Personalidade do mês: Reinaldo Domingos - DiSOPCaro leitor do Dinheirama, chegou o dia de conversarmos com uma personalidade do universo das finanças pessoais e investimentos. O papo hoje é com Reinaldo Domingos, cujo livro “Terapia Financeira” já aparece na lista dos mais vendidos mantida pelo jornal Valor Econômico, divulgada toda quinta-feira. Sua trajetória profissional denota sua capacidade de realização – oriundo de família humilde, Reinaldo fundou uma das maiores empresas brasileiras do setor contábil, a Confirp. A conversa franca tem grande valia para aqueles ainda desinteressados na área e também para os que preocupam com a formação de nossas crianças e cidadãos.

Quem é Reinaldo Domingos?
Reinaldo Domingos nasceu em 11 de maio de 1961, em uma família humilde, no município de Casa Branca, cidade interior de São Paulo. Desde pequeno percebia, por intuição, que a melhor maneira para conseguir as coisas era trabalhar e guardar dinheiro até atingir o valor necessário. Então, para chegar a esse objetivo inicial que traçou, aos 12 anos consegue seu primeiro emprego como auxiliar de camelô na praça central da cidade. Começou assim sua poupança até finalmente comprar a bicicleta.

Suas idéias em relação ao dinheiro fazem parte de algo concreto que aprendeu e aplicou, com excelentes resultados em sua própria vida. Hoje, além de atuar no seu grupo, o Confirp, é consultor, terapeuta financeiro e presidente do DiSOP – Instituto de Educação Financeira, criado para ajudar outras pessoas a alcançarem também a sua independência financeira.

1. Reinaldo, você se define como terapeuta financeiro. Qual a diferença entre a terapia e a consultoria financeira? Elas se completam?

Quero primeiramente agradecer a oportunidade de poder utilizar esse espaço para divulgar minha missão de levar a educação financeira para crianças, jovens e famílias brasileiras, por meio da Metodologia DiSOP – que as pessoas podem conhecer na integra no livro “Terapia Financeira”. Quanto à diferença entre terapia e consultoria, é simples: um consultor trabalha as finanças de forma fria e técnica, enquanto o princípio da terapia financeira é o de que a mudança das pessoas em relação ao dinheiro se dá pelo comportamento das pessoas.

Este é o grande diferencial que sempre apresento em minhas palestras. Nisto está centrado o grande sucesso que nosso projeto está fazendo em nosso país: fazer com que as pessoas mudem seu comportamento, hábitos e costumes junto ao dinheiro, priorizando seu sonho e adequando seu padrão de vida à sua realidade financeira.

2. No livro “Terapia Financeira”, durante seus agradecimentos, você cita uma frase de Eleanor Roosevelt que diz: “O Futuro pertence àqueles que acreditam na beleza dos seus sonhos”. Quando você percebeu que poderia ajudar as pessoas a sonharem e a realizarem seus sonhos através da educação financeira?

Busquei esta frase de Eleanor Roosevelt porque acredito que devemos resgatar nossa auto-estima. Para realizar nossos sonhos, não basta sonhar. Temos que acreditar que todos os nossos sonhos são alcançáveis, e que, para isso, basta que os priorizemos. Quando falamos em sonhos, a primeira ação é registrá-los, buscando seu valor monetário e também o tempo para que ele possa ser realizado. Quando não fazemos isto, o sonho acaba sendo só um sonho. Temos que fazer dele algo concreto, acreditando que ele é realizável e que ele pode ser de curto, médio ou longo prazo. Temos que ter muita determinação, atitude e disciplina para alcançá-lo.

3. A saída para termos pessoas mais preparadas financeiramente passa pela educação financeira nas escolas e na formação do cidadão? Como colocar o tema em pauta e fazer esta necessidade realmente emplacar?

Nossas escolas não trazem em suas grades curriculares nenhum ensinamento de como administrar o dinheiro. Isso, infelizmente, não se vê nem mesmo nas grades curriculares de nossas escolas do ensino superior de economia. Acredito que temos que nos engajar no objetivo de divulgar a educação financeira para nossas crianças, jovens e famílias brasileiras, por meios dos lares ou das escolas de ensino fundamental, médio e superior. A falta de educação financeira já é um problema de gerações.

Nossos pais não aprenderam com nossos avós. Nós não aprendemos com nossos pais. Se não fizermos nada, estaremos fadados a passarmos mais esta geração e a de nossos filhos sem conhecer a educação financeira. Além de termos as saúdes física, mental e espiritual, temos que dar um passo decisivo para alcançar a saúde financeira, para que possamos viver com qualidade de vida e felicidade. Tudo começa com a atitude. Pensando nisto é que lancei minhas duas obras:  a de educação financeira para o adulto – “Terapia Financeira” (Editora Gente) – e a de educação financeira para crianças – “O Menino do Dinheiro” (Editora Gente).

4. Sua experiência com a terapia financeira resultou em uma constatação de que existe uma epidemia de desequilíbrio financeiro. Fale um pouco sobre a Metodologia DiSOP e como ela ataca esse grave problema.

Hoje temos mais de 80 milhões de brasileiros endividados no cheque especial, cartão de crédito ou em financeiras, o que é lamentável. Mas, temos com esta obra a grande oportunidade de promover uma grande revolução comportamental e combater este mal pela raiz, indo diretamente na causa e não mais no efeito do endividamento. Como? Tomando a atitude de acabar com o problema, descobrindo seu verdadeiro “eu financeiro”.

A Metodologia DiSOP fala, em seu pilar Diagnosticar, que a pessoa deve conhecer todos os seus tipos de despesas, até mesmo daquelas que passam desapercebidas, como gorjetas, cafezinhos, baladas e etc.  A independência financeira está em nossos pequenos gastos. Veja, não se tropeça em uma grande pedra em seu caminho, mas sim nas pequeninas.

Tem um ditado que diz que “se não sei qual caminho quero seguir, qualquer caminho serve”. O dinheiro também segue este ditado: “se não direciono o dinheiro para o caminho certo, alguém fará com que ele vá para outro caminho”. Portanto, muita atenção! Assuma o comando de sua vida financeira.

5. Percebemos em seu trabalho uma grande preocupação com as crianças, atitude ainda rara entre especialistas e educadores da área financeira – o lançamento de seu novo livro, “O Menino do Dinheiro” denota sua intenção. A grande questão que fica é: como podemos, em casa, orientar nossas crianças?

O livro “O Menino do Dinheiro” é uma obra lúdica, de linguagem simples, com 26 capítulos e 136 páginas, onde a criança verdadeiramente se envolve na historia de um menino que, logo aos 4 anos, aprende com sua mãe, Dona Previdência, que ele não pode ter tudo de uma só vez e que seu dinheiro guardado no cofrinho servirá para que ele possa realizar todos seus pequenos e grandes sonhos.

É neste ponto que quero ressaltar a importância desta obra: ela mostra que a criança deve ter sonhos e objetivos, aprendendo sobre quanto ela deve guardar, e por quanto tempo deve fazê-lo, para realizar seus desejos. O segredo está em nunca guardar por guardar, mas guardar sempre com um objetivo e sonho definidos.

Em nossos lares, em nossas escolas, devemos nos mobilizar para inserir estes conceitos básicos de poupar antes de gastar, sempre mostrando que apenas devemos ter ou adquirir alguma coisa quando tivermos todo o dinheiro em mãos. Assim, com certeza, estaremos corrigindo o ciclo de gerações endividadas e criando uma nova geração de pessoas e famílias independentes financeiramente.

6. O cenário econômico atual pode ser encarado como uma oportunidade para quem está com as finanças em dia? Se sim, como aproveitá-las de forma inteligente?

Sem dúvida. Onde há ameaças, sempre há também oportunidades. Neste momento, quem tem dinheiro disponível está diante de uma ótima oportunidade para investir nos mercados de renda fixa e variável. Os CDBs e fundos estão pagando muito bem. A bolsa de valores também é uma opção, pois as ações estão em fortes baixas. Quer momento mais propicio para investir e ter bons ganhos no longo prazo?

Mas, sempre oriento que as aplicações devem sempre ser acompanhadas de objetivos. Aplicar por aplicar não é interessante. Este é um dos segredos. Ah, e não se esqueça: se precisar de ajuda, chame um especialista da área, pergunte e aprofunde seus estudos e leituras. Vale a pena.

7. Aqui no Dinheirama e pelo Brasil todo é possível perceber que as mulheres se interessam, cada vez mais, por temas como finanças e investimentos. Essa observação nos levou a criar o clube de investimentos “Meninas com Dinheirama”. Como você enxerga esse movimento das mulheres buscando sua independência financeira e melhor gestão de seus recursos?

As mulheres já podem dizer: “Estamos assumindo o comando!”. Realmente as mulheres tiveram um grande avanço em todos setores e não é diferente nas finanças, pois possuem muito mais sensibilidade do que o homem. Além disso, são muito mais detalhistas, o que faz com que elas errem menos. Sempre menciono em minhas abordagens que a humildade é fator predominante na vida e a mulher com sua simplicidade e objetividade conquista um merecido lugar de destaque em nosso país e no mundo.

8. Como você enxerga a Internet enquanto ferramenta de discussão e aprendizado de finanças pessoais, economia e investimentos? Cremos que iniciativas deste tipo ainda são pouco valorizadas, mas devem tomar fôlego, especialmente entre os mais jovens. Você concorda?

A Internet chegou para ficar e seu crescimento e sucesso já estão sedimentados. Isso porque é um meio que traz, em tempo real, notícias, ensinamentos e conhecimento. Por outro lado, existe o problema que atinge muitas crianças: apenas com as ferramentas “copiar e colar” tentam enganar-se e a educação sai prejudicada, o que está fazendo um grande estrago.

Temos que achar uma solução para aliar a agilidade e facilidade ao desenvolvimento e aprendizado, fazendo com que nossas crianças tenham atividades de leitura e pesquisa que as levem ao melhor e estimulem seu conhecimento. Fora isso, a Internet é maravilhosa. Ela encanta e coloca o mundo em tempo real na sua frente. Acredito que, bem utilizada, é algo que estará beneficiando em muito nossas atuais e futuras gerações, tanto nas finanças pessoais, como no restante.

9. Considerando que nossos leitores lêem e discutem o universo das finanças pessoais diariamente, inclusive através de alguns de seus artigos, deixe uma mensagem para reflexão dos participantes e opine sobre a importância da educação financeira em suas vidas.

Aos amigos deste maravilhoso meio de comunicação, o Dinheirama, e seus leitores, quero manifestar minha alegria em poder responder estas perguntas. Aproveito e peço o apoio de todos nesta minha missão de levar a educação financeira para nossas crianças, jovens e famílias brasileiras. Como Presidente do DiSOP Instituto de Educação Financeira, agradeço a todos da comunidade Dinheirama. Tenham a certeza de que estaremos fazendo nosso melhor e nos colocamos a disposição para o que precisarem. Abraços à todos e que Deus esteja sempre conosco!

Que tal ganhar um exemplar do livro “Terapia Financeira”?
Temos dois exemplares para doar aos nossos leitores. Responda, no espaço reservado para os comentários, a seguinte pergunta: por que você considera a educação importante? Como ela é capaz de mudar a vida das famílias? A resposta julgada mais inteligente e prática levará um exemplar do livro. Os demais participantes participarão automaticamente de um sorteio, que definirá o ganhador do segundo exemplar. Participe! A promoção se encerra dia 10/11.

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Crédito da foto: DiSOP.

Conrado Navarro
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