Quebrado! Endividado!Roberta comenta: “Navarro, quero parabenizá-lo pelo site Dinheirama. É muito importante saber que há quem se interesse em colaborar com a formação de cidadãos melhores e mais conscientes. O que mais gostei é que não há só matemática financeira por aqui. Sua opinião e artigos sobre o cotidiano dão uma cara mais pessoal ao blog. Meu comentário é rápido: sabemos que a inflação está sob controle, mas ainda assim percebo maiores gastos em supermercado, ainda que mantenha uma lista controlada. Os fabricantes andam nos enganando com o preço do produto x seu conteúdo”?

Roberta, muito obrigado por sua visita e pelas palavras gentis de apreço e reconhecimento. Confesso que esse seu comentário e sua pergunta me deixaram surpreso com a abrangência do Dinheirama. É legal ver que, apesar de termos melhor acesso às informações, ainda restam dúvidas quanto ao dinheiro encontrado nos pequenos detalhes. Adorei. Sua experiência mostra que ainda que você mantenha seu orçamento em dia, podem existir alguns “ladrõezinhos” capazes de lhe tirar do sério. Confesso que também sou assim.

A armadilha existe
Todos temos que sobreviver e para isso precisamos de cuidados básicos com a saúde, higiene, alimentação etc. E todos concordamos que os produtos ou serviços, que permitem que nossa vida esteja sempre “em dia”, custam algum dinheiro. O quanto vamos pagar é tão importante quanto a qualidade do serviço prestado. Como preço, valor e qualidade são itens subjetivos, afirmo, sem medo, que todos enfrentamos desafios diários para não perder valiosos centavos*.

O conceito de valor
Você paga por aquilo que julga interessante, pelo que acredita ter de valor. E valor é algo muito pessoal. Nunca haverá consenso sobre o preço justo de um produto. Seu preço reflete aspectos tão subjetivos quanto a decisão de comprá-lo. Afinal de contas, valor é o que você percebe. E perceber é sentir. Isso mesmo, muitas vezes sentimos no bolso. Ai o valor se inverte e vem a dúvida, não é Roberta?

Estamos sendo enganados?
Sim, constantemente. Mas não estamos sendo enganados porque somos idiotas. Estamos sendo enganados porque também enganamos (seria hipocrisia dizer o contrário). Calma. Essa é uma enganação tipo tentativa e erro. Você joga. Se colar, colou! O que você compra no supermercado não é diferente. Muitas empresas vivem da pesquisa de preços e de satisfação e isso só existe porque precificar depende do sua opinião sobre este ou aquele produto.

Será que, se a maioria concordou com uma tentativa de posicionamento de preço e valor, podemos considerar que você está sendo enganado? Você pode não estar neste grupo e vai achar absurdo. Ou vice-versa. Mas tudo tem limite e o que me traz muita decepção é encontrar produtos com embalagens maiores, preço diferenciado, mas com menos peso líquido. É pagar mais por menos. Isso não é enganar, é sacanagem, desrespeito.

Como saber?
São três as situações facilmente identificáveis que já foram objeto de muito “bafafá” na mídia:

  • Embalagens maiores, mas com menos quantidade. Isso aconteceu especialmente com o papel e com os pacotes de biscoitos. Quem não se lembra do papel higiênico, que encolheu, mas que ganhou lindas embalagens e deliciosos cheiros. O preço? Subiu, claro. Mas o DPDC (Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor) registrou multas de aproximadamente R$ 17 milhões para essa turma. Acho pouco. A boa notícia é que esta situação parece controlada.
  • Embalagens tidas normais, sem nenhuma informação sobre a redução de conteúdo. A embalagem está muito semelhante à anterior, só que com menor espessura e menor quantidade. O preço? Continua o mesmo.
  • Letras minúsculas e espalhadas nos piores lugares da embalagem indicam a alteração de peso do produto. Essa é a situação mais comum hoje em dia. As empresas refutam a hipótese, alegando que as informações sobre a redução da quantidade estão lá. Elas tem razão, mas não enviam de brinde a lupa para conseguirmos ler letrinhas tão miúdas. Triste.

E agora?
Pelo bem do seu dinheiro, fique atento aos fatos aqui apresentados. Sentindo-se lesado, procure o Procon/DPDC. Até agora foram aplicados R$ 34,5 milhões em multas. De novo, acho pouco. Infelizmente, a lei é branda. Portanto Roberta, creio que parte do que vem devorando seu dinheiro no supermercado tenha a ver com o que falei neste artigo. Não há muito que se possa fazer, confesso, mas conhecer as práticas e procurar por produtos de concorrentes ajuda bastante. Todo cuidado é pouco.

* Sobre os valiosos centavos…
Antes que alguém se irrite ou queira me xingar, não se trata de mesquinhez. Se você não liga de pagar mais, ótimo. Da mesma forma que não irei considerá-lo um gastão, por favor não me trate como mesquinho. Pense que para algumas pessoas o centavo conta muito e que economizá-lo dessa forma pode fazer muita diferença no orçamento mensal. Agora, se esse é um Brasil que você não conhece, parabéns! Se já ouviu falar dele e mora pra valer por aqui, ajude a disseminar a mensagem.

Conrado Navarro
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