José comenta: “Navarro, e as ações do Banco do Brasil (vi hoje na TV)? Vale a pena? Para quem? Qual o investimento e prazo mínimos”?

Bernardo diz: “Navarro, a pouco você falou sobre a oferta pública da BM&F e agora sai a do Banco do Brasil. Será que você pode fazer uma análise sobre essa oferta? Vale a pena? Li que as ações são relativas à Previ e ao BNDES”.

José, Bernardo, obrigado pela visita. Recebi cerca de 30 e-mails com as suas mesmas dúvidas e percebi que a euforia diante das ofertas de ações é uma atitude generalizada. Os mais de 260 mil CPFs registrados na oferta pública inicial – IPO em inglês – da BM&F dão uma mostra da enorme busca por rentabilidade na Bolsa. Claro, isso é ótimo e demonstra que a preocupação com a educação financeira tem atingido cada vez mais pessoas. No entanto, a correria desenfreada é perigosa e pode ter nocivos efeitos colaterais, especialmente para o seu bolso.

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Não confunda alhos com bugalhos

Confesso que estou um pouco preocupado. Alguns leitores, animados com os resultados de Bovespa e BM&F, enviaram mensagens questionando minha opinião a respeito “da IPO do BB”. IPO? Muita calma nessa hora. Uma oferta pública inicial representa a abertura de capital da empresa, ou seja, sua estréia na Bolsa de Valores. As ações do Banco do Brasil já são negociadas no mercado. Portanto, o anúncio recente detalha uma nova oferta de ações e não uma IPO. Está clara a diferença?

Calma, já sei o que você está pensando. As duas ofertas iniciais recentes, BM&F e Bovespa, apresentaram excelente valorização no dia da estréia. Será assim com o Banco do Brasil agora? O repórter Toni Sciarretta, do jornal Folha de S. Paulo, esclarece:

“Nos IPOs, algumas ações têm potencial explosivo de valorização porque o mercado não tem qualquer referência de preço e há uma demanda grande. Para comprar a ação do BB na oferta pública, o preço deve ser menor do que o investidor pagaria no pregão. De outra forma, poderia comprar a ação já negociada na Bolsa”

Ontem, hoje e amanhã

Antes de decidir-se, permita-me passar por algumas explicações e questionamentos. As ações do BB negociadas na Bovespa sofreram valorização de 64,41% nos últimos doze meses. A meu ver, o potencial de alta no curto prazo fica um pouco limitado depois de tanto crescimento, ainda que as ações estejam mais “baratas” que a de muitos de seus concorrentes.
Conclusão 1: os papéis do BB tendem a ser uma boa alternativa para o médio e(ou) longo prazo.

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Um diferencial importante

O Banco do Brasil é o único banco com ações listadas no Novo Mercado, que exige trasparência maior em relação ao acionista minoritário. Em outras palavras, e em teoria, ele é o banco mais preparado e interessado nos pequenos investidores.
Conclusão 2: O mercado bancário brasileiro tem demonstrado fôlego interessante, mesmo depois da crise hipotecária que abalou os bancos norte-americanos. Ainda que o BB tenha mostrado resultados e lucros mais baixos neste último trimestre, algo tido como negativo pelo mercado, a economia estável, aliada à forte demanda por crédito tendem a puxar resultados melhores no futuro. No futuro.

O analista da Austin Rating, Luis Miguel Santacreu, tem uma opinião semelhante:

“O BB tem brigado para não ficar menor que os outros bancos. Comprou bancos estaduais, tem alguns passivos que pode recuperar no futuro. Os outros bancos privados são melhores, mas têm preços mais altos”

O lado B da história

Mais da metade dos e-mails que recebi questionam a possibilidade de levar uma boa grana vendendo as ações já no dia da estréia. “Flippar”, como alguns preferem, não parece ser uma estratégia interessante neste caso. Além disso, uma declaração do ministro da Fazenda, Guido Mantega, jogou água no chope de muita gente:

“O Banco do Brasil não deve ficar para trás. Mas ele também não tem obrigação de estar tão voltado para o lucro quanto os bancos privados”

A lição número um na economia de mercado é diferente. Uma empresa aberta, com capital pulverizado, tem que primar por pagar (bem) seus acionistas, ou corre o risco de desaparecer. É o chamado custo de capital próprio, cujo poder deve ser valorizado e bem remunerado. Claro que lucro não tem nada a ver com pagar o acionista, mas acionista nenhum quer uma empresa que lhe pague bem e pare por ai. Lucro líquido sempre será muito importante.
Conclusão 3: os investidores ficaram desconfiados, pois onde há dinheiro público não se pode prever com exatidão os passos futuros. De uma forma geral, as ações continuam “baratas” e o potencial existe. A pulga atrás da orelha tende a despertar menos interesse pela nova oferta de ações, mas o mercado está de olho mesmo é no futuro.

Detalhes da oferta

O prazo de reservas vai do dia 30 de novembro até o dia 4 de dezembro para investidores vinculados e de 30 de novembro a 11 de dezembro para investidores não vinculados. O encerramento das reservas acontece dia 4 de dezembro. O preço por ação será fixado dia 13 e os papéis começam a ser negociados dia 17 de dezembro. Do total da oferta, o montante de no mínimo 20% e no máximo 80% serão destinadas a investidores não institucionais, sendo que 10% desse montante se destinará, prioritariamente, a empregados.

As aplicações podem começar com R$ 200,00 através de um fundo de ações do Banco do Brasil, que oferecerá 87 milhões de papéis da Previ (fundo de pensão dos funcionários) e da BNDESPar. Para informações e reserva através do fundo FIA-BB, entre em contato com seu gerente ou acesse o site oficial do BB. A compra direta de ações, por intermédio de uma corretora, exigem mínimo de R$ 1.000,00 e máximo de R$ 300.000,00 e trazem como vantagem a não cobrança de taxa de administração.

Tudo que escrevi retrata apenas a minha opinião. Antes de decidir-se, sugiro que leia o prospecto e procure ler mais opiniões à respeito da oferta. Espero ter colaborado com o debate. Até a próxima.

Atualização (outubro/2019)

O BB (Banco do Brasil) anunciou que fará oferta pública com distribuição secundária de 132,5 milhões de ações, estimada para ser precificada em outubro no dia 17.

Com base na divulgação do prospecto divulgado ao mercado pelo banco, os acionistas vendedores na oferta serão o próprio Banco do Brasil, com 64 milhões ações, e o FI-FGTS (Fundo de Investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), com 68,5 milhões ações.

Conrado Navarro
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