Dinheiro, sucesso e a vida de investidorNão é preciso fazer muito esforço para encontrar, na internet, na TV ou nos jornais, farto material a respeito dos diversos tipos de investimentos destinados em geral à pessoa física. Lemos muito sobre aplicações em bolsa de valores[bb], sobre o tão comentado mercado de capitais e somos constantemente bombardeados por propagandas de bancos.

No entanto, sempre é bom lembrar que hoje em dia já existem outras possibilidades acessíveis de investimentos que só aquelas anunciadas escandalosamente. Basta procurar e lembrar que o investidor[bb] consciente diversifica e procura alternativas inteligentes para seu capital. Mas será que, assim como existem investidores individuais, existem empresas que investem em empresas?

Pois é, hoje vamos conhecer um pouco sobre o mercado de private equity, ou seja, investimento em valores mobiliários de empresas com expressivo potencial de crescimento, capazes de gerar retornos muitas vezes superiores aos da média de mercado, mas proporcionais ao alto risco e à baixa liquidez (característica deste tipo de investimento). Confuso? Calma, você vai entender.

Breve história do Private Equity
Os fundos de Private Equity surgiram na década de 1980 nos EUA como uma nova opção de financiamento para pequenas e médias empresas. Este instrumento consiste basicamente na reunião, através da criação de um fundo de investimentos, de um grupo de investidores.

Tal grupo adquire relevantes participações em pequenas e médias empresas (geralmente de capital fechado), com as quais desenvolvem parcerias ativas, participando bastante de sua administração, adicionando capital e agregando valor.

No Brasil, quase duas décadas após o surgimento nos EUA, especialmente a partir da segunda metade da década de 90, esse mercado ganhou fôlego junto com o aquecimento da economia e do mercado de investimentos em participações, os conhecidos FIPs.

Fundos de Private Equity
Os fundos de private equity buscam incorporar ao negócio um modelo de gestão estratégica que foge da maneira usual de comparar empresas. Os fundos de PE querem encontrar empresas com potencial e, assim, se tornarem seus sócios. Posteriormente, a fatia da empresa – ou a empresa como um todo – pode ser vendida (geralmente é).

No Brasil dos dias atuais, da recente alta da Bovespa[bb] e da economia mais previsível, é impossível falar de private equity sem mencionar o grupo GP Investimentos, maior gestora de fundos de PE do país.

GP Investimentos? Quem?
A fórmula baseada em trabalho duro, competição aberta, meritocracia e obsessão por resultados forjada pelo trio fundador da GP – Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira – nunca deu tantos frutos quanto hoje.

Sob o comando de uma segunda geração de financistas, capitaneada pelo carioca Fersen Lambranho e pelo paulista Antonio Bonchristiano, a GP tornou-se um colosso com alcance internacional, administrando 2,1 bilhões de dólares em recursos — o que a coloca numa folgada dianteira no mercado brasileiro.

É o maior fundo de private equity da América Latina. Desde que foi criado, há apenas 15 anos, comprou 47 empresas, vendeu 34 e hoje controla 13. Foi o primeiro fundo de sua estirpe a abrir o capital no Brasil — na época, no mundo, menos de dez fundos estavam na mesma situação — e hoje vale 1,3 bilhão de dólares na bolsa.

O negócio da GP, na definição de seus sócios, é vender companhias — na alta. Para isso, foi preciso montar uma máquina de comprar — na baixa. De certa forma, o grupo reconstruiu, através do negócio de Private Equity, o mundo dos negócios no Brasil, fez fama e a alegria dos seus acionistas. Confira um quadro-resumo sobre a GP Investimentos realizado e publicado pela Revista Exame:

Quadro-resumo sobre a GP Investimentos - Fonte: Revista EXAME

Transformar empresas com grande potencial em negócios altamente lucrativos pode ser uma boa pedida para quem busca rentabilidade e tem a possibilidade de investir valores expressivos. Esta ai a essência de um fundo de private equity.

Bacana, mas há alguma oportunidade de investimento para mim?
Em maio de 2008, a Geração Futuro criou o seu Banco de Investimentos, que estuda a estruturação de fundos de “small caps” para investimentos temporários em empresas de baixo valor de mercado e bom potencial de valorização.

Outra novidade deverá ser a realização de operações de private equity em empresas emergentes de capital fechado ou já listadas na Bovespa, como explica Wagner Salaverry, sócio-diretor da Geração Futuro. Para quem já conhece a Geração, acredita-se que com apenas R$ 100,00 será possível investir nestes produtos. Será? Estamos de olho! Até sexta.

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Ricardo Pereira é consultor financeiro, trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.
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Ricardo Pereira
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