O investimento certo depende de seus objetivos

Um livro publicado pela socióloga Viviana Zelizer em 1997 – The Social Meaning of Money (O significado social do dinheiro), Princeton University Press – discute a ideia de se, de fato, dinheiro é apenas um valor monetário, sem qualquer representação e influencia social.

Zelizer mostra, através de inúmeros fatores e exemplos do convívio social, que muitas vezes as pessoas marcam uma quantia de dinheiro para um determinado fim e isso altera a percepção de valor que as pessoas têm dessa quantia.

O dinheiro guardado para a universidade dos filhos certamente não tem o mesmo valor emocional que os trocados guardados numa jarra para comprar jornal na banca, mesmo que a quantia guardada seja marginalmente a mesma.

Na jarra, o dinheiro não valoriza e está à mercê de variações no custo de vida da família. O dinheiro para a universidade, por outro lado, dificilmente será guardado debaixo do colchão, mas sim em um banco, investido em títulos que paguem alguma remuneração.

A autora sugere, então, que o dinheiro e as transações monetárias não substituem ou eliminam as relações interpessoais. Para ela, transações que envolvem dinheiro são, elas próprias, representações das manifestações sociais que só as potencializam.

Essa conclusão sociológica tem um significado muito importante que às vezes é deixado de lado no mundo dos investimentos e do planejamento financeiro: cada tipo de investimento deve estar relacionado a um objetivo ou sonho de consumo específico.

Em outras palavras, antes de começar a poupar e investir no mercado financeiro o investidor deve perguntar a si mesmo qual o objetivo daquele investimento. Ao se compatibilizar o tipo de investimento para cada projeto pessoal, dá-se um foco melhor para como e onde investir a quantia.

Arriscar ou não ao investir?

Um investimento que servirá para arcar com algum custo futuro que não se pode escapar, como uma universidade, uma aposentadoria etc. deve ser levado a sério e conter baixo risco. Dependendo de seu perfil, um investimento que servirá para aumentar seus ganhos no mercado financeiro no curto prazo poderá ser aplicado de maneira mais arriscada.

Esta compatibilização também se relaciona diretamente com o volume a investir: quanto maior o volume a se investir, mais seguro deve ser o investimento. Como muitos experts do mercado de ações falam, na bolsa há um limite que você deve investir, sempre relacionado com seu patrimônio total e/ou com seu fluxo de renda mensal.

Operar mais do que você tem (alavancagem) pode ser muito arriscado, mas comprar um título público de vencimento longo atrelado à variação da inflação é deixar seu dinheiro praticamente protegido das perdas e com alguma rentabilidade. Esse dinheiro será importante para você no futuro, portanto é preciso cuidar bem dele e dar esse direcionamento, digamos, emocional para ele.

Por direcionamento emocional não quero dizer que se deva apegar-se às quantias investidas sem atentar para a razão. Longe disso, afinal também é preciso monitorar seu dinheiro constantemente e rastrear ganhos e perdas e gerenciar riscos de maneira racional e prática.

Entretanto, essa marcação emocional inicial, aliada a um sonho de consumo futuro, pode dar o direcionamento correto para cada investimento que venha a ser realizado.

Tesouro Direto, aplicação segura e rentável

Um bom modo de proteger um investimento importante para o futuro é investir nos títulos da dívida pública nacional, emitidos pelo Tesouro. A NTN-B (Nota do Tesouro Nacional – Série B) é um exemplo bom: ela tem vencimentos mais longos, o que lhe atribui uma rentabilidade de juros maior.

Além disso, ela é indexada ao IPCA, índice mais popular que mede a inflação no Brasil, o que significa que você protege seu dinheiro de variações bruscas no nível de preços e ainda ganha uma rentabilidade considerável no longo prazo.

A inflação fechou 2012 com alta de 5,84% e as expectativas para 2013 são de, pelo menos, 5,3%. Com um cenário de Selic constante (taxa de juros básica da economia), a NTN-B fica ainda mais atraente como alternativa de proteger seu dinheiro, fazê-lo render e garantir um sonho de consumo ou projeto futuro.

Ações para acelerar os ganhos

Para o caso de um objetivo mais supérfluo, de curto e médio prazo ou que não compromete a renda ou o capital para metas tidas como prioridades, pode-se investir em empresas de menor porte na bolsa de valores, também chamadas de Small Caps. Por serem mais arriscadas, delas se espera um retorno maior.

Se você tiver um razoável conhecimento das ferramentas da Análise Técnica Clássica e souber avaliar a saúde financeira das empresas, poderá encolher uma boa ação (de uma boa empresa) com uma promessa de alta no curto prazo e vendê-la quando auferir o ganho desejado.

Como nesse caso o dinheiro já foi destinado para um sonho de consumo mais supérfluo e a quantidade investida não é tão grande (ou não impacta o orçamento porque não é o dinheiro do dia a dia), uma possível perda não impactará seu patrimônio significativamente e não trará um sentimento de frustação e derrota.

Atenção para a “mordida do Leão”

Outra coisa para manter-se atento é o Imposto de Renda sobre esses investimentos. Lembre-se que o Imposto de Renda em ações varia de maneira muito semelhante ao IR em qualquer outro título ou fundo. Quanto mais de curto prazo o investimento e os ganhos deste, maior será a carga tributária cobrada. Num investimento de longo prazo (mais de dois anos) num título público, além de mais segurança, a carga tributária baixa de 22,5% para 15%.

Isso é planejar suas finanças de modo inteligente e racional, ainda que leve em conta seu lado emocional e sua percepção em relação a algo material e físico como é o dinheiro.

Foto de freedigitalphotos.net.

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