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O artigo patrocinado, a hipocrisia e a Blogosfera!

por Conrado Navarro
3 min leitura

Dinheirama e Nossa OpiniãoTodos sabemos que um blog é uma ferramenta de socialização de conhecimento e informação, um excelente canal de comunicação e relacionamento e também um espaço onde se pode (e deve) expressar opinião. Com este pensamento, um grupo de blogueiros se reuniu para efetivamente colocar em prática a construção de conhecimento de qualidade, criando o Nossa Opinião, um aglomerado decente de artigos e pensamentos sobre os mais variados temas, atualizados e discutidos a cada quinze dias.

Assim, caros leitores, permitam-me tamb√©m um momento de reflex√£o e pol√™mica. Convidado a participar do grupo de debatedores, confesso estrear com certo receio, afinal de contas o assunto, artigos patrocinados e a publicidade em blogs, evoca diferentes rea√ß√Ķes em cada um de voc√™s (e em mim). Parte deste artigo justifica-se pelo fato do Dinheirama ter, recentemente, publicado um artigo patrocinado por uma grande ag√™ncia publicit√°ria. Espero que acompanhe todo o desenrolar do tema e perdoe-me por fugir, ainda que brevemente, da principal raz√£o de existir deste espa√ßo: o seu dinheiro[bb].

O asco pela hipocrisia
N√£o h√° nada pior que a institucionaliza√ß√£o de maus h√°bitos e atitudes. Exemplos negativos e diferen√ßas culturais criam abismos morais cru√©is e surreais diante da realidade vivida por cada um de n√≥s. Exagero? Provocados a reagir diante das cat√°strofes sociais e econ√īmicas do pa√≠s e do mundo, comumente nos escondemos atr√°s da cortina da hipocrisia e da falta de vergonha (ou ser√° de atitude[bb]?). Quanto podemos exigir de nossos cidad√£os, se pouco fazemos para mudar sua raz√£o de ser e existir? Ser√° que fazer s√≥ a sua parte √© suficiente?

Admito, n√£o sei debater sem contextualizar e polemizar. O desabafo, diante do dia-a-dia cada vez mais aut√īmato das pessoas, tem raz√£o de ser. Discute-se ardorosamente o surgimento dos blogs na atual sociedade, seu real papel frente aos seus leitores e diversas fontes de informa√ßao, mas n√£o v√™-se o mesmo empenho em diagnosticar seus reais resultados, sua abrang√™ncia em termos qualitativos. A subjetividade do alcance, aliada ao parco profissionalismo da Blogosfera nacional contribuem para o t√≠mido papel deste novo catalisador de conhecimento. N√£o obstante, muitos preferem abster-se diante do p√©rfido caminho.

O cuidado com o moralismo cibernético
A hipocrisia online √© igualmente perigosa. Leitores e blogueiros, no af√£ pelo (√ļnico) minuto de fama, decidem proliferar mensagens e opini√Ķes moralistas e de cunho ideol√≥gico, enquanto suas atitudes para com o pr√≥ximo e seu trabalho s√£o pautadas pelo aspecto pr√°tico e, por isso, mais coerentes. Julgam pois, atrav√©s de movimentos hip√≥critas, as iniciativas s√©rias como sendo meras brincadeiras e satirizam as tentativas honestas de sustento de seus criadores.

Por tr√°s da tela do computador[bb], fala-se muito e muitas teorias s√£o facilmente criadas. Quando n√£o h√° compromisso para com o resultado, fica f√°cil verbalizar sa√≠das mirabolantes e “pr√°ticas eficientes” para os problemas da sociedade. A publicidade n√£o existe h√° pouco tempo, assim como sua grande relev√Ęncia e efici√™ncia s√£o mais do que aceitas e comprovadas. Um blog, um an√ļncio ou artigo patrocinado n√£o existem sem um fiel universo de leitores. Voc√™, portanto, √© a chave de todo o processo.

Mas você entende de publicidade?
Por que alguma empresa decide anunciar neste blog e não em outro lugar? Quem toma esta decisão? Sob que aspectos e métricas, uma resolução deste tipo deve ser levada adiante? Como um blog pode trazer retorno ao seu anunciante e em que formatos este player deve mostrar seu produto, serviço ou iniciativa? São perguntas comuns nas agências de hoje, mas que raramente populam as cabeças dos muitos leitores de espaços como o Dinheirama. O modelo só será interessante para eles, se for para você. Sendo assim, será também para mim, blogueiro.

Acostuma-se f√°cil com o que √© bom, r√°pido e, principalmente, sem efeitos colaterais. Lembro-me dos primeiros dias de Dinheirama, quando alguns colegas diziam: “O blog vai crescer r√°pido porque voc√™ fala de um assunto que √© importante para todo mundo, dinheiro”. Sem d√ļvida, mas “s√≥ at√© a chegada do primeiro artigo patrocinado”, como alguns leitores fizeram quest√£o de me alertar. Manter um espa√ßo como este d√° muito trabalho. Mas n√£o h√° recompensa melhor que a oportunidade de poder escrever um artigo como este e v√™-lo ainda lendo-o de olho grudado √† tela.

A coisa fica insustentável, sob o ponto de vista prático, se pensarmos que a maioria dos leitores acharia bacana e concordaria prontamente com a veiculação de um artigo patrocinado sobre uma iniciativa de inclusão social, especialmente se ele fosse bancado por uma ONG. Normalmente não é uma ONG, não é um programa assistencialista, mas sim uma empresa com fins lucrativos que procura este tipo de serviço. Recusar o capitalismo, sem causa aparente, e focar apenas nas iniciativas puramente beneficentes não soa hipócrita?

Portanto, você há de concordar que é muito bacana saber que você gosta do que ofereço por aqui, mas que só isso não é suficiente para que o blog tenha futuro e possa melhorar. Pense bem, sua resposta pode ser minha sentença, embora eu ainda possa recorrer e tentar surpreendê-lo. Você confiaria menos em um Dinheirama respaldado em um modelo completamente sustentável?

Sustentabilidade, o enorme desafio!
N√£o pretendo, no meu limitado saber sobre marketing[bb], a√ß√Ķes dirigidas e publicidade, propor regras e(ou) diretrizes para o an√ļncio em blogs ou comunidades similares. Embora n√£o pare√ßa, a discuss√£o aqui √© mais profunda. Senti-me deveras decepcionado com a rea√ß√£o exagerada de alguns leitores diante de meu artigo patrocinado, ainda que, de forma honesta e expl√≠cita, o aviso correspondente constasse do texto.

Que mal h√° em tentar viabilizar um modelo sustent√°vel de neg√≥cio, perguntei-me diversas vezes. Um artigo patrocinado n√£o define um modelo √ļnico e ainda inexistente nos ve√≠culos tradicionais de comunica√ß√£o, mas sim o desdobramento diante do meio eletr√īnico e, principalmente, dos blogs. √Č √≥bvio, sou humano, sou um leitor como voc√™ e procurei entender o seu sentimento. “O Navarro colocou √† venda sua opini√£o?” Claro que n√£o. Um grande amigo, Alessandro Martins, definiu bem a confus√£o: “o artigo √© pago, a opini√£o n√£o”.

Um post pago, no jargão preferido por alguns, significa a opinião sincera de um editor diante de uma iniciativa. Ora, concordar com a atitude de uma empresa não tem nada a ver com minha postura como cidadão ou consultor financeiro[bb]. E, reparem, o foco do noticiário remunerado existente por aqui não fere nenhuma lei da boa convivência ou aspecto moral, é apenas um retrato de um mercado em movimento e que pede por sua atenção.

Receber para escrever significa compromisso com apenas o lado positivo da discussão? Alguém pensou em credibilidade?
Voc√™ confia nas opini√Ķes refletidas no Dinheirama? Faz uso delas como fonte balisadora de suas decis√Ķes ou as toma como certas e apenas as executa sem deliberar sobre suas consequ√™ncias? A credibilidade se constr√≥i com um alian√ßa entre o que sabemos ensinar e o quanto estamos dispostos a aprender. Eu n√£o sei mais que voc√™ porque construi o Dinheirama. Quem construiu o Dinheirama foi voc√™ e a credibilidade deste blog s√≥ existe enquanto as opini√Ķes aqui colocadas forem sinceras, honestas e pautadas no bom senso. Falando bem ou falando mal, estes s√£o os princ√≠pios n√£o negoci√°veis de nossa opini√£o.

Ali√°s, sempre coloco em cheque minhas opini√Ķes, meus pensamentos e aquilo que julgo importante. Mas √© s√≥. Ficam sempre de fora da discuss√£o o aspecto moral, as convic√ß√Ķes e os sentimentos, pontos √ļnicos e condicionantes do que sou, de minha forma de agir e de minhas rea√ß√Ķes. Respeito, credibilidade e legitimidade s√£o, portanto, uma consequ√™ncia. Ningu√©m, nem a ag√™ncia que nos contrata, √© isento o suficiente para atestar credibilidade. Voc√™, leitor amigo e fiel, √© quem define o grau de import√Ęncia deste espa√ßo e suas consequ√™ncias diante das poss√≠veis oportunidades[bb]. A credibilidade, assim como o sucesso, √© algo relativo e subjetivo.

Leia, ignore se n√£o for de seu interesse ou acesse se achar interessante.
De novo, a hipocrisia. Muito dos produtos que você tem em casa e consome, o faz porque o conheceu através de propaganda, mídia interativa ou marketing direto. No entanto, condicionado pelos anos diante destas massivas campanhas, não reclama, não questiona. O surgimento dos banners também passou por este receio demonstrado diante das resenhas pagas e, no entanto, sobrevive. Se funciona, é outra história. Por hora, que tal deixarmos de lado a confortável posição de críticos do novo? Que tal participar do debate de forma mais produtiva, criando alternativas viáveis para a solução da questão?

De repente o artigo patrocinado é um tiro no pé, uma iniciativa furada. De repente não é.
Como sabe, gosto muito de escrever. Mais ainda de discutir e aprender. Assim, confesso estar motivado a seguir por mais diversas linhas, mas o bom senso e a sua paciência me impedem. Portanto, sendo objetivo, acredito que haja uma saída. Será que estamos, todos os que chegaram até aqui, dispostos a doar R$ 5 ou R$ 10, todo mês, para manter um espaço como este que lhes apresento? Quanto de seu tempo você doa aos outros e para os outros? Sem nenhuma vergonha levanto a questão, porque sem ela não saberia debater a necessidade de dinheiro como ferramenta de negócios. Afinal, você só paga por um serviço ou produto que lhe agrega valor.

A opção de contribuição está viva diante do formulário de contato e da página de créditos. Não reparou? Infelizmente, ela tem servido mais de ferramenta social que de incentivo financeiro. Que hipocrisia de minha parte dizer que não há problema e que ainda assim fico satisfeito e motivado a seguir firme em frente. Que hipocrisia de sua parte dizer que não tem R$ 5 para nos ajudar. Será que falta esforço de nossa parte para que haja geração de valor nos artigos que publicamos por aqui? Será que a sensação de valor banalizou-se tanto, que mal consigo enxergá-lo? Repare como ainda precisamos crescer e quanto ainda se pode fazer por aquilo que prezamos e que nos traz alegria e conhecimento.

Certamente, não estou fazendo o suficiente. Este espaço pode e vai melhorar. Prometo aprender mais, ajudar mais. Peço de todos o mesmo empenho e comprometimento em criar alternativas inteligentes (e simples) para que iniciativas como essa não morram apenas por falta de consideração e hipocrisia. A questão do artigo pago é apenas a fagulha. Torço para que a discussão o leve através de uma extensa reflexão sobre o papel dos blogs diante da sociedade. Eu, ciente da necessidade de melhorar e satisfeito por ter mantido minha postura e transparência, fico por aqui. Um abraço.

O Dinheirama √© o melhor portal de conte√ļdo para voc√™ que precisa aprender finan√ßas, mas nunca teve facilidade com os n√ļmeros.

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