De poupador a investidor: o desafio do brasileiroEu costumo brincar com os amigos que, até pouco tempo atrás, o brasileiro brincava de guardar dinheiro, afinal, em qualquer investimento de renda fixa era relativamente fácil conseguir rentabilidades de dois dígitos. Hoje o cenário é diferente e obriga o brasileiro a se preparar para finalmente se tornar um investidor.

Sim, porque investir é uma arte muito mais sofisticada do que apenas poupar. O que preocupa boa parte das pessoas que trabalha no mercado financeiro é justamente não perceber a disposição da maioria das pessoas em enfrentar esse desafio – ou, se preferir, “aproveitar essa oportunidade”.

Investimentos tradicionais já perdem para a inflação

A caderneta de poupança, mesmo com todas as alterações que reduziram significativamente sua rentabilidade, continua sendo o investimento preferido da maioria da população. Não está fácil conseguir resultados melhores, mas está na hora de olhar para “fora da caixa”, analisar e buscar novas possibilidades.

Em fevereiro, a caderneta de poupança (com a nova fórmula) rendeu ao aplicador 0,41%, enquanto o IPCA, índice oficial de inflação usado pelo governo, deve chegar a 0,43%. Contra números não existem argumentos: poder de compra perdido!

Outros investimentos tradicionais também perdem para inflação: os chamados fundos DI também apresentaram o mesmo percentual da poupança ao mês, média de 0,41%. Os fundos de renda fixa chegaram ao patamar de 0,27%. Alguns investimentos tiveram resultados negativos: o ouro caiu 6,54%, o índice Ibovespa despencou 3,91% e dólar caiu 0,65%.

Mesmo com o Ibovespa refletindo o atual cenário de incertezas do atual momento econômico do país, este novo cenário (juros baixos mais inflação) exige que o investidor comece a olhar com carinho o mercado de ações – falo de um olhar diferente, sem fantasia e com muito pragmatismo.

A bolsa de valores é o caminho natural para a população de países que passam pelo amadurecimento econômico, afinal os juros altos não fazem bem a ninguém, só aos especuladores.

Mercado de ações, uma oportunidade a considerar

Quem não tem a disposição ou mesmo tempo suficiente para investir diretamente na bolsa deve buscar alguém especializado no assunto. Esse tipo de serviço existe nas corretoras de valores e até mesmo nas gestoras independentes, que fazem um ótimo trabalho na oferta e gestão de fundos de investimentos.

A verdade é que com o Brasil de 2013 não existe mais facilidade. As oportunidades estão por ai, mas só para quem vai de encontro a elas. Os aventureiros que me desculpem, mas a hora é de estudar e fazer acontecer. Traduzindo: a zona de conforto só o manterá um poupador, porque ser investidor é outra coisa, requer dedicação e iniciativa.

Os leitores que entraram no mercado de ações no passado e hoje passam por incertezas com a queda de preço em ações de empresas como Vale e Petrobras devem adotar a cautela como principal estratégia. Se o dinheiro investido for para o médio e longo prazo, sugiro manter a calma, afinal as empresas continuam grandes e, em minha opinião, podem reverter os prejuízos dos últimos meses.

Quem for usar o dinheiro em pouco tempo, vale levar em conta a instabilidade presente e ainda por vir, inclusive refletindo as preocupações com o cenário externo, ainda de difícil avaliação. O risco existe e quem brinca com ele pode se dar muito mal.

Continue lendo bastante sobre o assunto e buscando cada vez mais informação. A diferença entre os bons e maus investimentos pode estar justamente na importância que você confere as informações sobre dinheiro. Dedicar-se a isso é o que fará a transformação tão necessária daqui pra frente: de poupador a investidor. Um ótimo final de semana e até próxima.

Foto de freedigitalphotos.net.

Ricardo Pereira
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