais além do que enriquecer e que transformam sua fortuna em verdadeiros legados?

Mudanças culturais são necessárias

A verdade é que deveríamos considerar, acreditar e bater sempre na tecla de que aqui no Brasil ninguém precisa morrer pobre. Note que não estou afirmando que ninguém precisa morrer sem ser rico, até porque riqueza é diferente e subjetivo; ter um espírito livre das amarras que condenam o sucesso já seria um passo enorme.

E as mudanças precisam ser acompanhadas de simplicidade. Começar conversando muito mais sobre dinheiro e percebendo que é importante adotar o planejamento financeiro como uma premissa indispensável para a transformação seria fantástico.

No trabalho, a mudança fundamental passa por entender que os empregos convencionais, com horários definitivos e inflexíveis (para as empresas e trabalhadores), em breve não existirão mais (para o bem e para o mal, seja lá o que isso signifique).

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Em relação ao salário, é importante que as pessoas percebam que a remuneração pelo trabalho irá acontecer na proporção direta ao valor que agregam às suas organizações. Salários definidos em torno de um compromisso mensal fechado serão cada vez mais coisa do passado.

Para enriquecer, as pessoas precisarão explorar cada vez mais seus talentos individuais, vendendo-os ao mercado e focando cada vez mais nas oportunidades (e não nos obstáculos).

Conclusão

É uma pena que jovens decidam mudar de seu país porque simplesmente desacreditaram em relação ao quanto podem somar para uma mudança significativa. Infelizmente, essa realidade é compartilhada por muita gente no Brasil, inclusive pessoas mais velhas e com vida mais estável.

Vivemos um período de reconstrução. Muito do que acontecerá nos próximos 10 a 15 anos dependerá das decisões que serão tomadas nos próximos meses. Que caminho o país adotará: o modelo de governo grátis ou aquele que realmente foca nas oportunidades para quem quer construir um país melhor a partir de muito trabalho?

Ninguém precisa morrer pobre, mas também ninguém deve ser obrigado a viver em uma sociedade que parou no tempo; para esses, talvez em algum momento a oportunidade pode mesmo estar em outro país. Infelizmente! Vamos mudar isso ou mudar daqui?

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Ricardo Pereira
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