Alisson comenta: “Navarro, eu sempre tive cuidado em não gastar todo o dinheiro que ganhei com meu trabalho. Há pouco mais de 5 anos eu comecei a pensar e executar um plano financeiro para administrar melhor meu patrimônio. Hoje tenho muitos bens, mas confesso que estou exausto com tudo isso. Às vezes tenho vontade de vender tudo e viver de forma mais simples. O que acha? Obrigado“.

Este é apenas um trecho de um e-mail mais longo que nosso leitor me enviou. Ele faz parte de um grupo de pessoas educadas financeiramente, que conhecem os tipos de investimentos disponíveis no mercado financeiro e conseguiram construir um bom patrimônio financeiro. Enfim, seguiu um planejamento financeiro, no entanto não se sente feliz. O que deu errado?

O objetivo do planejamento financeiro

Sendo bem objetivo, um bom planejamento financeiro precisa trazer para você mais do que você tem hoje de fato. Não adianta você ter carrão, por exemplo, que esteja financiado. Uma dívida não é mais do que você tinha antes (salvo raras exceções uma dívida é sempre menos).

Um bom planejamento faz com que o dinheiro que antes era desperdiçado com bobagens agora seja poupado e investido para gerar mais dinheiro e qualidade de vida. Um planejamento inteligente também permite que você desfrute daquilo que realmente é prazeroso para você, mas de forma responsável, na medida certa.

No entanto, algumas pessoas cometem alguns erros durante o processo, pois não compreendem que há dois tipos de riqueza material, e é sobre isso que vamos conversar hoje.

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A riqueza que aprisiona

Aqui está o motivo de alguns realizarem um planejamento financeiro para ser triste. A riqueza que aprisiona é aquela que precisa ser sustentada por você. Isso acontece quando você faz uso dos lucros dos seus investimentos para bens de todo tipo que só aumentarão suas despesas e elevarão seu padrão de vida.

Estou falando de comprar diversos carros, casa na cidade, casa na praia, sítio na montanha, barco, uma moto esportiva e por aí vai. Agindo assim, você terminará por não ter outros investimentos que gerem dinheiro, como aplicações financeiras ou outros negócios lucrativos.

A questão é simples: você precisará trabalhar cada vez mais para sustentar seus passivos. Com o passar do tempo, se sentirá exausto e infeliz. Pense que em vez de ter uma casa na praia, que você usará relativamente pouco, pode fazer sentido investir o dinheiro deste bem e com ele gerar recursos para alugar um imóvel por temporada (ou ficar em hotel), e muito mais.

A riqueza que liberta

Por outro lado, se você faz um planejamento financeiro para ser feliz, cuidará de fazer com que o dinheiro poupado seja gerador de mais dinheiro, felicidade e qualidade de vida. Você terá paciência e saberá esperar até acumular um montante suficiente para comprar aquilo que realmente te faz feliz, sem ter que destruir suas fontes de recursos financeiros.

Isso é consumir de modo duradouro, sustentável e consistente. Nada de antecipar as coisas, de fazer extravagâncias ou ostentar bens apenas para poder dizer por aí que você tem isso, aquilo e aquilo outro. Aqui o objetivo é aproveitar seu patrimônio financeiro como ferramenta de sustentação do padrão de vida, e não o contrário. Isso é ser livre!

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Conclusão

Realizar apenas um planejamento financeiro não é tudo. Você precisa definir um rumo para o seu dinheiro. Caso contrário, você e seu dinheiro serão atraídos pelos apelos do consumismo, que utilizam técnicas cada vez mais poderosas (como o neuromarketing) para criar necessidades que não tem relação com aquilo que gera felicidade e paz para você.

Portanto, pense nisso, e não traia você mesmo. A sua riqueza sempre irá depender de suas escolhas, mas para realizá-las é imperativo que você se conheça cada vez mais e melhor.

Foto “happy couple”, Shutterstock.

Conrado Navarro
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