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O conhecimento dentro da competência

por Bernadette Vilhena
3 min leitura

O conhecimento dentro da compet√™nciaContinuo nossa conversa sobre compet√™ncia e sua import√Ęncia no mercado de trabalho iniciada no artigo ‚ÄúCompet√™ncia e sua import√Ęncia no mercado de trabalho‚ÄĚ. O conceito explorado foi trazido da psicossociologia francesa da d√©cada de 70, onde compet√™ncia √© concebida como a intercess√£o entre conhecimento, habilidade e atitude – o conhecido C. H. A.. Dentro dessa linha, as empresas atualmente buscam profissionais que saibam fazer, mas que tamb√©m queiram fazer.

Deixei uma proposta para o leitor de um pequeno exerc√≠cio de autoconhecimento para avaliar como est√° o n√≠vel de empregabilidade a partir das tr√™s dimens√Ķes que comp√Ķem a compet√™ncia. Dif√≠cil pensar em si mesmo, n√£o √©? Sei que √© bem mais f√°cil enxergar as compet√™ncias e imperfei√ß√Ķes alheias… Mas, avaliar o colega de trabalho n√£o colabora muito no crescimento profissional[bb] de cada um de n√≥s!

Vamos l√°, aceite o desafio: √© hora de olhar para si, encarar suas limita√ß√Ķes, concentrar energia nos pontos fortes e buscar as mudan√ßas! Afinal, ningu√©m melhor do que voc√™ para trabalhar seu universo pessoal, suas qualidades e defeitos. Pois √©, n√£o √© nada f√°cil. Vou ajud√°-lo detalhando o conceito de compet√™ncia.

Competência!

Dentro das tr√™s dimens√Ķes que comp√Ķem a compet√™ncia temos o conhecimento. √Č √≥bvio que ele √© imprescind√≠vel, base para o desenvolvimento humano, mas o que √© o conhecimento? Os pesquisadores franceses Jacques Leplat e Maurice Montmollin falam que o conhecimento √© o conjunto estabilizado de saberes, conjunto de racioc√≠nios que podem ser mobilizados sem uma nova aprendizagem – uma estrutura dispon√≠vel para o cumprimento de tarefas.

Para ser competente no trabalho, você precisa ter uma bagagem de conhecimentos que atenda às demandas da sua atividade, que estejam prontos para serem utilizados a qualquer momento e que sejam base para a produção de novos conhecimentos. Em caráter meramente didático, divido esses conhecimentos em:

  • Conhecimentos constitu√≠dos: aqueles adquiridos nas institui√ß√Ķes formais de ensino, oriundos das ci√™ncias exatas, humanas, biol√≥gicas e t√©cnicas. Conhecimentos presentes em livros, revistas, internet etc.;
  • Conhecimentos ‚Äúexperenciais‚ÄĚ: aqueles adquiridos no decorrer da atividade de trabalho e no cotidiano. √Č resultado da a√ß√£o, das experi√™ncias pessoais de cada indiv√≠duo no dia-a-dia da empresa, dos est√°gios e da vida pessoal;
  • Conhecimento de si mesmo: base para toda orienta√ß√£o vocacional e descoberta do potencial pessoal em qualquer etapa da vida. Quanto mais conhecimento eu tiver sobre mim mesmo (a), mais capacidade terei de tra√ßar metas e realiz√°-las.

A reunião desses conhecimentos promove o aumento do nível de empregabilidade, já que dependemos de um ótimo portifólio para manter nosso emprego[bb], procurar uma nova colocação no mercado ou sermos trabalhadores e trabalhadoras independentes, donos do próprio nariz (ou negócio, se você preferir).

Ali√°s, falando em empresas e neg√≥cio pr√≥prio, o IBGE apontou essa tend√™ncia de alta atrav√©s de uma pesquisa com dados do Cadastro Nacional de Pessoa Jur√≠dica, demonstrando que, de 2000 a 2006, o n√ļmero de companhias aumentou de 3,7 milh√Ķes para 5,1 milh√Ķes (reportagem da revista Galileu, julho 2009, editora Globo). Ponto para o empreendedorismo brasileiro!

O conhecimento e o mercado de trabalho
O crescimento do n√ļmero de pessoas com o curso de gradua√ß√£o traz uma nova situa√ß√£o: ter um diploma n√£o √© mais o √ļnico diferencial competitivo no mercado de trabalho – cada vez mais ele se torna um item b√°sico! As empresas focam sua aten√ß√£o nos indiv√≠duos com mais qualifica√ß√Ķes e que agreguem valor ao processo produtivo, como os cursos de extens√£o, cursos de reciclagem e de idiomas.

Assim, cabe a cada um cuidar de seu itiner√°rio profissional. O investimento constante em conhecimento profissional tem um impacto positivo nessa constru√ß√£o. Os conhecimentos ‚Äúexperenciais‚ÄĚ podem ser enriquecidos atrav√©s de trabalho volunt√°rio e em est√°gios extracurriculares, por exemplo. O autoconhecimento, ou seja, a capacidade que cada um de n√≥s possui de autoan√°lise e autoconfronta√ß√£o acelera o processo de amadurecimento.

Sobre isso a professora da Universidade da Calif√≥rnia, Eleanor Rosch alerta sobre a import√Ęncia do autoconhecimento quando salienta que ‚Äúa maioria dos indiv√≠duos passa a vida imerso em conhecimentos anal√≠ticos e n√£o conhece a si mesmo; a consequ√™ncia disso √© uma a√ß√£o sem v√≠nculo com o todo‚ÄĚ.

A empresa e construção do conhecimento
Nesse movimento pela busca do conhecimento n√£o podemos esquecer da import√Ęncia que a empresa tem na constru√ß√£o dos saberes de seus colaboradores. Ela precisa, al√©m das suas fun√ß√Ķes gerenciais[bb] b√°sicas, criar melhores condi√ß√Ķes para o desenvolvimento profissional e pessoal dos seus funcion√°rios.

O investimento na formação profissional e pessoal não deveria se limitar muitas vezes aos programas de treinamento e às SIPATs, mas ser uma meta de todo gestor. A utilização do espaço empresarial para o desenvolvimento integral do ser humano traz ganhos significativos para o clima organizacional gerando maior produtividade, menos doenças psicossomáticas e inevitavelmente aumento do lucro.

Felizmente, muitas organiza√ß√Ķes j√° atendem √† essas exig√™ncias da chamada Era do Conhecimento! Sintetizando, √© importante saber que o conhecimento est√° √† disposi√ß√£o de todos e √© ponto de partida para um posicionamento cr√≠tico e contextualizado na sociedade – deix√°-lo para depois √© uma decis√£o perigosa e altamente excludente! A l√≥gica da empregabilidade passa pela capacidade de constante aprimoramento pessoal e profissional. Assim:

  • Qual o √ļltimo livro que voc√™ leu?
  • Domina os conhecimentos b√°sicos da sua profiss√£o?
  • Quais s√£o os conhecimentos indispens√°veis mobilizados para executar sua atividade de trabalho?
  • Busca conhecimentos financeiros para melhor gerir seu sal√°rio?
  • Voc√™ pensa em fazer um est√°gio extracurricular?
  • Durante seu est√°gio, como foi seu desempenho nas tarefas?
  • Tem um projeto pessoal de vida?
  • Voc√™ est√° satisfeito com a carreira que escolheu?
  • Voc√™ sabe quais s√£o seus pontos fortes e fracos?

Ao responder essas quest√Ķes voc√™ ser√° capaz de preencher o c√≠rculo do conhecimento e no pr√≥ximo artigo continuaremos ‚Äúsaboreando esse C.H.A.‚ÄĚ! Um conselho: Busque a alegria e o prazer pela busca do conhecimento. Tente aprender algo novo essa semana! Afinal, j√° ensinava o educador Paulo Freire que somos seres inacabados e em constante constru√ß√£o!

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Bernadette Vilhena √© pedagoga empresarial, consultora em diversas inst√Ęncias da pr√°tica educativa nas empresas. Especialista em Gest√£o de Pessoas e estudos nas √°reas de Ergologia, Gest√£o do Conhecimento e Educa√ß√£o no trabalho.

Crédito da foto para stock.xchng.

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