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PF falha em prender ex-CEO da Americanas, Miguel Gutierrez

O Ministério Público Federal (MPF) confirmou que os alvos dos mandados de prisão não foram encontrados pois estão no exterior

por Reuters
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A Polícia Federal tentou sem sucesso nesta quinta-feira cumprir mandado de prisão preventiva contra o ex-presidente-executivo da Americanas (AMER3) Miguel Gutierrez no âmbito da operação Disclosure, que apura a participação de ex-diretores da companhia na fraude contábil de 25,3 bilhões de reais que levou a empresa à recuperação judicial, disse à Reuters uma fonte com conhecimento da operação.

Além de Gutierrez, que atualmente mora na Espanha e por isso não foi encontrado pelos agentes da PF, a ex-diretora da Americanas Anna Saicali foi alvo de mandado de prisão preventiva, mas também está fora do país e por isso não foi encontrada, disse a fonte.

O Ministério Público Federal (MPF) confirmou que os alvos dos mandados de prisão não foram encontrados pois estão no exterior, mas não informou os nomes deles. A PF tampouco divulgou oficialmente os nomes dos envolvidos.

Em comunicado divulgado mais cedo, a PF disse que, além dos mandados de prisão, 80 policiais federais também buscavam cumprir 15 mandados de busca e apreensão nas residências de ex-diretores da varejista no Rio de Janeiro.

Os mandados foram emitidos pela 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro e as investigações são um esforço conjunto da Polícia Federal, Ministério Público Federal e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). As apurações contam ainda com a colaboração da atual diretoria da Americanas, disse a corporação.

Além dos mandados de prisão e de busca e apreensão, a Justiça também determinou o sequestro de bens e valores dos ex-diretores da Americanas investigados em um montante que passa da casa dos 500 milhões de reais, disse a PF.

“A investigação revelou ainda fortes indícios da prática do crime de manipulação de mercado, uso de informação privilegiada, também conhecido como ‘insider trading’, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Caso sejam condenados, poderão cumprir pena de até 26 anos de reclusão”, disse a PF na nota.

O rombo na Americanas foi revelado em janeiro de 2023 pela recém-nomeada diretoria da varejista. Na véspera do anúncio, as ações da empresa eram negociadas na casa de 12 reais. Na quinta-feira o papel fechou cotado a 0,40 real.

Posteriormente, a empresa, que tem como acionistas de referência o trio de bilionários fundadores da 3G Capital — Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira — acusou Gutierrez e outros ex-funcionários da empresa de cometerem fraude.

Gutierrez negou ter conhecimento de irregularidades contábeis na empresa durante o período que dirigiu a varejista. Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada na Câmara dos Deputados para investigar o caso, Anna Saicali negou ter participado de fraude na empresa.

Procurados, representantes da Americanas e de Gutierrez não responderam de imediato a pedidos de comentários. Não foi possível contactar representantes de Anna Saicali.

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