Patrimônio, dívidas boas e dívidas ruinsUma das principais dificuldades para que alguém construa uma vida financeiramente estável são as dívidas assumidas. Muitas vezes, as pessoas se endividam porque gastam com coisas que não acrescentam muito nas suas vidas: passeios nos lugares da moda, compra de objetos desnecessários, trocas desnecessárias de carro, viagens constantes para o exterior e outras “coisinhas” que, ao longo do tempo, representam gastos substantivos.

Essas dívidas são, de um ponto de vista estritamente financeiro, dívidas ruins. Não acrescentam em nada ao patrimônio[bb] e podem comprometê-lo no curto e, ainda pior, no longo prazo. Mesmo que o orçamento não se torne deficitário com essas despesas, ao longo de dez ou quinze anos o dinheiro gasto com elas seria o suficiente para adquirir um patrimônio que realmente faria diferença em sua qualidade de vida, como comprar uma boa casa, obter uma renda mensal para troca de carro , ir para o exterior anualmente e realizar todas as despesas anteriormente descritas.

A diferença é que, nesse caso, não se estaria destruindo o patrimônio, mas usufruindo dele de maneira sustentável. Afinal, quem “pagaria a conta” seria a renda decorrente do patrimônio acumulado e não o salário mensal. Independência financeira, por assim dizer.

Uma maneira de impulsionar os investimentos é assumir dívidas boas. Dívidas ruins são como ervas daninhas, que dificultam o crescimento de sua árvore do dinheiro. Dívidas boas, por outro lado, são um poderoso incremento para os seus investimentos. Elas não são efetuadas para o consumo, mas para aumentar o poder de crescimento do dinheiro. Um exemplo de dívida boa é o financiamento de um imóvel a baixo custo e subvalorizado, para alugar.

Um exemplo poderia ilustrar o ponto a ser destacado: digamos que o valor do imóvel a ser financiado seja de R$ 200.000,00. Se o investidor pagar uma entrada de R$ 50.000,00 e conseguir alugar o imóvel por R$ 2.200,00, com prestações do financiamento em 30 anos de R$ 1.500,00, obterá uma rentabilidade de 1% sobre o valor investido: afinal, o investidor[bb] pagou R$ 50.000,00 e recebe, líquido, R$ 500,00 por mês (R$ 2.200,00 do aluguel subtraídos R$ 200,00 de imposto de renda e R$ 1.500,00 de prestação).

Se ele conseguir financiar pelo sistema SAC, as prestações serão decrescentes, mas os aluguéis serão crescentes – ou seja, em pouco tempo, os seus R$ 50.000,00 estarão rendendo, líquido, mais de 1% ao mês, além de uma eventual valorização do imóvel. Em 30 anos, se o investidor não resolver antecipar o pagamento das prestações, ele terá um imóvel de R$ 200.000,00, que rendeu aluguel por 30 anos, e pelo qual ele pagou R$ 50.000,00, já que os aluguéis pagaram as prestações.

Esse financiamento fictício é um fantástico exemplo de dívida boa. Observe, contudo, que não estou incentivando o investimento em imóveis: o exemplo é absolutamente hipotético – o objetivo foi apenas ilustrar minha linha de raciocínio.

Outro exemplo de dívida boa pode ser o de investir em ações, em períodos de crise, com dinheiro emprestado. Imagine a situação de alguém que, em outubro de 2008, no ápice da crise, decidiu tomar um empréstimo de R$ 30.000,00 a uma taxa de 20% ao ano para investir em ações de boas empresas que estavam irracionalmente subvalorizadas.

Como o preço das ações estava muito baixo, mesmo se as ações caíssem abaixo dos 29.000 pontos (que foi o fundo do poço na última crise), elas provavelmente se recuperariam rapidamente. Hoje, seus R$ 30.000,00 poderiam ter se transformado em, pelo menos, R$ 60.000,00. O empréstimo poderia ser pago e o investidor teria tido um lucro excelente sobre o dinheiro emprestado. Ou seja, a dívida foi utilizada para aumentar o patrimônio.

O principal fator a ser considerado antes de contrair uma dívida boa é que ela deve render lucros cuja rentabilidade seja substancialmente maior do que os custos da dívida assumida. Se os juros pagos e demais encargos empatam com os lucros ou são superiores a eles, não faz o menor sentido assumir essa dívida.

Um exame razoável do investimento[bb] deve garantir que sua rentabilidade seja substancialmente maior do que o custo do empréstimo, para mais do que compensar o risco de que algo dê errado (por exemplo, de que o imóvel fique muito tempo sem alugar ou de que as ações não se valorizem como o previsto). Isso só pode ser calculado depois de muito estudo sobre os investimentos.

O investidor deve aprender a distinguir dívidas boas e dívidas ruins. O que parece uma dívida boa de início pode ser, na verdade, um engodo. Algumas pessoas, por exemplo, consideram razoável financiar um carro porque consideram que estão tomando uma dívida para construir patrimônio. Embora um carro tenha valor patrimonial, seu valor somente diminuirá ao longo do tempo (depreciação), ao passo que o banco estará recebendo os juros do financiamento normalmente. O financiamento de um carro só é investimento para a instituição financeira.

É claro que não estou defendendo que você deixe de viajar ou de curtir alguns dos prazeres que o dinheiro[bb] pode comprar. Mas é imprescindível usufruir da vida de maneira organizada e planejada, possibilitando que seu patrimônio, aos poucos e com a ajuda dos juros compostos, transforme suas economias, literalmente, em uma árvore de dinheiro.

Vez ou outra é importante assumir “despesas ruins”. Ir a um jantar em um restaurante da moda, comprar uma roupa mais cara ou fazer uma viagem ao exterior eventualmente faz parte da vida. Mas a grande questão é a necessidade de se planejar para que essas despesas estejam dentro do orçamento e não inviabilizem a acumulação do patrimônio no longo prazo – que, como já apontei, pode permitir um padrão de vida infinitamente superior no futuro.

Crédito da foto para freedigitalphotos.net.

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