Oferta de supérfluos X Demanda por independência financeiraHá 15 dias comprei alguns livros. Faço isso de vez em quando. Aproveito promoções de frete grátis e “combos” de livros relacionados e entro em imersão nas semanas posteriores. Mesclo livros de finanças pessoais, auto-ajuda (do tipo financeira e de crescimento profissional) e leituras amenas, para aqueles dias em que você só precisa de um pouco de diversão, sem informações complexas. Pois então, comprei livros cujas leituras eu estava postergando por diversos motivos.

Entre eles estavam “O Homem mais rico da Babilônia” e “Pai Rico Pai Pobre”. Sim, podem dizer que eu fui a última a ler os dois. Aliás, já tivemos resenha de ambos os livros aqui no Dinheirama (clique nos links acima para lê-las). Eu já sabia do que se tratava, mas deixei passar. Que bobeira! Sinto pelo tempo perdido, mas, como dizem, antes tarde do que nunca. Os dois são tão legais e tão incentivadores que decidi escrever sobre eles, e como podemos incluir seus ensinamentos em nossas vidas.

“O Homem mais Rico da Babilônia”
O ponto chave do livro é o “pague a si mesmo primeiro”. Não que ele incentive o não pagamento das contas ou o atraso delas, mas que você e todas as coisas pagas relativas a você devem ser prioridade. Que coisas são estas? Hoje em dia, podemos afirmar que são estudo, qualidade de vida, relacionamento na sociedade e conhecimento.

Muitos podem dizer que não podem investir nisso, pois todo o seu salário é consumido pelas contas de gás, luz, telefone e etc. No entanto, todos nós sabemos que, no fundo, sempre podemos deixar de gastar com alguma coisa para investir em nós mesmos. Eu tenho um exemplo. Acho um absurdo gastar muito dinheiro com conta de celular.

Este aparelhinho hoje é sinal de status e pessoas com dívidas altas assumem pacotes caríssimos para ganhar um bom desconto no aparelho da moda – e ainda acreditam estar fazendo um ótimo negócio. Pior, acham o máximo poder falar por horas. É óbvio que estou falando de uso não comercial.

Hoje já temos diversas opções online que substituem o telefone, podendo destinar esta verba a outra coisa. “O Homem mais Rico da Babilônia” tem essa premissa de poupar aqui, economizar ali e investir mais em você, contando diversas histórias de sucesso e insucesso da época. Muito interessante!

“Pai Rico Pai Pobre”
O livro também disserta sobre o “pague a si mesmo primeiro”, entretanto o ponto forte fica com a comparação dos ensinamentos de seus “dois pais”: o pai pobre e instruído que vivia no limite financeiro e o pai rico, pai de um grande amigo, que tinha muito dinheiro e passou anos os ensinando os macetes de tanta riqueza.

No decorrer do livro ele mostra como se identificou mais com os ensinamentos financeiros do pai rico – e não é a toa que hoje Robert T. Kiyosaki, autor da obra, é um milionário. É bem verdade que ele cita alguns exemplos bastante distantes de nossa realidade (acredita que uma educação formal não seja a base do sucesso financeiro, por exemplo), porém me senti “alfinetada” a leitura inteira. Sair da zona de conforto faz bem.

Controle-se!
O fato é que nós sabemos sim como administrar nosso dinheiro[bb]. Alguns sabem mais e outros menos, mas a realidade é que se não soubéssemos não seríamos capazes de sobreviver. O que ocorre de verdade é que nós temos o costume de postergar a regularização das finanças, inventando “n” desculpas para tal. Alguns dizem que isso ou aquilo “estava em promoção”, outros dizem que “ganham pouco” e, portanto, nunca sairão do vermelho. Concordam? Fala sério…

E Kiyosaki está aqui para nos alertar. Até senti vergonha quando li uma passagem dele:

“O dinheiro só acentua o padrão de fluxo de caixa que está na sua mente. Se seu padrão for gastar tudo o que ganha, o mais provável é que um aumento de dinheiro disponível apenas resulte em um aumento de despesa”

E foi isso mesmo o que aconteceu comigo. Este ano troquei de emprego e recebi uma promoção. E sabe qual foi primeira coisa em que eu pensei? “Vou me dar um presente. Vou trocar meu carro por um com mais estilo (por conseqüência, mais caro)”. Por mais conhecimento de finanças pessoais que eu tivesse (e tenho), estava prestes a fazer uma loucura.

E isso acontece muito com a gente, não é mesmo? Quem nunca adiou o investimento[bb] em Previdência Privada para comprar algum bem supérfluo? Ou pior, quem tem o armário lotado de roupas caras (muitas que nem usa), mas não tem sequer uma aplicação financeira simples?

Passado o momento irracional, tomei algumas decisões. Aumentei meu depósito programado na Previdência Privada, anotei todas as loucuras feitas no ano – ainda não tive coragem de somá-las (risos) – e revi metas. Mais, terei que ajustar meu orçamento mensal de acordo com o salário antigo. Super difícil, mas não impossível. Assim poderei desfrutar da riqueza antes.

Reflita!
Não vou contar todas as dicas que o autor nos dá, senão perde a graça. São várias as conclusões que podemos tirar através delas. Veja alguns trechos de “Pai Rico Pai pobre”:

“Os ativos são suficientemente grandes para crescerem por si próprios. É como plantar uma árvore. Você a rega durante anos e, então, um dia, ela não precisa mais disso. Suas raízes são suficientemente profundas. Então, a árvore lhe proporciona sombra para seu prazer”

“Se pensarem que o dinheiro resolverá seus problemas, receio que terão dias difíceis. O dinheiro sem a inteligência financeira é dinheiro que desaparece depressa. A maioria das pessoas não percebe que na vida o que importa não é quanto dinheiro você ganha, mas quanto dinheiro você conserva”

“A riqueza é a capacidade de uma pessoa sobreviver tantos dias a mais… ou, se eu parar de trabalhar hoje, por quanto tempo poderei sobreviver?”

E aí? Ficou curiosa(o)? Tomara que sim. Aproveito o espaço (e sua paciência) para citar alguns importantes pontos e observações sobre a quinzena que passou:

  1. O Clube “Meninas com Dinheirama” está operando normalmente. Quem se interessar, envie um e-mail para o nosso corretor André Hojo (andré[email protected]), da Corretora Geração Futuro. Lancei um desafio para as integrantes do clube: quem indicar uma amiga ganha um livro.
  2. A promoção lançada em outubro, na qual as pessoas deveriam me enviar um planejamento financeiro como o exemplo dado no artigo do dia 23/10 será adiada até o dia 15/11, visto que recebi poucos planejamentos. Optamos por duas opções de livros: o “Dieta do Bolso”, da Eliana Bussinger ou o “Avaliando Empresas, Investindo em Ações” de Carlos Alberto Debastiani e Felipe Augusto Russo.

Vamos lá, rumo à independência financeira!

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Mariana Prates é economista pela PUC-SP e pós-graduanda em Administração de Empresas pela FGV. Trabalha em precificação de Empréstimo em Folha e adora fazer planejamento financeiro para amigos e familiares.

Crédito da foto para stock.xchng.

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