O título do artigo pode parecer um tanto sisudo, mas o que pretendo aqui é questionar, de forma leve e bem humorada (mas não superficial) – e tomara que eu consiga, porque se não ninguém vai ler a parte 2! –, uma tendência generalizada na sociedade atual: supervalorizar a tal da informação.

Não, não vou demonizar a informação! Afinal, se eu não concordasse com a importância do acesso ao conhecimento, não estaria aqui escrevendo, ocupando o seu tempo e o meu.

Mas vamos ao que interessa. Levando-se em conta que a nossa vida é produto das escolhas e decisões que fazemos ao longo do tempo, me parece lógico investigar o lugar que a informação ocupa no nosso processo de tomada de decisão. E tomada de decisão aqui não precisa, necessariamente, ser uma coisa grandiosa do tipo “caso ou compro uma bicicleta?”.

Pois bem, vamos lá. Sempre que fazemos uma escolha, seja ela qual for, nós seguimos uma espécie de roteiro mental (muitas vezes imperceptível) que pode ser resumido em três etapas:

  1. Reunimos informações que julgamos relevantes para o contexto em questão;
  2. Avaliamos as opções;
  3. Decidimos, fazemos nossas escolhas.

Bem, desta forma, informação é matéria prima para o processo de escolha, certo? É uma espécie de ingrediente fundamental, já que sem ela não há o que avaliar e, portanto, não há o que escolher. Sem informação não há tomada de decisão.

Como toda matéria prima, a informação interfere no produto final (na decisão). Porém, ela não tem o poder de interferir no processo de fabricação (avaliação).

Para tornar mais claro, imagine que a informação é a farinha com a qual você prepara um bolo. Nossa sociedade se apóia no pressuposto de que se você tiver acesso a uma farinha de excelente qualidade, terá um bolo de excelente qualidade.

Dizem que o que diferencia um excelente boleiro de um “fazedor de bolos” medíocre é o acesso e a qualidade da farinha, e ponto! Ponto, uma vírgula, porque se a batedeira ou o forno não estiverem funcionando adequadamente, não há farinha que dê jeito!

Informação tem sua relevância e importância? Sim, sem dúvida! Mas não deve ser tratada como determinante para o sucesso, bem-estar, qualidade de vida, diferencial competitivo e bolos perfeitos! Muito menos exercer essa centralidade exacerbada, porque o que diferencia decisões adequadas de decisões inadequadas não é a informação em si, mas o que acontece com ela no processo de tomada de decisão.

No próximo artigo vamos falar um pouco mais sobre essa dinâmica informação/decisão e vamos investigar que tipo de informação pode comprometer nosso processo de avaliação e o que podemos fazer para nos prevenir.

Enquanto isso, deixe seus comentários sobre a importância da informação em sua vida e como é seu processo de tomada de decisão. Já sentiu que informação demais pode atrapalhar? Como equilibra isso no seu dia a dia? Até a próxima.

O papel da informação na tomada de decisão é uma série de artigos publicados por Adriana Rodopoulos. Clique nos links abaixo para visualizar cada parte dessa sequência.

Foto de freedigitalphotos.net.

Adriana Spacca Olivares Rodopoulos
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