É muito comum os investidores escolherem as aplicações que envolvam algum risco com base no retorno do último ano ou, pior ainda, do último mês. Com exceção das aplicações de renda fixa pós-fixada – aquelas que acompanham a variação da taxa Selic ou do CDI -, todos os investimentos devem ser avaliados num período mais longo, dois anos ou mais.

Neste post vamos entender por que os investidores que têm procurado aplicações em dólar e até mesmo em ouro nos últimos meses – investimentos que têm subido – devem tomar cuidado para não perder dinheiro.

Rentabilidade atraente

Quando um investimento apresenta rentabilidade acima de 1% em determinado mês ou com mais de dois dígitos em determinado ano, vemos a procura por estes ativos crescer nos períodos subsequentes.

É comum os investidores “seguirem as estrelas”, ou seja, escolherem o produto que alcançou o maior retorno no último período, contando com que aquele resultado vá se repetir.

Com base apenas no último ranking de investimentos, esses indivíduos não avaliam se o perfil do produto é compatível com o seu perfil de investidor e quais são os riscos envolvidos. Assim, fazem uma escolha mais suscetível às perdas, pois, em geral, a aplicação que mais se valoriza é também a com maior chance de cair, ou seja, é a que tem mais risco.

Aprendendo com as NTN-Bs

Em 2012, as NTN-Bs, títulos públicos indexados ao IPCA, entregaram um excelente resultado devido à redução de taxa de juros. No ano que a taxa Selic chegou a 7,25% ao ano, menor nível já alcançado no Brasil, o IMA-B, índice representativo da variação do preço destes papéis, subiu 26,68%.

Diante desta valorização, no início de 2013 observamos uma grande procura por estes produtos e por fundos de inflação (pois também investem em NTN-Bs). Porém, naquele ano, o cenário econômico mudou.

Pressionado pela inflação, o Banco Central foi obrigado a subir os juros e os preços das NTN-Bs desta vez perderam valor. O IMA-B caiu 10,02% em 2013, queda expressiva e com muito prejuízo realizado.

Especulando com o dólar

A moeda foi o melhor investimento em 2013, fechando o ano com valorização de 14,64%, enquanto o Ibovespa registrava queda de 15,50% e o IMA-B de 10,02%. Diante do bom desempenho, a procura por fundos cambiais aumentou e, novamente, aplicações foram realizadas na expectativa de o resultado se repetir.

Com a aceleração da recuperação da economia nos EUA e a expectativa de alta da taxa de juros dos títulos do Tesouro americano, o preço do dólar pode subir ainda mais, todavia, até o final de julho deste ano, o câmbio registrava queda de mais de 3%. Assim, mesmo que a cotação chegue a R$ 2,50, dificilmente se encontrará entre os melhores investimentos de 2014.

Ilusão com o ouro

No final de junho deste ano, uma cliente entrou em contato comigo perguntando por que eu não havia sugerido a ela a aplicação no Fundo Órama Ouro, já que ele tinha oferecido a melhor rentabilidade no mês. Exemplos como este não me faltam.

Expliquei a ela que a alta de 3,48% foi atribuída às tensões internacionais presentes durante o mês, como os conflitos no Iraque, a possibilidade do calote argentino e a crise entre Ucrânia e Rússia. Por todos esses fatores, o preço do ouro subiu no mercado internacional.

Aqui seria bom entrar uma “previsão” do que pode acontecer com o ouro, a exemplo do que foi feito com o dólar. Com a economia global se recuperando e com as perspectivas de alta para os juros americanos, o ouro deverá perder valor, pois os investidores enxergam oportunidades mais rentáveis em outros ativos.

O ouro é um ativo muito volátil, por isso é indicado apenas para diversificar carteiras amplas e não deve ultrapassar mais do que 5% do valor total da carteira do investidor.

Emoções e o efeito manada

Ao escolher um produto para aplicar seus recursos, o investidor precisa conhecer os riscos envolvidos. A menos que escolha um produto de renda fixa pós-fixado, como a LCI e a LCA, que acompanha a variação da taxa de juros, é preciso saber que os preços dos ativos oscilam no curto prazo e que podem ocorrer variações negativas. Portanto, para alcançar bons resultados, além da seleção rigorosa de produtos, é preciso seguir um plano.

Sem a direção que um plano proporciona, em geral após períodos de resultados negativos, com medo de perder mais, os investidores resgatam sem pensar, dominados pela emoção, eliminando, assim, a oportunidade de recuperação. Infelizmente vejo isso acontecer com muita frequência.

Entretanto, não só as quedas nos preços dos ativos podem gerar o “efeito manada” – quando investidores tomam decisões de alocações baseados na emoção, com pouco ou nenhum embasamento técnico, simplesmente seguindo o comportamento de um grupo. A empolgação com as rentabilidades recentes também podem levar a esse comportamento.

Um exemplo de efeito manada, que ocorreu no final de 2012, foi a grande busca pelos fundos imobiliários. Na ocasião, com a redução da taxa de juros e da rentabilidade da poupança, os investidores buscavam uma alternativa relativamente segura e que proporcionasse rendimento melhor.

Como os fundos imobiliários tinham performado muito bem em 2011 e 2012, muitos aplicaram sem entrar nos detalhes das características deste produto, como a variação dos preços dos imóveis e a baixíssima liquidez, ou seja, dificuldade caso o investidor queira se desfazer do papel, e acabaram se decepcionando.

Warren Buffett, o grande investidor americano, disse que o segredo para ganhar dinheiro com investimentos é segurar as emoções. Sabemos que é difícil separar, mas vamos procurar ser um pouco mais racionais na hora de aplicar ou de desinvestir.

Cuidados antes de investir

Há muitos fatores que devem ser ponderados no momento de escolher um produto para investir. O histórico de rentabilidade é apenas um deles é deve ser longo e consistente.

Depois de desenhar um plano, escolher bons produtos e montar uma carteira diversificada, o investidor deve tentar controlar as emoções e seguir este plano, não deixando que as variações de curto prazo o joguem no meio da manada.

Lembre-se sempre que em se tratando de investimentos, “seguir as estrelas” que hoje estão “brilhando” pode não ser uma boa estratégia. Qualquer dúvida que ainda tenha ou conselho que necessite, entre em contato comigo através do canal “Fale Com a Sandra”. Obrigada e até a próxima.

Nota: Esta coluna é mantida pela Órama, que contribui para que os leitores do Dinheirama possam ter acesso a conteúdo gratuito de qualidade.

Foto “Finance system”, Shutterstock.

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