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O Brasil e a “Fanfarronice” Européia

por Carlos Alberto Debastiani
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O Brasil e a "Fanfarronice" EuropéiaEm 05 de maio último, li uma notícia no portal de economia do Terra (veiculada pela BBC Brasil), que me deixou surpreso. O Título da notícia era: ‘FT’ vê “fanfarronice” em recuperação econômica do Brasil.

Segundo o artigo, o jornal inglês Financial Times (FT), em seu editorial, avaliou como “complacência” latino-americana a boa situação econômica do Brasil frente ao momento de crise mundial, alertando que “as piores quedas normalmente ocorrem justo quando se está cantando de galo”, como se os países da zona do Euro já não “cantassem de galo” há muito tempo (provável razão para a decadência econômica que experimentam agora).

Minha surpresa (e minha indignação) se deu em razão da chacota ter sido publicada em um jornal da Europa[bb], de onde nos chegam as mais bizarras notícias sobre protestos e revolta popular contra a postura pouco responsável de governos que administram tão mal suas políticas econômicas.

Grécia, Portugal, Espanha e, talvez, em breve, outros países europeus venham a figurar entre os que sofrerão os efeitos do uso inadequado das reservas financeiras e da adoção de políticas monetárias pouco equilibradas pelos países que o Financial Times chama de “economias avançadas”.

Talvez o FT também considere “avançada” a economia americana, que espalhou papéis podres que os “avançados” investidores[bb] e banqueiros europeus compraram sem muito critério, baseados exclusivamente em sua “avançada” ganância, amparada na falsa noção de que eram os “donos do mundo”, mostrando a todos a “fanfarronice” européia.

Para mim, o que parece incomodar os especialistas do Financial Times é ver economias de países como o Brasil resistirem a momentos de crise como o que, por muito pouco, não destruiu o Euro (em apenas algumas semanas), enquanto o Real segue bem apreciado e experimenta um período de valorização que há muito tempo não se via por aqui.

No artigo, o FT argumenta que o Brasil contou com uma boa dose de “sorte” na última década e tenta se justificar afirmando que os bancos latino-americanos, calejados por crises anteriores, focaram o mercado interno e preferiram não se expor aos empréstimos do tipo subprime.

Nisso, o FT tem razão: os “calos” deixados por crises anteriores realmente ensinaram lições importantes sobre análise de risco (lições que os investidores europeus parecem nunca ter aprendido). Aqui, em nossa economia[bb] “pouco avançada” não se compra papel podre aos montes, sem critério, pagando preço de ouro.

Ao final, o FT afirma que “os países da região devem procurar olhar para além da bonança e tomar medidas como evitar a apreciação exagerada do câmbio”. Francamente, quando olho para além da “bonança”, só lamento não termos um governo melhor preparado para aproveitar o momento econômico que vivemos, altamente propício para realmente projetar o Brasil a nível mundial.

Crédito da foto para freedigitalphotos.net.

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