Olá amigo leitor! Esse é provavelmente o texto mais longo e mais contundente que já escrevi. Mas, quando se joga contra o mundo, a pancada tem que ser forte e o esforço, maior ainda. E, antes de partir para conclusões apressadas, leia até o fim e com atenção.

Esses dias li a autobiografia do Eric Clapton, que ganhei de aniversário de meu irmão e sua esposa. Eu tinha uma vaga ideia das agruras que ele tinha enfrentado na vida, mas não sabia que eram tantas e tampouco esperava que alguém famoso fosse expor sua vida dessa maneira (quase crua).

Lendo o livro, algo em especial me chamou atenção e diz respeito ao porque o Clapton é o Clapton, os Beatles são os Beatles e por aí vai. Nesse momento ficou muito claro que tem a ver com oportunidade.

Não, as pessoas não têm igualdade de oportunidades como se diz por aí. O Sol não nasce para todos – até porque em certas partes do mundo durante o inverno não há luz solar. Parece um papo derrotista, de alguém que quer descontar suas frustrações no mundo e não assumir para si a responsabilidade das coisas, mas não é.

Claro que as oportunidades dependem muito do que se faz com elas, então boas oportunidades só servem de algo para quem as aproveita. Mas, partindo do pressuposto que as oportunidades seriam todas aproveitadas quando surgissem, fiz a análise e o texto que compartilho hoje.

Conforme eu avançava pelas páginas do livro, a coisa toda ia ficando mais e mais clara para mim; além de talento e esforço, é preciso estar no lugar certo, na hora certa ou então nada feito. As coisas só acontecem (coisas tipo um Eric Clapton) por uma conjunção de fatores que vai muito além de qualquer dom musical que ele possa ter.

É quase surreal ler uma história onde nomes de estrelas do escalão dos notáveis são citados aos montes, em situações para lá de rotineiras, em uma época em que todos eles estavam começando. Assim, o cenário era favorável, existia espaço e de certa forma todos se ajudaram. Beatles, Stones, Phil Collins, Jimmy Hendrix… a lista é longa.

A pergunta inevitável: o que todos esses caras tinham em comum? Falavam inglês e moravam no Reino Unido ou nos Estados Unidos. E morar em “um” país de língua inglesa me parece mais importante do que em “qual” país de língua inglesa, e falarei disso adiante.

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Dito isso, quantos brasileiros você conhece com o alcance dos Beatles? Tom Jobim? Sim, esse é o cara para nos orgulharmos, mas ele é um. E embora “Garota de Ipanema” seja a número um nos elevadores do mundo e esteja entre as canções mais regravadas, não é possível dizer, nem de longe, que Jobim teve o mesmo impacto no mundo que Lennon.

E mais, o alcance de Jobim só foi como conhecemos hoje por que um tal de Frank Sinatra resolveu gravar uma coleção inteira de suas obras em seu idioma que, por coincidência, é o inglês.

Sou fã de Jobim e tenho um orgulho enorme em ver um brasileiro chegar tão longe, mas os fatos são inegáveis e pesa contra nós o fato de sermos brasileiros e no Brasil a língua mãe ser o “brasilês” (afinal não falamos propriamente Português).

Verdade: não produzimos nada na música capaz de se comparar – em alcance e não em qualidade – ao que o mundo viu com Beatles, Stones, Clapton, Jackson. E tudo porque esses caras nasceram no lugar certo. Simples assim.

Você pode racionalizar o quanto quiser, mas fatos são fatos e as oportunidades são muito diferentes em lugares diferentes do mundo. Não é por acaso que não produzimos nenhum Walt Disney, Steve Jobs ou Bill Gates aqui; o ambiente é inóspito demais.

Agora vamos fazer um exercício de imaginação em que os Beatles tenham nascido no Ceará. Jão, Paulão, Ringo e Jorjão formam “Os Bisoros”. Paulão toca a rabeca, Jorjão a viola, Ringo a Zabumba e Jão o “fóli”.

Você acha que eles seriam o fenômeno mundial que conhecemos hoje cantando “Socorro! Eu preciso de alguém. Socorro! Não apenas qualquer um. SOCOOOORROOO”? Claro que não.

Ok, sem exagerar tanto. Que eles se chamassem Beatles, fossem uma banda de Brasília, mas cantassem em português. No máximo seriam o que são hoje os Paralamas ou Legião. O que não é ruim, mas não chega aonde queremos.

Veja como o idioma é uma enorme barreira se você quer ser um mega star de alcance mundial, isso sem falar do lugar certo, hora certa…

Sim, o idioma. Há grandes sucessos australianos, irlandeses e até de países que não necessariamente falam inglês, mas tem relações estreitas com os EUA e os cabras cantam em inglês!

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Acredite, caro leitor, nesse caso é melhor ser mexicano do que brasileiro. O Brasil sempre foi muito desconectado do resto do mundo e mesmo com a recente “Brazilmania” ainda servimos mais como “passatempo” do que como fonte de inspiração. E ainda vem o governo e joga tudo no ralo…

Resumindo: quando você ouvir que “todos tem as mesmas chances na vida”, rebata veementemente, pois trata-se de uma das maiores falácias que existem.

Você pode ter um grande talento, morrer de estudar, treinar, se esforçar, trabalhar e tudo mais o que manda o figurino, mas se não estiver no lugar certo, na hora certa, tudo isso será em vão se as suas ambições forem mundiais. Há muitos talentos incríveis perdidos em algum bar por aí.

Pior que tudo isso é que, mesmo para aqueles que nasceram no lugar certo, pode ser a hora errada ou simplesmente não dar certo. Repare como aqui, para os brasileiros, a corrente contra é ainda mais forte.

Mas, tudo está perdido? Não! De jeito nenhum! Agora que você sabe que o Sol brilha de formas diferentes em diferentes partes do mundo, é hora de agir. Você não precisa necessariamente nascer no lugar certo, você pode simplesmente mudar-se para ele.

Aí sim entra outra questão muito importante: se a oportunidade não está presente, podemos correr atrás dela. Em outras palavras, nós podemos, sim, fazer nossas oportunidades.

Temos visto exemplos de brasileiros no cinema americano, em séries de TV de alcance mundial e em muitos outros lugares. São poucos, é verdade, mas são a prova viva de que é possível perseguir um sonho desde que você vá para onde as oportunidades estão e são mais abundantes.

Tudo isso para dizer: corra atrás dos seus sonhos! Faça acontecer! E mesmo que o mundo diga que não dá, tente até esgotar as suas forças. Sabendo que os números estão contra você, é como se mede quanto esforço será preciso para passar por cima deles.

Para quem gosta de leitura, fica a dica da autobiografia do Eric Clapton (clique para detalhes), que mostra claramente que, mesmo na hora e lugares certos, o principal oponente a ser batido somos nós mesmos.

Lute amigo, pois como brasileiro, você já nasceu com as probabilidades de 10×1… contra você! Não digo isso com felicidade ou sarcasmo, mas como alerta para que façamos ainda mais e melhor. Um abraço, e até a próxima!

Leitura recomendadaVocê é o resultado de suas escolhas, portanto assuma logo a responsabilidade sobre sua vida

Foto “Victory”, Shutterstock.

Renato De Vuono
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