Objetivos, disciplina e o poder dos investimentosFelipe comenta: “Ricardo, sempre tive uma vida financeira controlada. Durante a juventude, meus pais cuidavam de tudo e possibilitaram que eu pudesse ter uma boa formação e ainda construíram, dentro de seus padrões, uma poupança que me garante tranqüilidade. Mesmo com esse know-how, me sinto inseguro, pois minha renda é relativamente alta e não sei ao certo qual o melhor investimento. Detalhe: tenho 29 anos. Alguma dica?”.

A dúvida veio, por e-mail, de um amigo meu. Ele prefere que seu nome verdadeiro não seja revelado, mas fez questão que eu escrevesse algo a respeito – “Esta pode ser a dúvida de outros leitores”, ele disse. Esse é o espírito. Bom Felipe, fico muito feliz por observar que seus pais fizeram bem a “lição de casa”, indo justamente no caminho da organização financeira e brindando-o com o beneficio do exemplo, ponto chave das conquistas.

Para você, com certeza é muito fácil respeitar seu padrão de vida e buscar, a partir dessa realidade, os melhores investimentos[bb]. A dúvida em relação ao como e às alternativas é normal, especialmente porque você tem um fluxo de caixa favorável e consegue poupar. Vejamos como o artigo se desenrola.

Guardar dinheiro
Em primeiro lugar, existe uma pergunta que você e os leitores que pensam em investir devem se fazer: por que eu vou poupar, guardar dinheiro? Essa pergunta é muito importante. A partir da resposta ficará mais fácil programar e encontrar a melhor opção de investimento. A resposta será seu grande objetivo. Obviamente, essa resposta não precisa ser única. Afinal, você pode ter diversas respostas que se tornarão, então, diversos objetivos.

Concentre-se primeiro nas perguntas relacionadas ao seu objetivo
Vamos supor que hoje, aos 29 anos, você faça essa análise e defina que seu objetivo seja parar de trabalhar aos 50 anos. Você terá 20 anos até o momento da “aposentadoria”. Nesse momento, algumas outras perguntas deverão ser feitas, como: quanto vou precisar acumular nesses 20 anos para garantir uma vida tranqüila e sem preocupações? Qual a minha expectativa de vida a partir dessa data? Quais os investimentos que são mais indicados para cada momento dessa trajetória, daqui até lá e depois dos 50 anos?

“Engraçado!”, você deve estar pensando, ao invés de lhe dar respostas, estou propondo ainda mais perguntas. Sim, você tem razão. Mas veja que essas perguntas são diretas e só você será capaz de respondê-las, começando justamente pelo básico: o que você pretende alcançar e quais são seus objetivos que podem receber colaboração financeira? Uma viagem? Patrimônio? Viver de renda? Publicar um livro? Estudar fora? De objetivo em objetivo você aprende a separar e investir.

O investimento que você precisa
Existem milhares de produtos bancários destinado aos investidores[bb], alguns muito bons e outros nem tanto, mas o melhor é aquele que se encaixa dentro de sua necessidade. A escolha deve ser capaz de criar condições reais para transformar seu sonho em realidade. Partindo deste princípio, toda alternativa de investimento é boa ou ruim, o que nos leva a discutir prazo, aportes, processo de formação do investimento e resgate:

  • Um dos principais componentes que precisa ser muito bem avaliado é o componente tempo. O tempo tem que ser seu aliado, por isso quanto mais cedo começar a se programar e projetar os seus sonhos, melhor será sua condição, principalmente quando os sonhos são referentes à aposentadoria. O tempo maior lhe permite correr mais riscos e fazer aportes menores ao longo dos meses e anos;
  • Os aportes precisam ser constantes e sempre corrigidos pela inflação. Determinar um objetivo no tempo (curto, médio ou longo prazo) o ajudará a escolher o produto mais interessante (menor risco para o curto prazo e mais arriscado para o longo prazo). Se começar logo e mantiver a disciplina, conseguirá ir muito mais longe com valores mensais menores. Experimente;
  • O processo de formação do investimento é justamente a relação entre tempo, investimento escolhido e aporte. É simples: se vai pensar na aposentadoria e tem muito tempo pela frente, pode começar com aportes pequenos em aplicações mistas (renda fixa e variável, por exemplo). Se pretende trocar de carro em dois anos, deve escolher um produto mais conservador (poupança ou Tesouro Direto, por exemplo) e fazer aportes maiores;
  • Quanto ao resgate, a questão principal se refere à liquidez. Como usará o dinheiro aplicado? Ele precisa estar disponível mediante suas necessidades. Se decidir comprar imóveis[bb] para construir patrimônio, poderá viver da renda de aluguéis, mas se precisar vendê-los para usar o dinheiro, pode demorar a ter o capital na mão. Então, o resgate diz respeito a como você terá o montante necessário para seguir adiante.

Fique atento ao seu futuro. Não alocar corretamente seu dinheiro pode ser um erro extremamente cruel, principalmente quando percebemos que teríamos condições de conseguir melhores resultados e a partir deles grandes oportunidades para ter uma vida mais feliz. Por outro lado, não existe certo ou errado porque os objetivos sempre são diferentes de pessoa para pessoa. O importante é tê-los, respeitá-los e alimentá-los. Bom final de semana.

Crédito da foto para freedigitalphotos.net.

Ricardo Pereira
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