Nos últimos tempos, assistimos verdadeiro conluio astral nos mercados acionários de todo o mundo.

Os índices do mercado acionário americano têm batido sucessivos recordes históricos. A bolsa de Tóquio mostrou agora sucessão de onze pregões seguidos de alta. A bolsa de Mumbai na Índia mostra novos recordes, e até a vestal bolsa de Frankfurt assumiu recorde histórico.

Isso ocorre por conta da recuperação global da economia, com forte liquidez internacional, taxas de juros singularmente baixas (não raro negativas) e inflação abaixo das metas de bancos centrais importantes. Como consequência, empresas com resultados em ascensão e melhor distribuição para seus acionistas.

Brasil, recordes mesmo com clima de incertezas

No Brasil não tem sido diferente. O índice Ibovespa tem batido sucessivos recordes históricos, mesmo com todo o clima político inteiramente desfavorável e a situação econômica necessitando de inúmeras correções de rumo, via reformas estruturais de vulto.

É bom encaminhar desde logo que tais correções não são fáceis de serem aprovadas no Congresso Nacional. Por dois motivos: congresso em clima de eleições majoritárias e governo com a mais baixa aprovação da sociedade. Apesar disso, são absolutamente essenciais para que investimentos retornem e a percepção externa melhore.

B3 registra valorização próxima de 28% em 2017

Frisamos isso para destacar que a B3 mostra no ano de 2017 valorização de cerca de 28% e com certo “jeitão” de que pode caminhar ainda mais. Basta analisar os dados divulgados referentes ao mês de setembro último.

O volume médio diário de setembro foi de R$ 10,0 bilhões com crescimento sobre igual período de 2016 de 50,3%. Com relação ao mês anterior, registrou expansão de 13,7%. O valor de mercado das empresas listadas na Bovespa (405 empresas) no final de setembro estava em R$ 3,07 trilhões, maior em 25,1% sobre setembro de 2016. Ainda segundo a B3, somos 620,9 mil investidores ativos, 7% maior que no mês anterior.

Captação de fundos de investimentos

Outra indicação positiva fica por conta da captação dos fundos de investimento anunciada pela Anbima, que nos nove primeiros meses de 2017 atingiu R$ 221 bilhões, com expansão sobre igual período de 166%.

Somente no terceiro trimestre, a captação de fundos foi de R$ 90 bilhões. E não importa muito. Boa parte dela foi ainda para fundos de renda fixa e multimercados e menos para fundos de ações. Mas de qualquer forma já é outro bom indício de que os investidores estão se movimentando para buscar mais retornos, assumindo mais propensão ao risco.

Do outro lado, o lado dos emissores, com a elevação dos preços dos ativos, ficou mais atraente para empresas captarem recursos, reduzindo a alavancagem financeira via capital próprio. Mais recentemente, a BR Distribuidora (da Petrobras) anunciou que entrou com processo na CVM para abrir seu capital, podendo distribuir entre 25% e 40% do capital. Certamente é um bom exemplo no caminho da privatização e exemplo de demonstração para outras empresas que estudam aberturas.

A necessidade do governo se movimentar

É nesse ponto que gostaríamos de nos fixar. O governo poderia dar uma ajuda na alavancagem do mercado de capitais no país, sempre falada e nunca realizada. Poderia agir estimulando junto com a CVM um segmento de acesso dinâmico e eficiente, com estímulos fiscais generalizados e ainda menores exigências para os emissores e investidores.

É fundamental privilegiar investidores de longo prazo com reduções no tempo da alíquota de imposto sobre ganhos de capital, hoje exatamente a mesma (15%) para alguém que fique dois dias ou 10 anos com uma posição, sem nem mesmo descontar a desvalorização da moeda no período.

O Brasil precisa de investimentos não especulativos

Como sempre citamos, alguém que se disponha a ficar, por exemplo, 10 anos como acionista de uma companhia não deveria ser tributado em nada, e ter uma estátua erigida em praça pública. Não podemos esquecer a finalidade precípua do mercado de capitais que é prover recursos de mais longo prazo para empresas suportarem investimentos.

E como o Brasil precisa de investimentos não especulativos!

Acreditamos que formaremos nesse momento as condições ideias para sensibilizar nossas autoridades sobre a importância do mercado de capitais para o crescimento consistente, e a necessidade de estimular o investimento de risco ao invés de termos exclusivamente rentistas. Cremos que estamos maduros para tal.

Alvaro Bandeira
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