Certa vez, ao passar por uma banca, vi que a matéria de capa de uma revista de grande circulação trazia o famoso e batido passo a passo para se tornar um bom poupador e, assim, construir um futuro milionário.

Esse tipo de matéria nas revistas de atualidades é praticamente obrigatório; uma vez por ano, no mínimo, elas estão lá, trazendo mais do mesmo, porém com palavras diferentes. É como falar de Ferrari em revista de carro: todo mês tem!

Curioso que sou, resolvi gastar meu rico dinheirinho para ver se havia algo novo neste velho pote de ideias requentadas. E qual foi minha surpresa? Nenhuma novidade, é claro. É a velha paranoia de “poupar, poupar e poupar” e “abrir mão de prazeres imediatos” para aproveitar o futuro.

Mas a pergunta que não me sai da cabeça (esse foi tema de um dos meus primeiros posts aqui) é: e se o futuro não chegar? Confesso que eu nunca tive a oportunidade de fazer este questionamento a algum especialista obcecado por poupar. O que você responderia?

Vou mais fundo no assunto e aproveito para adiantar que não se trata de uma ideia cataclísmica de fim do mundo, nada disso! A questão é a efemeridade e fragilidade da vida. Sinto que essas pessoas não têm claro em suas mentes que o único minuto que temos é esse, o agora. Ontem é história e amanhã talvez nunca chegue.

Qual é o ponto de poupar a vida toda, deixando os prazeres imediatos de lado para correr o risco de, no momento de aproveitar sua poupança, não ter saúde para tal? Isso faz sentido?

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Imagine que você abriu mão de viajar o mundo em nome do tal “futuro planejado” e, quando esse futuro chega, sua saúde não permita mais fazer longas viagens de avião. Dá para calcular o prejuízo emocional causado por tal frustração? Equilíbrio é a palavra-chave aqui.

Tem um texto do Max Gehringer que gosto muito e por isso resolvi transcrevê-lo na íntegra, já que ele pega exatamente na “veia” da questão, leia:

Li em uma revista um artigo no qual jovens executivos davam receitas simples e práticas para qualquer um ficar rico.

Aprendi, por exemplo, que se tivesse simplesmente deixado de tomar um cafezinho por dia, nos últimos quarenta anos, teria economizado R$ 30 mil; se tivesse deixado de comer uma pizza por mês, R$ 12 mil; e assim por diante.

Impressionado, peguei um papel e comecei a fazer contas. Para minha surpresa, descobri que hoje poderia estar milionário. Bastaria não ter tomado as caipirinhas que tomei, não ter feito muitas viagens que fiz, não ter comprado algumas das roupas caras que comprei.

Principalmente, não ter desperdiçado meu dinheiro em itens supérfluos e descartáveis. Ao concluir os cálculos, percebi que hoje poderia ter quase R$ 500 mil na minha conta bancária.

É claro que não tenho este dinheiro. Mas, se tivesse, sabe o que este dinheiro me permitiria fazer?  Viajar, comprar roupas caras, me esbaldar em itens supérfluos e descartáveis, comer todas as pizzas que quisesse e tomar cafezinhos à vontade.

Por isso, me sinto muito feliz em ser pobre. Gastei meu dinheiro por prazer e com prazer. E recomendo aos jovens e brilhantes executivos que façam a mesma coisa que fiz. Caso contrário, chegarão aos 61 anos com uma montanha de dinheiro, mas sem ter vivido a vida.

Não eduque seu filho para ser rico, eduque-o para ser feliz. Assim ele saberá o valor das coisas e não apenas o seu preço. Que tal um cafezinho?”

Não é preciso dizer muito mais, certo? Em tempo: que fique claro que não estou dizendo para sair gastando tudo tresloucadamente, fazendo dívidas e se metendo em problemas. Mas quem gasta somente o que tem, não deve nada a ninguém. Poupar é bom e importante, mas na medida certa. Aliás, nada em excesso faz bem.

Então determine um percentual de sua renda e destine-o à sua velhice, poupar de 10% a 20% da renda dos 20 até os 60 anos deve ser mais do que o suficiente para ter uma aposentadoria confortável. Faça as contas!

E um jeito simples de poupar (mesmo não sendo o mais rentável) é a previdência privada; não exige muita disciplina, pois os montantes mensais são debitados de sua conta como qualquer despesa rotineira e é quase à prova de compulsão, pois o resgate antecipado é trabalhoso, perde-se muito dinheiro no processo e o saldo do fundo não fica “à vista” causando possíveis tentações a nós, pobres mortais consumistas.

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Pense nisso, é sempre melhor se arrepender daquilo que você fez do que ver-se impossibilitado de fazer algo que deixou no passado. Assim sendo, vamos nos juntar ao nosso amigo Max Gehringer e desfrutar esse cafezinho de R$ 5 como se fosse o último, pois ele realmente pode ser.

Permito-me aqui uma pequena (mas profunda) adaptação da famosa frase do Dr. Spock, de Star Trek: Vida plena e próspera – pois de nada adianta viver muito, se não for em sua plenitude.

Grande abraço, e se a vida permitir, até a próxima!

Foto “Drink coffee”, Shutterstock.

Renato De Vuono
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