Salve amigo leitor! Sou um mestiço da nova era: meio digital, meio analógico. Claro que para mim as transformações do mundo foram de rápida absorção, já que eu cresci acompanhando essas informações, mas, mesmo sendo aficionado por tecnologia, não chego nem perto dos “filhos da internet”.

Não há dúvida de que a tecnologia trouxe muitos benefícios, em muitas áreas, porém ela também expôs problemas crônicos da sociedade: o ser humano tem uma grande tendência a “emburrecer”, e a corrente simplificação da linguagem mostra isso.

Ao criar minha conta no Twitter, quando tal rede social era a mais nova mania do mundo virtual, havia um propósito de experimentação: claro, eu era publicitário, blogueiro e, por consequência, precisava “parecer antenado”.

Perguntei para muitas pessoas: o que é o Twitter? Ouvi as mais variadas explicações e nenhuma me convenceu ou foi capaz de definir o que de fato era essa nova “ferramenta de comunicação”. Não satisfeito com a teoria, resolvi ir para prática e descobrir eu mesmo o que era a tal novidade. Confesso que continuo sem saber…

A ideia seria compartilhar pensamentos em “tempo real” o dia todo com uma rede de “seguidores”. Ok, mas meus pensamentos são, em sua maioria, muito maiores que 140 caracteres; será que sou um desajustado? Meu Deus, isso é motivo para uma “crise de identidade digital”? Não consigo pensar de maneira objetiva e compacta, portanto estou “fora do jogo”?

Algum tempo depois, notei que (felizmente) sou como deveria ser. As pessoas que estão cada vez mais solitárias e superficiais, de modo que “conseguem” condensar suas ideias em poucas linhas. É a era da solidão e do pensamento enlatado.

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Claro, o mundo está cheio de pessoas interessantes capazes de te fazer refletir, rir ou chorar com uma frase de 140 caracteres. Esses são raros (e cheios de seguidores). No geral, estamos diante de pessoas que não são capazes de se aprofundar em nada; em nenhum assunto, conceito, pensamento ou sentimento; são as marionetes da sociedade moderna.

E assim a coisa segue: pessoas feitas em série, que comem, vestem e pensam as mesmas coisas. Até ontem ninguém sabia que a Índia ou a Turquia existiam. De repente estes países passam a ser tema de novela, e todos começam a usar os jargões da TV e passam a comprar aquelas roupas esquisitas ou voar de balão na Capadócia.

Chega a ser deprimente: se uma atriz famosa aparecer comendo “cocô de lhama peruana” e disser que é chique, o preço vai disparar no “mercado internacional de fezes animais” e comer merda importada pode se tornar “sinal de status”.

Para aqueles que não puderem comprar merda de lhama peruana, haverá sempre a merda genérica produzida por vacas chinesas. O importante é ninguém ficar sem um bom prato de estrume para comer. Estou exagerando, é claro, mas é porque quero causar uma reflexão de impacto!

Alguma novidade no que eu disse? Nenhuma! O mundo sempre foi assim, a internet só expôs a ferida de forma mais avassaladora. Afinal, para cada rei do passado sempre houve um bobo da corte e uma legião de servos submissos. Naquele tempo, os poucos que ousavam a pensar eram queimados, mutilados ou internados como loucos. O mais irônico disso é que os loucos do passado são os gênios do presente.

Como sempre, você deve querer saber: “Quando esse louco vai falar de dinheiro”? Simples: ao se comportar como gado, pessoas se endividam para ter o que não precisam com o dinheiro que não possuem ou simplesmente seguem a histeria coletiva vendendo na baixa e comprando na alta. Está claro agora? Namastê!

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PS: A intenção não é criticar o Twitter, que é sim uma ferramenta fantástica, principalmente se usada pelas pessoas certas. A crítica é para falta de conteúdo das pessoas, independentemente do meio pelo qual se comuniquem. O Twitter “apenas” detectou essa tendência social e facilitou a vida da maioria; outra prova de que existe vida inteligente (e muito) neste planeta.

Renato De Vuono
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