César pergunta: “Então, para quem é assalariado no serviço público, como fazer pro dinheiro trabalhar pra gente? Ou seja, investir em que nessa ciranda financeira”?
Leandro diz: “Eu tenho uma pequena curiosidade sobre investimento,já que sou leigo. Qual seria o melhor investimento atualmente? E gostaria, se fosse possível,que vc explicasse sobre investimentos na bolsa de valores”.

Caros César e Leandro, obrigado pela visita e por deixarem seus comentários. Tomei a liberdade de comentar ambas as perguntas num mesmo artigo, tudo bem? A pergunta sobre o melhor investimento é a pergunta para qual todos esperam uma resposta simples e direta. De preferência algo que represente pouco risco e ofereça muito retorno. Como já podemos imaginar, tal resposta não existe. O que existe é uma variedade enorme de opções, que devem ser analisadas e escolhidas, ou não, só depois de estudados seus riscos, características e rentabilidade.

Costumo explorar quatro pilares quando vou escolher um local para investir: o histórico, sua relação com a economia nacional (e global), sua rentabilidade e seus riscos. Abaixo estão meus comentários para cada um dos referenciais citados.

Histórico: é importante saber como determinada aplicação se comportou durante os anos passados, especialmente durante conhecidas crises e momentos de pujança econômica. Em outras palavras, analisar suas altas e baixas, retornos e risco durante uma já percorrida linha de tempo, traçando paralelos aos momentos históricos vividos pelo país e pelo mundo. Desta forma, você pode entender o que aconteceria com seu dinheiro caso o país/mundo venha a viver novamente períodos semelhantes. Vale lembrar que histórico nenhum deve ser usado como base para determinar seus ganhos futuros, mas como uma ferramenta para entender suas características e reações.

Relação com a economia nacional (e global): aqui tem-se um desdobramento do item anterior, porém com foco especial nos últimos 12 meses, entendendo quais possíveis cenários e reações econômicas se aproximam. Não se trata de advinhar, mas de entender, por exemplo, que com os juros em tendência de baixa, aplicações a eles atreladas tenderão também a render menos. Não é preciso ser expert em macroeconomia, basta acompanhar as notícias e debates sobre o tema.

Rentabilidade: aqui deve ser levada em consideração a rentabilidade real da aplicação em estudo, ou seja, depois de descontadas a taxa de administração, a mordida do Leão e a inflação. Algumas vezes a rentabilidade bruta chama a atenção, mas uma alta taxa de administração pode ser suficiente para que hajam opções melhores em outras instituições.

Riscos: é importante saber se teremos ou não emoções fortes. Mas não podemos simplesmente arriscar tudo e correr o risco de perder tudo. Investimento não é cassino. É preciso ser prudente, mas acima de tudo inteligente. A diversificação é a prática recomendada, criando um portfólio composto de investimentos de baixo, médio e alto risco. A proporção dependerá do apetite de cada um pelo risco e do tempo em que o dinheiro permanecerá aplicado.

Leiam mais sobre o que falamos nos artigos já publicados:

Espero ter ajudado mais que confundido. De novo, não há uma resposta direta quando a pergunta é onde investir. É importante compreender os conceitos envolvidos nessas decisões e então analisar as opções disponíveis nas instituições e no mercado. Obrigado pelas perguntas e contem sempre comigo. Um abraço

PS: Estou preparando um material sobre a compra e venda de ações e por isso não entrei em nenhum detalhe neste artigo. Já tenho algumas perguntas neste sentido e elas serão respondidas assim que possível. Notem que, assim como disciplina faz toda a diferença para controle do orçamento, ela também faz para quem quer entrar no mercado de ações, conforme nos conta o blog DeltaTrade, em seu artigo Disciplina é tudo!

Conrado Navarro
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