O sucesso financeiro e suas armadilhasAdolfo comenta: “Navarro, você acha que o sucesso financeiro também pode trazer problemas? Pergunto porque é muito comum tratarmos da educação financeira para criar patrimônio, mas pouco se fala das responsabilidades que essas conquistas costumam trazer. Isso sem falar das pessoas, que costumam se transformar quando conseguem atingir seus objetivos financeiros. Muitos deixam de tratar seus amigos e familiares da mesma forma e por ai vai. Afinal, o sucesso financeiro também armadilhas? Valeu!”.

Gastar menos do que ganhamos, planejar bem as compras e aquisições da família, evitar o endividamento, investir parte da receita, negociar etc. Abordei em diversos artigos as atitudes, comportamentos e ferramentas capazes de construir uma vida financeira mais tranquila e, assim, melhor aproveitada e mais divertida. Mas, e depois? Se permite usar o chavão clássico, “chegar ao topo dá trabalho, mas mais difícil é conseguir se manter lá”. Por quê?

O sucesso financeiro exige mais que habilidade com as finanças.
Acho que o principal aspecto que envolve o sucesso financeiro[bb] é o convívio com situações antes distantes do cotidiano: gente invejosa, ciúmes, ressentimento, cobrança familiar, comentários entre amigos e outras armadilhas emocionais. Arriscar-se nesse sentido, “jogar o jogo”, pode ser perigoso e muito desgastante.

Acredito que as principais armadilhas para quem “chega lá” são:

Acomodação em sua zona de conforto. Assim como muitas pessoas não melhoram suas decisões e ações porque estão muito envolvidas com rotinas improdutivas, automáticas e cansativas, existem casos de pessoas que atingem certo patamar e acomodam-se diante de novas oportunidades. Entram em cena os objetivos. Eles foram traçados? Foram alcançados? Só se acomoda quem não sabe onde quer chegar!

Excesso de confiança. Alguns chamam essa característica de onipotência. O sucesso[bb] não determina quem é melhor, mas sim quais estratégias e decisões foram mais acertadas e porquê. Julgar-se acima do mercado, dos colegas e das pessoas costuma resultar no pior tipo de “cegueira” que conheço: o desinteresse por continuar aprendendo. O verdadeiro ser bem-sucedido nunca acredita que chegou no topo, isso não importa tanto.

Bajulação que resulta em confiar nas pessoas erradas. Com o sucesso surgem muitos “amigos”, gente interessada em palpitar, indicar bons negócios e apresentá-lo a excelentes oportunidades. O que é verdade, o que é mentira e o que é exagero? Filtrar esse assédio não é fácil. Portanto, criar e manter uma boa equipe de suporte e saber separar bem os temas são passos essenciais.

Distanciamento da realidade. Alguns caminhos para o sucesso financeiro (empresários e investidores) implicam uma rotina de trabalho puxada, com dedicação aos negócios e, muitas vezes, bastante tempo dedicado aos detalhes, aspectos financeiros e contabilidade. O mundo “lá fora” continua existindo, mas pode ficar distante. Esse afastamento tira do radar oportunidades de feedback e novos contatos com clientes e potenciais mercados. É preciso dosar bem o tempo.

Excesso de autoestima. Ou, simplesmente, vaidade demais. O representante típico é aquele sujeito que antes era divertido e participava das reuniões de família e que agora parece sempre querer explicar seu sucesso e vangloriar-se de suas decisões. Conheço diversos tipos assim. Quando pergunto “você veio de carro para cá?”, frequentemente escuto “Vim de Captiva” (ou outros nomes de carros caros, importados e tal). Hilário, mas preocupante. Prefiro a humildade, responsável por permitir o aprendizado em qualquer circunstância.

Ausência de criatividade. Se deu certo uma vez, é natural que o indivíduo bem-sucedido repita suas decisões anteriores. Pode funcionar, é claro. Pode. Interessante notar que as decisões tomadas até a chegada ao topo foram construídas e, portanto, influenciadas pelo meio, pelo acaso e pelas necessidades do momento. Aceitar isso significa tomar novas decisões dando o mesmo espaço para novas possibilidades. Experiência adquirida não é o mesmo que “fazer mais do mesmo”.

Não bastasse a difícil tarefa de organizar as finanças, priorizar gastos e aprender a investir, temos que lidar com características pessois, emocionais e sociais tão impactantes quanto o fluxo de caixa no final de um mês ou ano. E, mais, trabalhar estes aspectos com a família, circulo de amigos e entes queridos de forma que o sucesso financeiro possa ser encarado como mérito pessoal, uma conquista, razão de dedicação e trabalho[bb]. Nada de torná-lo um fator inibidor ou de imposição social.

O desafio está em atingir o sucesso sem que a chegada ao topo desmereça os muitos que ainda continuam subindo ou aqueles que ainda não conseguiram tirar os pés do chão plano; o desafio está em saber olhar para cima e aplaudir aqueles que estão em um nível mais elevado; em, enfim, curtir a aventura fazendo novos amigos, colaborando com os demais e comemorando vitórias e derrotas como oportunidades.

Não é fácil, você tem toda razão. Mas é possível. Há de ser possível. Até a próxima.

Foto de freedigitalphotos.net.

Conrado Navarro
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