Vivemos tão melhor hoje longe daquele enorme e inflamado dragão da inflação, não é mesmo? Apesar dele hoje estar bem menor e muito mais manso, ele ainda existe e merece muita atenção, especialmente quando o assunto é investimento. Quando planejamos uma aplicação de longo prazo, partimos com a premissa de poder usufruir do mesmo poder de compra que temos hoje, certo? Mas nem sempre isso é colocado no cálculo matemático de seu portfólio.

O que quero dizer é que se sua aplicação rende 1% ao mês, logo assumimos que ela rende 12% ao ano* (por enquanto esqueça oscilações mensais, sazonalidades e IR**). E isso não está errado. Mas quanto você realmente ganhou neste período, em termos reais? Hipoteticamente, se a inflação for de 4% nestes mesmos 12 meses, sua aplicação então rendeu mesmo 8%. Concorda? Seu banco sempre passa a rentabilidade bruta, esta conta é você quem deve fazer.

Portanto vimos que a inflação, ainda que pequena, influencia no montante final de qualquer investimento que façamos. Em outras palavras, se você deixar R$ 100,00 parado debaixo do colchão, no final destes 12 meses eles valerão R$ 96,00. Pra ficar ainda mais fácil, o que você comprava com os R$ 100,00 na época que guardou, agora não compra mais. E se quiser comprar, vai ter que colocar mais R$ 4,00 de seu bolso. É um rendimento negativo, isso mesmo. E por isso deve ser levado em consideração para cálculo do rendimento líquido.

Vou parar por aqui. A idéia era apenas chamar a atenção para o efeito da inflação sobre os rendimentos de seus investimentos e lembrá-los de que manter seu poder de compra é fundamental. Garantir R$ 1 milhão na conta daqui a 20 anos não vai garantir que você consiga comprar tudo o que esse dinheiro compra hoje. Parece óbvio, não é mesmo? Pois tratemos de computá-lo na nossa matemática diária. Um abraço.

*A rentabilidade de um fundo é diária, assim como os índices de inflação. Essas informações serão melhor abordadas em um outro post. Tais índices podem ser vistos diariamente em qualquer jornal de economia (ex. Valor Econômico).

**O IR é importante neste cálculo e vamos falar dele oportunamente. Como sempre, um passo de cada vez.

Conrado Navarro
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