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O valuation das ações de IA também é artificial?

"Estamos menos preocupados com as métricas de avaliação", diz a BlackRock sobre a disparada das ações ligadas à inteligência artificial

por Gustavo Kahil
3 min leitura
Inteligência Artificial
A distorção no desempenho ponderado pela capitalização de mercado, especialmente de uma ação, está a afetando a saúde geral da economia global, diz o Société Générale (Imagem: Leonardo.AI/ Dinheirama)

O mercado todo anda se questionando: é saudável que os índices em todo o mundo avancem com base na explosão de alta das ações ligadas ao avanço da inteligência artificial, como a Nvidia (NVDC; NVDC34)?

A Nvidia atingiu, brevemente na semana passada, o posto de maior empresa listada do mundo e, tendo subido mais de 150% este ano, está dominando o desempenho dos índices globais do mercado de ações.

O retorno total do MSCI World este ano é de respeitáveis ​​11,9%, mas 300 pontos-base provêm apenas desta ação, um desempenho incrível considerando que este índice contém quase 1.500 das maiores empresas do mundo.

Entretanto, numa base de ponderação igual, o MSCI World apresentou um retorno total menos impressionante de 2,9%, um pouco acima do retorno do dinheiro.

“A distorção no desempenho ponderado pela capitalização de mercado, especialmente de uma ação, está a afetando algumas tendências interessantes do mercado e talvez a saúde geral da economia global”, explica Andrew Lapthorne, analista do Société Générale em um relatório obtido pelo Dinheirama.

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Fonte: Société Genérale

Valuation artificial?

A BlackRock, maior gestora de recursos do mundo, parece menos preocupada do que alguns do mercado ao perceber que um pequeno grupo de ações de tecnologia que impulsionam os ganhos.

“Por quê? Em primeiro lugar, o entusiasmo relativamente à IA está a ser satisfeito pelas empresas tecnológicas que cumprem e superam as expectativas de lucros elevados. Em segundo lugar, as margens de lucro da tecnologia estão a liderar o mercado, mas também estão a recuperar noutros setores, à medida que o arrefecimento da inflação alivia as pressões de custos sobre as margens”, explica Jean Boivin, chefe do BlackRock Investment Institute.

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Fonte: BlackRock

A gestora disse em um relatório desta semana que continua com a recomendação acima da média para o setor.

“Balanços sólidos também são uma razão pela qual gostamos de tecnologia e estamos menos preocupados com as métricas de avaliação. Os fluxos de caixa livres – excluindo custos operacionais – como percentagem das vendas são quase o dobro para a tecnologia do que para o mercado mais amplo, e a tecnologia tem as maiores margens de lucro em todos os setores, mostram os dados do LSEG Datastream”, ressalta A BlackRock.

Boivin também ressalta que muitos dos principais nomes da tecnologia são altamente lucrativos e têm muito dinheiro, o que lhes permite financiar a construção de infraestruturas de IA, como centros de dados.

“A busca por tal qualidade pode ter estimulado os investidores a migrarem ainda mais para as ações dos EUA nas últimas semanas, à medida que os seus homólogos europeus recuavam. Grande parte da queda nas ações europeias ocorreu após os resultados das eleições para a União Europeia e as notícias de eleições antecipadas em França”, pontua.

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