Muitas pessoas, principalmente os jovens, têm dificuldade de entender uma regra básica de sobrevivência: gastar menos do que ganha. O que quero alertar é o que vai além da educação financeira, quero também chamar atenção para a questão da perspectiva e de padrão de vida.

Muitos ganham o suficiente para se manter, se divertir e poupar; outros precisam de duas vezes o que ganham hoje para continuar mantendo o que acham importante ter, mostrar e fazer.

Eu sei que muitos se apresentam de forma que não podem bancar simplesmente porque precisam ser socialmente “iguais” ou “melhores” que seus pares. Eu entendo e tenho pensado muito sobre isso em relação aos empreendedores.

Outro dia li um texto do Tony Robbins que dizia que somos como uma “máquina de fazer dinheiro”. Se você parar de trabalhar, a máquina para, o fluxo de caixa para, sua renda para, ou seja, você recebe de volta apenas o que você colocar nela.

Mas a questão principal é: sua máquina não pode somente continuar trabalhando até que você tome a decisão financeira mais importante da sua vida. Pense em:

  • Qual parte do que você ganha você vai usar para se manter?
  • Quanto você vai reservar?
  • Quanto você vai usar para pagar gastos extras?

Mesmo que seja com variável, transforme todas essas respostas em percentual e siga esse plano. A ideia é simples e básica, passa por fazer um orçamento das despesas, avaliar o que é necessidade mesmo e só gastar aquilo que for preciso.

Agora, se as suas necessidades são maiores do que o total que você ganha, trate de reduzir rapidamente o seu padrão de vida (a menos que você esteja disposto a trabalhar mais só para rolar e pagar juros bancários ou do cartão de crédito).

Não adianta, por exemplo, ganhar R$ 2 mil e gastar R$ 4 mil. Acredite, o padrão de vida é uma questão de costume. Você vai se acostumar rapidamente ao enquadramento do seu orçamento, basta começar. Ah, lembre-se que show off (aparecer!) não é investimento!

A questão não é relativa a deixar de fazer todas as coisas que te dão prazer só para economizar, mas deixar de fazer algumas coisas que você faz só para “aparecer” e que vai te fazer falta. O ideal é gastar menos e apenas em que for necessário. Por exemplo:

  1. Por que morar em um lugar que não se encaixa no seu orçamento?
  2. Por que tem um carro que o IPVA e o seguro são caros e pesam no seu bolso?
  3. Por que usa roupa de marca, se você pode usar um fast fashion?

Não adianta viver só para trabalhar e sei que não podemos abrir mão de todos nossos pequenos prazeres, porém, como disse, o mais importante não é quanto você ganha, mas como gasta seus recursos.

Uma boa notícia é que os valores estão mudando. Hoje, a sociedade e o ecossistema empreendedor dão muito mais valor ao capital intangível, o intelectual, do que em outras épocas.

Coisas como colaboração, compartilhamento e reciprocidade são as moedas mais valiosas deste século. Portanto, se você quer ou precisa aparecer, economize seu suado dinheiro com bens materiais e mostre-se de outra forma.

Se você se identificou com este relato, aproveite e comece agora a olhar por outras perspectivas e a repensar suas despesas, pois o homem só tem valor na área intelectual pelo o que ele sabe e, na área financeira, pelo o que tem em caixa e não pelo o que ele aparenta ter.

Pratique já a educação financeira já! A sua postura fala muito sobre você. Até a próxima!

Foto “Budgeting”, Shutterstock.

João Kepler
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