Portabilidade de crédito bate recorde com queda dos jurosO número de operações de portabilidade de crédito nunca foi tão alto no país. Em abril, foram 55.944 operações entre as instituições de crédito, registrando o maior número da série histórica que representou um volume de R$ 748,8 milhões, segundo dados disponibilizados pelo Banco Central (BC).

Para financiamento ou dívida, o grande impulsionador deste recorde foram as reduções da taxa básica de juros (Selic) promovidas pelo BC desde julho de 2011, além da política de baixa dos juros comandada pelos bancos públicos.

Os consumidores viram a Selic reduzir 5,25 pontos percentuais (42%) de julho de 2011 a março de 2013. Com a taxa básica de juros indo de 12,50% para 7,25% ao ano, a taxa de juros média para pessoa física apresentou uma redução de 33,24 pontos percentuais (27,42%), de 121,21% para 87,97% ao ano, de acordo com pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).

Evolução da portabilidade

Nos últimos doze meses, o número de operações cresceu 51%, o maior registro da série histórica. O crescimento da concorrência no setor bancário é um dos motivos que justifica o aumento da portabilidade de crédito, de acordo com posição do Banco Central, em seu relatório de Estabilidade Financeira publicado em março.

“Como as instituições públicas reduziram suas taxas de forma mais significativa, essas foram as que mais receberam créditos de outras instituições”, relatou o órgão em comunicado.

Por sua vez, o aumento da participação relativa dos bancos públicos é notável. Em dezembro de 2012, essas instituições financeiras marcaram 47,9% da carteira total, enquanto que cinco anos antes registravam 33,8%.

O estoque de financiamento da Caixa Econômica Federal anotou um crescimento de 43% em 12 meses, com fim em fevereiro, superior aos 41,8% registrado em 2012. No ano passado, Caixa e Banco do Brasil foram os líderes na concessão de empréstimos, especialmente para consumo.

Segundo Miguel Oliveira, presidente da Anefac, os bancos privados perceberam essa tendência mais agressiva dos bancos públicos sobre a queda da taxa e também já diminuíram suas taxas, mas de maneira mais “silenciosa”.

As dívidas no cartão de crédito e no cheque especial são outro ponto ressaltado por Oliveira. Apesar do BC não dividir os números por modalidade, o presidente da associação acredita que tais dívidas estejam liderando este movimento mesmo que elas tenham caído.

Em média, de 10,69% para 9,37% desde julho de 2011 (-45,36%) em dívidas no cartão de crédito, e de 8,27% para 7,72% (-15,39%) no cheque especial. Porém, a queda pode ter sido maior ou menor conforme a instituição financeira.

Via: iG. Fonte: Banco Central.

Negociação e transparência

Os especialistas recomendam sempre comparar as condições oferecidas por cada instituição financeira para verificar se vale a pena portar a dívida. A transparência dos bancos também ajuda neste processo, pois facilita a vida do consumidor que poderá comparar as tarifas cobradas por cada banco.

“O banco não bate na porta do cliente para oferecer melhores condições. Cabe a ele tomar a iniciativa”, diz Oliveira.

Em outras palavras, antes de efetuar a portabilidade o consumidor deve cogitar a renegociação da dívida ou trocar a modalidade por outra mais barata no próprio banco. Para isso, é preciso coletar informações.

“Se o consumidor apenas pressionar seu gerente com ofertas de outros bancos, vai abrir uma grande margem de negociação”, diz Samy Dana, professor de economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Taxas de juros cobradas em cada modalidade

ModalidadeBanco do BrasilItaúBradescoCaixaSantanderSafraCitibankHSBC
Cheque especial5,028,018,264,059,747,3810,039,67
Aquisição de bens2,10n/d3,071,741,89n/dn/d5,58
Aquisição de veículos1,241,351,381,261,381,261,30n/d
Financiamento imobiliário com taxas reguladas e pós fixadas (ao ano)7,689,519,095,668,65n/dn/d8,85
Crédito pessoal consignado (privado)2,152,542,801,682,111,852,522,16

Fonte: Banco Central
*n/d – não divulgado
*taxas válidas de 16/4/13 a 22/4/13

Conhecer o Custo Efetivo Total (CET) do financiamento também é muito importante no processo de tomada de decisão. Nele estão inclusos taxas envolvidas nas operações que podem não estar expostos durante a promoção da modalidade.

Além disso, Dana alerta para a combinação de taxa e prazo. “Se pagar uma taxa de juros menor, mas for obrigado a pagar por prazo maior no novo banco, o consumidor vai pagar juros desnecessariamente”.

Continue a leitura

Temas relacionados à dívida, endividamento e crédito são recorrentes no Dinheirama visto sua grande importância na saúde financeira de cada um. Continue sua leitura com alguns de nossos artigos sobre os assuntos.

Fonte: iG. Foto de freedigitalphotos.net.

Willian Binder
Aviso: Os textos assinados e publicados no Dinheirama.com não representam necessariamente a opinião editorial do Blog. Asseguramos a qualquer pessoa, empresa ou associação que se sentir atacada o direito de utilizar o mesmo espaço para sua defesa. Também ressaltamos que toda e qualquer informação ou análise contida neste blog não se constitui em solicitação ou oferta de seu autores para compra ou venda de quaisquer títulos ou ativos financeiros, para realização de operações nos mercados de valores mobiliários, ou para a aplicação em quaisquer outros instrumentos e produtos financeiros. Através das informações, dos materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog, os autores não estão prestando recomendações quanto à sua rentabilidade, liquidez, adequação ou risco. As informações, os materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog têm propósito exclusivamente informativo, não consistindo em recomendações financeiras, legais, fiscais, contábeis ou de qualquer outra natureza.

Comentários