Parceiros comerciais de longa data, Brasil e China têm acordos de exportação há tanto tempo que poucos países podem se gabar de serem tão “fiéis”. Não por menos, a China é a maior importadora de recursos minerais e soja do Brasil, sendo peça chave da nossa economia em vários sentidos.

Fundamentalmente, para entender essa relação é preciso compreender algumas características da economia como um todo, algo importante nesse momento para compreender de fato as consequências que os problemas econômicos nas duas economias podem causar.

O histórico dessa relação comercial

Desde os anos 90, as economias emergentes do mundo começaram a entrar, de maneira paulatina, nos eixos do crescimento sustentável. Nos anos que se seguiram, esse crescimento se tornou grande o bastante para contrapor países de primeiro mundo, principalmente da Europa.

E enquanto a economia dos países emergentes crescia, Estados Unidos e Europa se viam frente a uma grave crise econômica, que assolou os principais países que moviam a economia mundial.

Os resultados dessa crise ainda são visíveis em países como a Grécia, que continua mostrando ao mundo sinais de incapacidade para superar as dificuldades proporcionadas pela ruptura econômica em boa parte da União Europeia.

Ao mesmo tempo que as economias dos países desenvolvidos declinavam, a economia chinesa continuou crescendo, chegando a marcar índices de crescimento de 12% ao ano. Após todo esse crescimento acelerado, ela está agora em um período de desaceleração, o que reduz substancialmente os investimentos, a importação e, por consequência, a movimentação dos mercados parceiros.

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Como o Brasil é afetado pela economia chinesa?

Enquanto eram registrados os maiores índices de crescimento da economia chinesa, uma alta demanda do mercado interno por commodities foi registrado; para suprir essa necessidade, aumentaram as importações dos países parceiros. O Brasil foi um dos maiores beneficiários desse boom, conseguindo, por consequência, alavancar o seu crescimento.

Pode-se dizer que o crescimento do Brasil depende muito do apetite chinês; logo, a desaceleração da economia chinesa impacta diretamente a desaceleração da economia brasileira.

Embora tenhamos outros países parceiros que agora saem da crise e voltam a aumentar suas importações, nenhuma parceria comercial é tão grande a ponto de suprir a queda de importações do mercado chinês.

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Quais as soluções para a economia brasileira?

Embora tenha-se tentado redirecionar as commodities para outros mercados, a verdade é que todos os países que exportam esses produtos para a China estão passando por maus momentos. O Brasil tem tentado estimular a produção e consumo interno, além de estender sua parceria para outros mercados, como Índia e Rússia.

Ainda assim, a principal medida observada tanto pelo Brasil quanto pelos Estados Unidos e União Europeia é a pressão para que o governo chinês tome medidas de estímulo ao consumo em seu mercado interno.

De certa forma, é a mesma medida que o Brasil tomou nos últimos anos para tentar amenizar os efeitos da crise. Para outros países mais desenvolvidos, esse desaquecimento pode ser ainda pior, já que eles ainda se recuperam do baque de uma grave crise. Muito provavelmente, os próximos 5 anos serão decisivos para essa relação.

Por outro lado, fica claro que o Brasil precisa abrir seus horizontes para outros mercados, costurando acordos comerciais significativos com EUA e outras potencias mundiais. O Mercosul tornou-se um fardo que brecou o desenvolvimento regional, visto que o imaginário populista de uma grade pátria latina parece hoje cada vez mais discurso ideológico de quem quer se perpetuar no poder.

Termos por aqui uma economia mais dinâmica, que não dependa apenas de commodities, é algo a se buscar, mas tal transformação dependerá de nossa condição de nos enxergarmos como um dos países que irão conduzir o mundo nas próximas décadas e não mais como mero coadjuvante que depende da “boa vontade” dos atores principais. Até a próxima!

Foto “China and Brazil”, Shutterstock.

Ricardo Pereira
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