Luiz Felipe comenta: “Navarro, numa conversa com um amigo sobre crises financeiras ao redor do mundo, surgiu o assunto da compra de ouro. Você considera o ouro um bom investimento? Já vi você falar sobre proteção. Pode me orientar? Obrigado“.

Ouro e crise, está aí uma dupla que combina. Quando tudo vai bem, geralmente o ouro é esquecido pelas pessoas. Basta uma crise se instalar e o ouro volta para o vocabulário, como aconteceu na conversa mencionada pelo nosso leitor.

Ouro não é investimento

Primeiro quero deixar a minha opinião: ouro não é investimento; ouro é dinheiro. Sei que isso pode soar estranho, mas não podemos pensar em ouro como investimento. Embora ele sofra variações em seu valor quando comparado com nossa moeda (ou qualquer outra), o fato é que o ouro é a forma mais antiga e real de expressar o que é dinheiro.

Uma explicação simplista das variações de cotação do ouro é que são variações entre oferta e demanda entre ele e a moeda que está sendo usada no momento como fator de comparação. Digo simplista, porque de fato há outros fatores envolvidos, ainda mais quando o comparamos com nossa moeda.

O preço do dólar, por exemplo, é um fator adicional que influencia o preço do ouro em reais. Não quero aprofundar nisso, já que nosso objetivo aqui é outro, mais simples. Apenas como exemplo, veja este gráfico abaixo. Ele mostra a variação do preço do ouro em comparação ao Real, entre 2008 e 2016:

O ouro e seu papel na proteção do patrimônio

FONTE: Investing.com

Ouro é proteção

O importante neste texto é mostrar para você que o papel maior do ouro é proteção. Enquanto a moeda é apenas um papel (de fácil destruição, inclusive) que representa um valor monetário e que está sujeita à política monetária do país, o ouro é um bem físico.

Ele é muito resistente, possui valor reconhecido mundialmente e tem uma característica muito interessante: é limitado, ou seja, não é possível sair “criando ouro” da mesma forma que, por exemplo, é possível a um governo imprimir dinheiro.

Dessa forma, se pensarmos em um cenário catastrófico em termos de colapsos econômicos, podemos afirmar que o ouro físico, mesmo nestas condições severas, cumpre muito bem o seu papel de proteção. E ele ainda vai funcionar como dinheiro, pode ter certeza.

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Quanto do meu patrimônio devo ter em ouro?

Esta é uma pergunta difícil de responder, pois depende da evolução das crises, tanto nacionais quanto internacionais, e também de sua aversão ao risco. Dada minha resposta subjetiva, vou agora sugerir um número que eu pratico no meu plano de investimentos e proteção.

Acredito que hoje devemos ter 10% do patrimônio alocado em ouro. Acho isso suficiente. Fique de olho nos acontecimentos e altere esse percentual da forma como preferir, mas sempre considerando o ouro como proteção.

Como comprar ouro físico?

Pela Internet, com entrega pelos correios. Sim, parece uma coisa muito maluca uma empresa pegar um pouco de ouro e despachar para sua casa por Sedex, mas é exatamente isso o que acontece, e chega direitinho.

Você pode comprar ouro a partir de 1 grama. Como exemplo, citamos as distribuidoras Ourominas e Parmetal. O empacotamento pode ser em forma de cartão ou de lâminas, como mostrado nas figuras abaixo:

O ouro e seu papel na proteção do patrimônio

A venda pode acontecer para as mesmas empresas vendedoras de ouro, seja pessoalmente ou através do mesmo processo, via Correios, sempre respeitando a cotação do dia.

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Conclusão

Conhecido por muitos, mas comercializado por poucos, o velho e bom ouro continua sendo uma excelente opção de proteção em momentos de instabilidade e também uma ótima escolha com parte do patrimônio.

Foto “gold bars”, Shutterstock.

Conrado Navarro
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