Wagner Salaverry - Geração FuturoComo havíamos anunciado no início da semana, estréia hoje o quadro “Personalidade do mês”, que trará, mensalmente, uma entrevista exclusiva com um profissional de destaque da área financeira. Hoje o papo é com o gestor Wagner Salaverry, que trabalha na corretora Geração Futuro. São oito perguntas e muita opinião de qualidade sobre o mercado de ações[bb], as decisões dos investidores, quais devem ser seus objetivos e como devemos nos comportar em momentos de crise como o que vivemos atualmente. Aproveite!

Tudo leva crer que o cenário de instabilidade persistirá pelo menos nos próximos 6 meses. Ao mesmo tempo que a crise derruba o ânimo dos investidores (principalmente os iniciantes), cria ótimas possibilidades, graças a ativos com preços abaixo de seu valor justo. Como a Geração Futuro trabalha com esse cenário de dificuldades e ótimas oportunidades?

Wagner Salaverry: Em primeiro lugar, é importante esclarecer a impossibilidade de estimarmos por quanto tempo a crise persistirá. A imprevisibilidade, uma característica da renda variável, parecia até meio esquecida pelos investidores brasileiros, acostumados com um longo período de valorizações quase contínuas, notícias positivas predominantes e poucas incertezas. É interessante notar que uma crise nas cotações das ações é capaz de arrefecer ânimo dos investidores, mesmo que a realidade econômica e as perspectivas das companhias praticamente não tenham sofrido mudanças.

Os investidores, normalmente os menos acostumados com a renda variável, tendem a ampliar os efeitos tanto das notícias positivas quanto das negativas. Assim, se há um predomínio de fatos favoráveis à alta das ações, tudo parece uma maravilha – não se encontram riscos. Se começam a aparecer opiniões negativas, pessimistas, a avaliação muda rapidamente, e  torna-se desfavorável – o mundo que ia bem, com emergentes crescendo e se desenvolvendo, de uma hora para outra caminha para desaceleração, com queda de consumo e preços de muitos produtos.

Na Geração Futuro trabalhamos com um cenário realista, baseado em fatos e expectativas construídos a partir de nossa observação e análise dos fatos econômicos e das opiniões dos executivos das companhias que mantemos contato. Não vemos o atual momento como um cenário de dificuldades.

Pelo contrário, a economia brasileira está crescendo de forma consistente, as empresas estão apresentando resultados crescentes, os empresários mostram um elevado nível de confiança e o volume de investimentos sinaliza para montantes muito elevados. Soma-se a isso tudo uma situação de reduzido endividamento geral, que reduz riscos e potencializa a alavancagem.

Considerando que temos num cenário macro mundial uma situação em que os países emergentes estão crescendo em níveis muito superiores aos das economias desenvolvidas, a partir de maior consumo e investimentos de seus habitantes, a situação para o Brasil, um exportador de minério, petróleo, aço e celulose, e cada vez mais um grande consumidor destes produtos, só tende a melhorar. Há uma clara mudança no patamar de consumo, alterando volumes e preços destes produtos.

O cenário para os investidores brasileiros de ações é de oportunidade. Num momento em que o estrangeiro saiu de maneira acentuada e rápida de nosso mercado (em junho e julho os volumes foram recordes, com saídas líquidas de estrangeiros próximas a R$15 bilhões), vendendo nossas ações e derrubando preços, motivado por uma forte crise financeira nos EUA que se espalhou para outros mercados, o melhor é aproveitar os preços baixos e comprar.

Partindo do ponto de vista de um cenário ainda atrativo, principalmente no longo prazo, como você enxerga o papel da Geração Futuro? A forte atuação em poucas empresas ainda seria o melhor caminho pensando sob a ótica de carteira para seus clientes?

WS: Investimos em poucas companhias porque é difícil selecionar uma quantidade grande de empresas que venham a apresentar desempenho crescente e consistente de vendas, geração de caixa, lucro e rentabilidade capazes de proporcionar ganhos aos acionistas. Numa carteira muito extensa de ações é razoável admitir que algumas empresas/ações movimentar-se-ão melhores que as outras – em alguns casos, os ganhos de umas acabam sendo diminuídos por perdas em outras ações.

Preferimos trabalhar com poucas, mas selecionadas companhias. Acompanhamos seus desempenhos de perto, conhecemos profundamente os setores de atividade e temos melhores possibilidades de antever movimentos positivos e negativos. Paralelamente a tudo isso, estamos sempre observando e analisando o mercado, de forma a incluir novas alternativas.

Como gestores de recursos, nosso papel é muito claro: queremos proporcionar retornos elevados e consistentes aos nossos clientes, num horizonte de retorno a médio e longo prazos, através do investimento em selecionadas companhias, a partir de um trabalho sustentado exclusivamente na análise fundamentalista. Todo esse trabalho de excelência em análise e gestão tem de ser sempre executado com o melhor atendimento aos clientes, notadamente as pessoas físicas e com elevada transparência, de forma que os investidores possam saber onde e por que estão investindo – a partir de aportes de R$100,00 (cem reais).

A Revista Exame chegou a comparar a atuação da Geração Futuro com a estratégia de Warren Buffett. No seu ponto de vista, existe realmente uma semelhança? Como você avalia a estratégia Buy&Hold pensando no investidor pessoal?

WS: Tudo o que é bom e mostra resultados positivos e consistentes tem de ser avaliado e considerado como uma referência. Warren Buffett é o maior investidor do mundo, com um histórico de amplo sucesso e é uma referência a todos os que se dedicam a investir em ações, não a especular. Certamente, nós, e também muitos outros gestores, temos algumas semelhanças com Warren Buffett, ainda que não nos preocupemos em copiá-lo.

Acho que a estratégia de investir no longo prazo é a melhor, sem nenhuma dúvida, principalmente para o investidor pessoa física. Nós, sempre que investimos, tomamos uma decisão que esteja sustentada em elementos de longo prazo. No entanto, o acompanhamento contínuo dos setores e companhias é fundamental por permitir, em alguns casos, a percepção de que ocorreram mudanças estruturais capazes de afetar nossa decisão de investimento. Em outras palavras: investir sempre com horizonte de longo prazo, mas acompanhando os investimentos para assegurar que os fundamentos continuam valendo e que o potencial de ganho permanece atrativo.

Em uma recente entrevista para a revista Capital Aberto, você deixa claro que não acredita em uma supervalorização das empresas brasileiras, inclusive apontando a competitividade das melhores empresas como fator de destaque. Dentro desse cenário, quais mercados e empresas brasileiras terão papel principal no mercado mundial? Podemos ter boas surpresas com algumas empresas hoje ainda consideradas small caps?

WS: O momento atual parece apontar para um maior potencial de valorização, de maneira geral, das blue chips. As fortes quedas dos meses recentes (junho, julho e agosto) trouxeram empresas como Petrobras, Vale, Gerdau, Usiminas e VCP a patamares muito baixos de múltiplos, inferiores às demais alternativas de bolsa.

O investidor deve priorizar os ganhos, reduzindo riscos. Investir em small caps, considerando sua menor liquidez e valor de mercado, é uma alternativa interessante quando estas apresentam potenciais de valorização no mínimo superiores aos da blue chips. Essa era uma clara realidade do passado. As blue chips não estavam mais baratas que as small caps, e ainda não apresentavam taxas de crescimento dos resultados superiores as das empresas menores. De qualquer forma, não tenho dúvidas de que existem boas oportunidades entre as small caps.

Em maio foi lançado o Banco de Investimentos da Geração Futuro. Pensando nos clientes, como será a separação de trabalho entre a corretora e o banco? Que diferenciais os clientes poderão observar nesta nova fase do grupo?

WS: A atividade de gestão já há algum tempo é o nosso principal negócio. Temos mais de 60 mil clientes pessoas físicas e institucionais, que investem em nossos fundos e clubes. O Banco de Investimento foi criado para que estes investidores percebessem um upgrade institucional, de forma a ampliar sua segurança.

Já começamos a aumentar o portfólio de produtos, oferecendo um fundo de renda fixa com taxa de administração de apenas 0,6% – uma das menores do mercado a partir de R$100,00. Todavia, o foco principal continuará sendo a renda variável. A idéia é que o Banco de Investimento se torne o maior investidor de ações brasileiras, reunindo os recursos da maioria dos brasileiros, ainda pouco acostumados e aculturados às ações.

A Geração Futuro se utiliza muito do atendimento personalizado. Claro, também utiliza dos meios eletrônicos, como e-mail e internet para contato com os clientes. Existe hoje um público jovem que está realmente disposto a investir e as facilidades da Geração Futuro vão de encontro a esse público (no fórum Sociedade Dinheirama, por exemplo, todos os dias surgem discussões sobre a Geração Futuro). Existe realmente foco nesse público jovem e que vive essa tecnologia no dia-a-dia? É um novo nicho?

WS: O público jovem é muito importante, mas temos percebido que outros públicos também tem se interessado muito pelo investimento em ações. O brasileiro, em geral, já observou que a renda fixa não remunerará como antes e que, embora os juros tenham subido recentemente, eles dificilmente voltarão à situação do passado. O país mudou, a vida das pessoas está melhorando. E as empresas brasileiras estão liderando este processo.

Neste sentido, o aumento considerável de informações sobre o investimento em ações, os acentuados ganhos obtidos e acumulados dos últimos anos e experiências positivas, como os fundos FGTS e PIBB, ajudaram a desmistificar a bolsa de valores. São médicos, advogados, profissionais liberais em geral, funcionários públicos e de empresas privadas, executivos, gerentes e todo o tipo de profissionais, além dos jovens, que têm procurado conhecer e começar a investir nas ações brasileiras. Nossa percepção é de que o movimento está apenas iniciando e que o crescimento forte não deve parar nos próximos anos.

Como você vê iniciativas como o Dinheirama, um site sobre finanças pessoais, economia e investimentos mantido por pessoas interessadas em compartilhar suas experiências, dicas e metodologias para gerir melhor seu dinheiro? Vê com bons olhos a idéia? Acha que ela pode melhorar?

WS: Investidor informado, que se preocupa em perguntar, conhecer, descobrir o mercado de ações, é a melhor situação que se pode ter quando se deseja desenvolver as aplicações em renda variável. Sites como o Dinheirama só ajudam neste processo necessário de crescimento e desenvolvimento da cultura do investimento de risco.

Diante do cenário econômico atual (Bovespa super volátil, juros em alta e inflação), que dicas daria para o investidor pessoa física?

WS: Pensar no longo prazo. Investir sempre, porque é impossível saber se o momento atual é o melhor ou pior para se investir. Criar uma cultura de poupar e investir, reservando à bolsa a maior parte das economias. A hora é de aproveitar as oportunidades.

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Foto: divulgação.

Conrado Navarro
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