O Brasil é a sétima economia do mundoO título é a réplica literal do que foi anunciado na semana passada por nossas autoridades governamentais, como também pontuou Ricardo Pereira no artigo “PIB brasileiro cresce 7,5% em 2010. E agora? E o futuro?”. Sem nenhum questionamento, uma ótima notícia. Um marco, certamente. Depois de mais de 30 anos, galgamos uma importante posição no “ranking” das nações. Para constar, no final dos anos setenta ostentávamos a posição de 8ª economia mundial.

É fato, estamos mesmo entre os países mais desenvolvidos do planeta. Mas estaríamos entre as sociedades mais desenvolvidas? A minha resposta é “Sim”. Considerando as barbaridades que observamos todos os dias no noticiário, assim como os horrores que atormentam nações inteiras submetidas a regimes explicita e sanguinariamente ditatoriais, de fato, nos destacamos.

Observem que a Líbia só foi expulsa do Conselho de Direitos Humanos da ONU na semana passada, com decisão justificada diante da violência praticada contra os rebeldes pelas tropas oficiais do governo.

A questão é que talvez, na minha modesta opinião, exista bastante tolerância por parte dos organismos oficiais na hora de classificar países e sociedades como sendo razoáveis ou inadmissíveis.

Como a nossa sociedade se classificaria, então? Razoáveis? Inadmissíveis? Ótimos? Antes de colocar a minha resposta, vou recorrer ao trecho da notícia “Medo de apagões faz empresas produzirem a própria energia em SP”, publicada no dia 23/02 na Folha de S. Paulo:

“Grandes consumidores de energia elétrica na Grande SP estão abandonando a rede e montando um parque de minitermelétricas para suprir o próprio consumo.O êxodo é uma reação aos sucessivos apagões e ao alto custo da tarifa. O preço do KWh (quilowatt hora) em horário de pico (das 18h às 21h) é sete vezes maior que o valor gasto para a geração própria”

Respondendo: penso que somos razoáveis, até muito razoáveis, mas por vezes inadmissíveis, e eventualmente ótimos, por que não?

Mas, me digam: é razoável que alguma empresa, disposta a investir e a correr todos os riscos de uma empreitada industrial, encarando a barbaridade tributária que vivemos e todos os encargos associados e interessada em gerar riquezas e divisas tenha que abdicar do aparato de infraestrutura energética promovido pelo estado e assumir por conta própria a sua geração de energia? Cabe lembrar que mesmo no caso de concessões privadas, o indutor e fiscalizador é o estado.

Algo como: “Quer produzir? Quer Gerar riquezas, empregos e divisas? Então se vire se quiser que as máquinas funcionem”.

Desculpem-me, mas nesse momento somos uma sociedade inadmissível.

E também pouco razoável é a passividade empresarial que hoje observamos, anestesiada e sem articulação. Rogo, então, para que não nos acomodemos. Podemos até comemorar brevemente a nossa sétima posição, eventualmente por uma noite, uma semana, mas nada além disso.

Há muito para fazer e inúmeros motivos para indignação. A responsabilidade é de todos nós. A vida passa, efêmera e frágil. Mas as consciências, enquanto existirem, serão sempre perseguidas pelo arrependimento daquilo que não se fez.

Honestamente, ficaria muito feliz e satisfeito se em dez anos estivéssemos ainda na antiga 8ª posição, mas em um Brasil fortemente competitivo e educado, com problemas que no passado (hoje) eram considerados insolúveis sendo liquidados e composto por uma sociedade civil forte e respeitada, indignada quando precisa ser, e grata quando for o caso.

Até mais.

Crédito da foto: freedigitalphotos.net.

Plataforma Brasil
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